segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estou ferida

Levanto o olhar e vejo o sol a pôr-se no horizonte.
O azul, os laranjas e o restante quente do adeus tocam-me o rosto.
Sinto o vento nos cabelos e sussurra-me ao ouvido: Anda...
Olho para mim e, despida, estou limpa.
Olho para a estrada e tenho medo para onde ela me leva novamente.
Tenho medo e tenho razões para o ter.
Traço um destino e este fere-me.
Estou ferida.
Não se vêem as minhas feridas.
Escondo-as.
Começo a andar.
Deixo no chão as marcas dos meus pés sangrantes.
Não consigo parar a ferida que sinto dentro do peito.
Quase não sinto o meu coração.
Já não o quero sentir.
De que vale sentir se mo ferem outra e outra vez?
Caminho e marco o chão com as pegadas do vermelho sangue.
Estou a limpar-me.
Estou a curar-me.
Já chega.
Já foi demais.

(resposta a um desafio com o tema 'sangrando')

domingo, 28 de novembro de 2010

Uma pergunta para pensar - 00015

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tenho receio das peças que já não encaixam...

Partiste-me,
Colaste-me,
Escondeste-me,
Mostraste-me,
Limpaste-me,
Quebraste-me,
e, agora,
queres que as peças encaixem.
Mas eu não as consigo encaixar.
Desespero nas tentativas,
sorrio na esperança,
choro na ilusão,
capricho nos encaixes,
forço a junção,
mas elas já não encaixam.
Preciso ser salva.
O que faço com os buracos que me deixaste?
Não os consigo tapar nem com a mais forte das minhas crenças,
nem com as linhas tecidas dos meus desejos.
Se me encontrares,
Se... me encontrares...
deita fora os pedaços de mim,
porque não te quero a ver-me assim...
em peças que já não encaixam.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ser poeta

Ser poeta é ter alma e não ser alma de ninguém,
é ser alguém e outro mais numa só pessoa,
é ser louco e navegar no juízo da perfeita loucura,
é sentir dor quando se banha na ventura de alguém.

Ser poeta é harmonia da desbrava de choros frágeis,
é morrer na esfera perfeita e renascer em cada canto seu,
é amar desamor e voltar a amar o nunca amar,
é ser besta e rasgar as regas nunca ágeis.

Ser poeta é acorrentar e correr livre nas asas da palavra,
é amar as letras nas veias de amor e perdição,
é esperar demente pelo fim do dia para beijar a noite,
é ser contorno nos rabiscos indefinidos da vida que se lavra.

Ser poeta é ignorância do saber que se quer esconder,
é a ausência da riqueza numa pobreza do triunfo,
é corte, é ferida, é sangue, é cura, é elevar
é o grito acorrentado do nosso entender.

Ser poeta é despir a alma e fundir os desejos,
é sentir a saudade e pintá-la do branco de tudo e preto do nada,
é ser rubro e explosão, é ser tornado e ser vulcão,
é pedir ao vento as palavras e murmurar recantos de beijos.

Ser poeta é ser pedaços partidos num rio sólido de fusão,
é criar finito nos ramos curvos do caminho anverso,
é dormir no chão das lágrimas que perdes só,
é ser instante e ser eternidade na mão da ilusão.

Ser poeta é gritar por amor numa surdez incógnita,
é ser bravo e respirar a calma da rebeldia,
é ser deus, deusa e mergulhar no sentimento mortal,
é viver estranho no desejar da derrota infinita.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Água

Chovia tanto naquela manhã que só me apeteceu ficar a vê-la cair pela janela. Navegava nos meus pensamentos quando te senti junto de mim.
Olhaste-me e desviaste o olhar para as gotas que caiam sem parar numa chuva forte e copiosa.
Nada dissemos.
Porém, a certa altura, senti o teu olhar cravado em mim e percebi que imaginavas algo.
Deixaste descair a tua mão pelo meu braço e chegaste à minha mão que a puxaste para ti.
Sussurraste-me algo ao ouvido que só consegui perceber: '... quieta'.
Abriste a janela e esticaste a mão guardando cada gota de água na tua mão.
Devagar, começaste a deixar cair pingas sobre a minha blusa de cavas.
Abri mais os olhos sem perceber o que querias fazer.
Tornaste a esticar a mão e recolheste mais e mais água até encharcares todo o tecido.
Estavas deliciado a ver o que querias ver, o que estava despido por baixo dela.
Mordiscando-me a orelha retiras-me a blusa e estendes novamente a mão.
Demoras e não tiras os teus olhos dos meus.
Levantas a mão e deixas, pingo a pingo, cair a água sobre a minha pele.
Segues com o olhar o caminho desenhado pela gota contornando o cume do meu seio. Deixas cair outra e outra gota.
Acaricias-me com a água e eu deixo, mantendo-me imóvel.
Pegas no meu pescoço e encostas-me à janela e, segurando-me na cabeça, deixas que a chuva me toque.
Ciumento, desenhas com a ponta do dedo o escorregar da água na pele.
Fecho os olhos e sinto o frio da água e o quente de ti.
Retiras-me da chuva, levas-me novamente para dentro e deitas as últimas gotas nos lábios que ansiosamente te apressas em beijar.
E naquela água fizemos a nossa chuva...


(resposta a um desafio com a palavra 'água')

sábado, 20 de novembro de 2010

Foto 0019

O amor é como uma ponte suspensa: são precisos dois bons apoios para a ponte aguentar.
Mas quem não quer construir pontes nunca chegará à outra margem.
Há quem prefira o abismo do que a entrega e descoberta.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Semy (Capitulo 020)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019)

CAPITULO 20

Todos os anos pela mesma altura, o aniversário da fundação de Semy era comemorado por cada um dos seus habitantes. Durante um dia, ninguém trabalhava, todos se divertiam na grande festa que sempre tinha lugar naquela data. Mais um ano passou e a festa repetiu-se para alegria de todos. As pequenas e simples casas da povoação encontravam-se quase sem ninguém. O pátio fronteiriço à torre principal do castelo e seu pequeno campo em redor, foi o local escolhido para a festa. Bancos compridos, mesas enormes com muita comida e bebida, uma multidão cheia de alegria era o que se via em cada espaço do pátio. Risos e música, viviam por todo o lado.
Muriel e Kate, divertiam-se com todo aquele ambiente o mesmo já não se passava com Jamie. Ela parecia não ligar à festa. Não conseguia apreciar festas quando a sua atenção estava distante, centrada num problema. Pelo meio de alguns sorrisos, ficava pensativa. Desde que tivera a pequena conversa com Wise Sage, há sete dias atrás, que os momentos de melancolia tinham aumentado. Esse respeitável senhor também se encontrava na festa, e entretinha-se a tocar um alaúde, preto com decorações em pontos brancos, para todos aqueles que quisessem dançar. Junto a si, os verdadeiros músicos acompanhavam-no com vários outros instrumentos na sua maioria de cordas. O flautista saltava com o ritmo imposto pelas músicas. A alegria era contagiante!
Depois de ter dançado um pouco, numa grande roda, Jamie pegou em dois papeis, num bocado de carvão fino, numa faca e afastou-se do local da festa. Procurou o melhor lugar no relvado em volta do pátio e, à sombra de uma árvore, sentou-se. Dali, via um pouco da povoação e dos campos de culturas. Era o local ideal para um pintor se inspirar. Precisava desviar a sua atenção da festa porque não era ali que queria estar. Jamie esqueceu o que se passava atrás de si e começou a desenhar o que via à sua frente: os maravilhosos campos desprovidos das suas culturas, mas de onde tinham nascido ervas novas e pequenas flores do outono.
Quem seguia atentamente todos os seus movimentos era Dave. Calmo e meditabundo, sentou-se num lugar onde poderia apreciar ao longe a jovem mulher. Desviava de vez em quando os olhos azuis claros, para tentar disfarçar a sua vontade de estar sentado debaixo daquela mesma árvore. Precisava conter-se.
Ao repararem para onde ele olhava, Leo e Clive aproximaram-se da mesa. Encostado e apoiado nos cotovelos, Dave vi-os chegar. Enquanto que Clive se manteve em pé, Leo sentou-se ao lado do irmão no longo banco de madeira.
- Porque é que não vais lá? - incitou Clive com um leve sorriso. - Ela está sozinha. Não há ninguém nas proximidades.
- Não comecem...
- Aproveita!! Abandona um pouco o Dave Elmer e torna-te no Dave Egon. Vai ter com a tua felicidade. Esquece a cidade por momentos.
- Pensa somente em ti.
- Tu nem consegues divertir-te este ano na festa!! Nem uma dança teve a honra da tua presença.
Dave levantou os olhos para o irmão mas permaneceu em silêncio.
- Não adianta esconder porque já todos sabem.
- Não tenho tempo para romances.
- Dave, cala-te e vai ter com ela!!
- Nós temos de voltar para ali, para o centro da festa. Vamos dançar com o nosso par favorito. Ai a vida é bela!! Vá... vai... Faz uma tentativa... Olha, leva-lhe esta bebida.
Dave agradeceu com a cabeça e pegou no copo. Com os olhos indicou para que eles se afastassem. Quando Leo e Clive já não se encontravam junto de si, levantou-se e aproximou-se lentamente da árvore pretendida.
No caminho, pensava no que lhe iria dizer mas, no fundo, sabia que quando lá chegasse nada daquilo lhe diria. As palavras que mais queria exprimir ficavam aprisionadas à força na garganta. Costumava ser directo no que dizia, porém, agora tentava compreender o que se passava consigo. Ia para além do seu entendimento. Era como se voltasse a aprender tudo de novo. Não sabia como falar com Jamie sem ser para lhe dar ordens.
- Jamie... toma esta bebida. Está fresca. - disse ao chegar junto da árvore mas sem olhar para a escrava.
Como não recebeu resposta, colocou-se à frente da jovem mulher preparado para reclamar pela falta de palavras. Foi então que reparou que ela dormia profundamente. Ajoelhou-se e olhou para o rosto de Jamie protegido pela sombra da árvore. Estava tão tranquilo. Estendeu a mão e, por um pouco, não tocou nele. Queria tanto tocar-lhe... Mas não! Não poderia deixar-se dominar pelas demonstrações de afecto em público. Tinha de manter o respeito dos seus súbditos. Dentro do castelo, na privacidade dos seus aposentos, era tudo muito diferente. Aí, ninguém o influenciava, ninguém o fazia pensar nas consequências. Poderia ser ele próprio. E tinha de arranjar coragem para o fazer porque aquela mulher estava a deixa-lo louco e sem conseguir viver sem a ter nos seus braços.
Baixou o rosto num desassossego e foi quando reparou nos desenhos. Pegou nos dois papéis e admirou os traços. Um já se encontrava terminado, o outro ainda era um simples rascunho. Enquanto contemplava atentamente os desenhos, Lann aproximou-se da árvore e interrompeu a sua concentração dizendo:
- Desenha muito bem. Já vi outros desenhos seus. São muito bons.
Dave levantou-se e tentou disfarçar um sorriso de espanto. Afastou-se e Lann seguiu-o.
- Este... este está maravilhoso. Desenha mesmo muito bem. E eu que não sabia...
- Nunca procuraste saber. Há muitas coisas dela que desconheces porque não queres conhecer com medo que enfraqueça a tua posição de líder desta cidade. Mas isso é um erro.
Dave olhou-o comprometido e passou com a mão pelo cabelo e virando-se disse:
- Não sei o que dizer... Não me conheço quando estou junto dela. Só me apetece cair aos seus pés. Estou a ficar louco e não gosto! Não posso!!! - Observou novamente o desenho. - E com um pedaço de lenha queimada. Que mãos... Não são todos que têm este dom.
- Porque é que não lhe dizes tudo isso pessoalmente? Não sou eu o interessado em ouvi-las. Deverás dizê-las desse mesmo modo assim que acordar.
- Ora Lann, palavras, não passam de desabafos... Só iria desperdiçar palavras. Tenho responsabilidades bem mais importantes e não posso perder tempo do meu pensamento com romance. Não pos...
- Não acredito em nada do que estou a ouvir. Não me consegues enganar. Conheço-te desde que nasceste.
- Lann, eu neste momento não posso envolver-me com ninguém quando está prestes a rebentar uma guerra com Nastro.
- E porque será? Sabes bem que Dan a deseja e isso atormenta-te. Não é o facto da guerra ir começar... é o facto de que a podes perder.
- Não posso...
- Porque não lhe dizes a verdade? Porque não lhe contas o que sentes?
- Não sou homem de palavras bonitas.
- Nunca é tarde para iniciar uma boa mudança.
- Vamos terminar esse assunto, Lann. Vem. A festa está muito animada. Muito alegre.
- Nunca estiveste tão desinteressado da festa como este ano. A tua atenção está voltada para um outro lado. E enquanto não resolveres o que precisa ser resolvido nunca mais encontrarás sossego.
- Como podes saber tanto sobre mulheres, tu um solitário?
- Não sou eu o solitário aqui.
- Não compreendo como tu e o Wise acabaram sozinhos.
- Deixámos escapar quem não devíamos. Pensávamos somente em nós. Egoístas, tal como estás a ser. Perdemos a nossa felicidade junto de alguém. Por favor, não queiras repetir a nossa decisão idiota de outrora. Segue o conselho e aviso de Wise Sage. Jamie é uma excelente mulher para ti, é a mulher da tua vida.
- Já disse que não quero falar mais desse assunto.
- Eu bem vi o brilho do medo no centro dos teus olhos quando a viste nos braços de Dan Tolos.
- Não lembres esse monstro num dia de festa.
- Tenho de o lembrar pois é uma ameaça constante. Naquele momento só pensaste nela e todos se aperceberam desse facto. Por mais que queiras esconder, a população de Semy já percebeu o teu amor por Jamie. Dan Tolos trouxe esse amor ao cimo... Se insistires em negar o que é evidente, arriscas a perdê-la...
- Não posso acreditar no que dizes.
- É a verdade. Compreendo que sendo o principal governador de Semy não te podes libertar de um certo números de atitudes de modo a manteres o respeito da cidade... mas... e o teu próprio respeito? Como te sentirás se o perderes por nunca pensares em ti? Olha para o Leo e para o Clive... Eles estão felizes porque foram ao encontro delas. Falaram rapidamente com quem amam. Observa-os! Repara nos risos, nas expressões felizes. O combate foi ganho.
- Eles são eles e eu sou eu. Responsabilidades diferentes. E esta conversa terminou. - resmungou Dave a caminhar depressa.
Lann viu-o entrar para o castelo.
- Teimoso como o pai. - murmurou Lann ao olhar para Jamie que ainda dormia calmamente na sombra fresca.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Frágil

Sinto-me frágil porque te tenho nos meus braços
e assim perco a noção de mim e do meu ser
porque me tomas como vida.

Sinto-me frágil porque já não sei como te amar mais,
como te dar mais do tudo que te dou
porque mais está para além do que posso dar.

Sinto-me frágil porque não respiro quando me olhas
com aqueles olhos com que me aqueces nas noites solitárias,
solitárias do tempo porque ele pára somente para nós.

Sinto-me frágil em cada sorriso que me dás quando me beijas,
e, fico assim, rendida e perdida, no teu calor
porque ele cala o meu medo mais frio.

Sinto-me frágil quando saboreias palavras ao meu ouvido,
levando-me a magia das batidas que provocas num coração de Lua
porque tu és a estrela que brilha na minha face oculta.

Sinto-me frágil quando me mimas no teu regresso,
fazendo-me distrair nos teus prados cheios de encantos
onde semeias as pétalas com que floresço.

Sinto-me frágil quando acerto o passo no teu caminho,
como marcas já estudadas pelo destino artista,
que nos faz encontrar o mesmo traço invisível,
aquele traço que nos une
cada vez que nos tocamos fervorosamente no nosso mundo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Não me importo

Não me importo com a cor com que me pintas
porque dela faço prados de flores ondulantes
que acariciam sem parar o teu vento sedutor.

Não me importo com a fúria das águas do mar rebelde em que me crias
porque dela faço ilhas banhadas de sonhos
que abraçam os teus suspiros quando me beijas de amor.

Não me importo com o queimar do fogo calado com que me fustigas
porque dele faço vulcões que atiram quentes carícias
que acalmam e serenam o teu gritante clamor.

Não me importo com o perfume com que me misturas
porque dele faço constantes trapos nus e ricos tecidos leves
que vestem e confortam o teu mais secreto temor.

Não me importo com o amor com que me inventas
porque dele faço sorrisos errantes e rebeldes
que respiram no lance certeiro de um selvagem jogador.

sábado, 13 de novembro de 2010

Zeroing

Descobri este video via Twiter e acho espantoso ;-)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Personalize funny videos and birthday eCards at JibJab!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Qual é

Qual é o sabor do amor?
Qual é o som do silêncio?
Qual é o toque do olhar?
Qual é o caminho do horizonte?
Qual é o cheiro do ar?
Qual é o som do adeus?
Qual é o sabor das estrelas?
Qual é a luz da escuridão?
Qual é a vontade do medo?
Qual é o olhar da cegueira?
Qual é o arrepio do calor?
Qual é o chamar do silêncio?
Qual é o molhar do seco?
Qual é o grito do ouvir?
Qual é o andar da montanha?
Qual é o correr do som?
Qual é o sabor da mágoa?
Qual é o grito da paixão?
Qual é o parar do rio?
Qual é a tristeza da alegria?
Qual é o som da saudade?
Qual é o chamar do vento?
Qual é o ferver do gelo?
Qual é o vazio do coração?
Qual é o sentir da música?
Qual é a força do perder?
Qual é o espaço do vazio?
Qual é o passo do universo?
Qual é o grito do abandonar?
Qual é a rendição da morte?
Qual é o sabor do respirar?
Qual é a fala da pele?
Qual é o sorriso da tristeza?
Qual é a felicidade da vida?
Qual é a tinta do branco?
Qual é o segredo do conhecimento?
Qual é a ternura do frio?
Qual é a carícia do bater?
Qual é o grito da mudança?
Qual é a pergunta da resposta?
Qual é a dúvida da certeza?
Qual é o som do desejo?
Qual é o cheiro do prazer?
Qual é a matemática do amor?
Qual é a luz do correr?
Qual é a razão do desconhecido?
Qual é o desenho do regresso?
Qual é o número da vida?
Qual é o toque do teu sentir?
Qual é o som do meu existir?



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nespresso? Sim eu posso fazer de realizadora ;-)

Já sabem que eu adoro o Clooney mas ter a possibilidade de brincar com a edição do novo anúncio do Nespresso foi tentador.. e voilá!!
Fiz o meu próprio anúncio eheheheheh



terça-feira, 9 de novembro de 2010

O amor pode chegar de repente

Chegas quando menos espero, repentino amor,
que marchas nas ordem de um destino aturdido
recolhendo, passo a passo, restos de um meigo clamor
que tímido grita pelo meu olhar nunca estendido
já cansado de ventos e remoinhos de constante desamor.

Fecho os olhos e juro, a mim mesma, assim não acreditar
mas não resisto e vislumbro na perdição da minha alma
a vontade pasmada e rebelde de te aceitar
nesta cedência, de uma vez mais desejar a calma
de um impulso bravio que mais não é senão um breve enfeitar.

Giro, rodopio neste remoinho repleto de emoções
como quem peneira cegamente aquele ouro
que apenas luz à fortuna e não ao mais servil dos corações
porque recusa enfeitar um mero espírito tesouro
que afronta os desígnios das mais cruéis aflições.

Cai por mim uma gota de suor que leva bem certeira
a lágrima que guardei para o meu dia de felicidade
e pegando nela suavemente, agito-a numa bandeira
que elevo na batalha que esgota pela imensidade
das lutas que recuso perder num jogo onde ainda estou inteira.

Nasce a ligação que me faz perder em folhas do sonhar
os sopros das palavras que recebo de ti em mim
descrevendo traços do que me queres levar a amar
num percurso trágico e incerto que mesmo assim, enfim
recuso a ver e me banha em chuvas de ventura que oiço clamar.

Permaneço quieta e abro-me para te receber,
amor este, que ainda desconheço mas que sacia o meu desejo
de saborear os cantos imediatos e remotos do teu beber,
e que dos teus braços nasça o forte ensejo
de sustentar o tempo e reinar no meu singelo conceber.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

This Ol' World

Mais uma descoberta acidental... Ahh ganda som!!


Sandi Thom com Joe Bonamassa - This Ol' World

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não entendo

Não entendo o teu olhar
que divaga nos meus traços,
aqueles que mostro por baixo da roupa que me omite.
Querem ver mas estão cegos de medo
feito pano com que se apaga o que me traçaste
com o leve tocar dos teus dedos na tela da minha pele.

Não entendo o teu falar
que fantasia nos meus desabafos,
aqueles que lanço de dentro do peito que me oprime.
Querem gritar mas gelam tácitos
no frio que nasceu repentinamente nas veias que criaste
com o sopro dos teus lábios na boca do meu fogo.

Não entendo o teu pensar
que comanda as peças partidas,
aquelas que tento encaixar e já não encontro ajuste.
Querem colar-se mas desfazem-se devagar
no rasto das palavras fugidias que lançaste
com o sussurro da tua voz no portal do meu ouvido.

Não entendo o teu sentir
que me infesta os meus sentidos,
aqueles que alertam das tempestades com que me arruínas.
Querem tocar mas banham calmos
a costa serena e cobarde que criei para te travar
com o calor do teu abraço na ilha de um corpo desnudado.

Não entendo o teu amar
que me fustiga as vidas,
aquelas que crio e recrio cada vez que me perco nos teus braços.
Querem enlouquecer mas despertam
os muros que derrubo em silêncio para te saudar
com o cheiro amante que entranhaste nas raízes do meu prazer.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Me and Mr. Jones (eu mudei o nome ;-)

A esta hora já estou sentadinha a ouvi-lo no Pavilhão Atlântico.
E se canta esta... eu... eu vou a Marte e para além do sistema solar!!!
É definitivamente a minha favorita dele :-)



Me And Mrs Jones de Michael Bublé

Semy (Capitulo 019)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018)

CAPITULO 19

Quando Wise Sage chegou à cabana encontrou Jamie, Kate e Muriel à sua espera. Satisfeito com a visita, sentou-se na sua cadeira sempre a sorrir.
- Minhas queridas amigas, julgava-as a descansarem depois do que se passou hoje.
- Lann pediu que lhe viéssemos trazer-lhe o chá. Está aqui... bem quentinho.
- Obrigado, Muriel. -Bebericou um pouco e olhou para Jamie que se mantinha calada e séria. - Já estavam aqui há muito?
- Um pouco. Até pensámos que teríamos de levar o chá de volta e trazer um outro mais quente. - respondeu Kate num sorriso.
- É bom vê-las assim tão bem. Mas... nota-se na expressão triste dos olhos que ainda tremem por dentro. Foi um susto inesquecível. Dan Tolos precisa de uma lição...
- Fui um valente susto! - desabafou Kate.
- Creio que não voltará a aparecer por aqui. - disse Jamie sem acreditar no que dizia.
- Lamento não compartilhar da mesma opinião. Infelizmente estás enganada, completamente enganada. Dan Tolos não é daqueles homens que desistem perante um obstáculo difícil de ultrapassar, muito pelo contrário, aprecia com toda a intensidade um desafio como aquele que lhe foi feito hoje. Não vai ficar sossegado enquanto não fizer algo contra vocês, principalmente contra ti, Jamie.
- Não percebo porque me quer. Se é pelos cabelos, eu corto-os já! Eu não quero originar problemas para Semy. Quero viver a minha vida calma e discretamente.
- Daqui para a frente, a tua vida correrá sérios perigos. - Continuou Wise sem tirar os olhos da sua cara.
- Não tenho medo. Estou bem protegida em Semy e muito mais no interior do castelo.
- Será?
- O que pretende dizer com isso? Dan Tolos não poderá certamente entrar pelo castelo como o fez antes de descobrir-me.
- Sim, é verdade. Ele já não vai voltar a entrar daquele modo. Mas Tolos é um homem muito persistente, inteligente, manhoso e quando toma uma decisão, possa ou não ela prejudicar inocentes, não descansa enquanto não a concretizar. Os seus súbditos conhecem bem essas decisões. Dan Tolos é obstinado e em tudo que faz transporta um pouco da chama de uma paixão impregnada de emoções nefastas e mordazes. Será que um dia alguém ou algo conseguirá acalmar a sua sede de crueldade? - E calou-se momentaneamente observando os olhos de Jamie. - Talvez...
- Wise Sage, diga-nos o motivo porque nos fez vir à sua cabana trazer-lhe um chá que poderia ser sido trazido por apenas uma pessoa. O que quer dizer-nos? Vamos deixar-nos de rodeios?
- Jamie! - repreendeu Muriel.
- Fui assim tão óbvio?
- Começo a conhecê-lo e respondo: foi.
Wise Sage ajeitou-se na cadeira e num sorriso disse:
- Era o modo mais simples de as preparar para a conversa que iremos ter em seguida.
- Preparar??
- Sim, Muriel. Sentem-se, por favor. Trata-se de um assunto um tanto delicado mas sei que não vão zangar-se com o que lhes tenho a dizer. Irão achá-lo particularmente interessante. E na verdade têm mesmo de o ouvir.
- Fizemos alguma asneira? - perguntou Kate sentando-se no chão aos pés de Wise Sage. - Não me diga que nos vão vender a Dan Tolos? Não!!
- Não, que absurdo! Fica descansada.
- Não é assim tão absurda. Nós fomos as causadoras do conflito entre os senhores deste reino, conflito esse com consequências violentas que irão atingir de bem perto todos os habitantes das duas cidades. Esta é uma grande razão para a nossa venda imediata. Só pode ser isso! E os Elmer encarregaram-no, como nosso amigo, de nos avisar do facto.
- Oh! Muriel! Não é nada disso, estejam descansadas. Eu tenho outra história bem diferente para vos contar.
Calmamente, o feiticeiro explicou as regras e os costumes relacionados com a escolha das noivas dos governantes, ou futuros governantes de Semy. Muito atentas, as jovens mulheres escutaram tudo. Informou então, de que os corações dos irmãos Elmer já se encontravam definitivamente ocupados. A oficialização do noivado teria lugar numa manhã do primeiro dia do mês escolhido para a cerimónia do casamento junto do grande pátio do castelo. Aí, e de uma forma simbólica, o povo da cidade prestaria homenagem aos antepassados dos Elmer.
Wise Sage divertia-se com as expressões de Muriel e Kate mas nada conseguiu retirar do rosto sério de Jamie. A sua expressão era a mesma desde que tinha entrado naquela casa. Jamie encostou-se à parede e desviou o olhar para o fogo da lareira. E então uma delas perguntou se as noivas eram alguém que conheciam. E Wise Sage num grande sorriso respondeu:
- Sim, sim, sim... Conhecem muito bem.
- Quem são? Aposto em como uma delas é aquela escrava que está sempre a importunar-nos... - disse Kate. E virando-se para Muriell disse: - A Quinza, aquela que...
- São vocês!
- Nós?! - exclamou Muriel espantada e com um brilho nos olhos negros. - Não está a brincar connosco? Tem a certeza? Eles tratam-nos sempre tão mal, com brusquidão até. A Jamie então é a mais massacrada. Não pode ser. Está errado.
- Estarei Muriel? É o que o teu coração diz?
Jamie olhou repentinamente para o feiticeiro e abanou a cabeça num sinal negativo.
Kate olhou-a e não conseguiu segurar uma cara de felicidade.
- Desculpe Wise Sage, mas isso passou das marcas. E vou embora.
- Não o faças Jamie. Por favor, fica. Ainda não terminei. E é uma ordem que te estou a dar.
Contrariada, Jamie manteve-se imóvel junto à porta.
- Tudo que eles fizeram serviu para disfarçar um amor que nascia dia a dia, cada vez mais intenso. Mas digam-me, nunca repararam num olhar, numa atitude? Tu, Muriel, não precisas responder porque há muito que namoriscas Leo.
- Não temos tempo e nem devemos reparar no que os senhores fazem. - replicou Jamie.
- Não acredito. Podem enganar quem as rodeia, mas a mim, jamais conseguirão. Sabem muito bem da preferência sobre vós. Presenciaram, há bem pouco tempo, uma troca de palavras muito comprometedora na cozinha. Dave Elmer nunca se exaltou contra Dan Tolos daquele modo. Nunca. Era preciso possuir uma razão muito forte para o enfrentar como enfrentou.
- Na verdade, ouvimos comentários a esse respeito após a saída de Dan Tolos da cozinha. Contaram-nos um pouco do que aconteceu no pátio. - lembrou Muriel. - E depois... sentimos olhares suspeitos sobre nós. Era como se nos começassem a ver de um outro modo. Deixámos de ser as escravas de cabelos escuros para sermos algo... algo diferente e receoso...
- Receoso não, respeitoso. Começaram a ser vistas como as futuras senhoras da cidade.
- Wise Sage não diga disparates. - interrompeu Jamie visivelmente irritada. - Começamos a ser vistas como uma real ameaça à calma de Semy. Querem é ver-nos longe daqui!! Não invente contos de fadas! Gosto muito de si, mas está a inventar uma história deveras ridícula. Até irei descansar muito mais tranquila esta noite. - terminou num riso falso.
- Não sejas idiota; Jamie! Ninguém está a inventar histórias a não seres tu. - resmungou Muriel.
- Jamie, que estás tão céptica, finges não estar interessada no que revelei, finges que tudo que disse é uma invenção... e nem imaginas como és importante na história que afirmas ter inventado. - Wise Sage levantou-se e com um ar sério acrescentou: - Sei muito bem que o vosso coração também lhes pertence.
- O meu coração somente a mim me pertence. - respondeu Jamie com um tom ríspido na voz.
Wise aproximou-se dela e bem junto do seu rosto disse:
- Não mintas a este velho senhor que já assistiu a muito. Eu sei que isso não é verdade.
- Não vou dizer absolutamente mais nada a respeito deste assunto. Estou muito cansada. Quero ir dormir. Amanhã temos de trabalhar cedo. Mesmo contrariando uma ordem sua, abandono este lugar. Boa noite, bom amigo. - disse Jamie beijando a testa enrugada do sábio.
E abandonou a cabana em passos rápidos. Wise Sage olhou-a pela janela. Parecia que entre aqueles gestos decididos, alguma lágrima caiu. Também ela necessitava de mudar. Afinal não seria somente Dave Elmer. Rodou a cabeça e encontrou duas mulheres felizes a espera de mais algumas palavras suas.
- Chora.
- Possivelmente. - confirmou Muriel - Sempre preferiu que ninguém a visse a chorar. Ela não gosta de confessar coisas pessoais... tem um feitio um pouco difícil. É Dave quem gosta da Jamie, não é? Só pode ser...
- É. E reagiram os dois do mesmo modo às minhas revelações.
- Eles, eles já sabem de nós??
- Claro, linda Kate. - respondeu num sorriso.
- Eu gosto do Clive. Muito. - declarou Kate dando-lhe um beijo meigo na face do velho senhor marcada pelas rugas da vida.
- Ahh Eu sei!! Clive, esse rapaz maroto e algo tolo está enamorado por ti, minha doce Kate.
- Falta-me coragem. Tem de ajudar-me a aproximar-me dele, está combinado? Boa noite, Wise. Durma bem... - E saiu a correr.
- O meu coração é do Leo, como já todos sabem. Acho que agora já não precisamos de esconder. - afirmou Muriel só com a cabeça à vista junto à porta. - Ajuda-nos?
- Claro! É essa a minha missão.
Mas Muriel já não ouviu as suas últimas palavras. Wise Sage viu-as afastarem-se felizes e fechou a porta. Claro que as iria ajudar. Adorava aquelas jovens mulheres que um dia, de repente, tinham entrado na sua vida vindas de um lugar que só em sonhos tinha visto.
Olhou para a vela e com os olhos verdes a brilharem de contentamento, afirmou:
- Dave e Jamie... os dois juntos, tornar-se-ão tão diferentes. - E riu com satisfação. - Tornar-se-ão libertos de uma barreira cheia de impedimentos. Serão mais abertos aos sentimentos... e...
E o seu rosto tornou-se repentinamente tenso.
Lembrou-se da sua visão mais aterradora. Preferia que tais lembranças não lhe vagueassem na mente. Como queria ter poderes para mudar o futuro que presenciara. Talvez conseguisse. Tinha de conseguir.
- Senhores do Além Real: porquê? Porquê um destino destes? Jamie, querida Jamie... se eu falhar... nem imaginas o que sofrerás.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

The Pieces Don't Fit Anymore

Mais uma que anda na minha cabeça e não sai...
... porque me deixaste pedaços que agora não colam...


The Pieces Don't Fit Anymore de James Morrison

In a space that's too small.
I've been drawing the line and watching it fall,
You've been closing me in, closing the space in my heart.
Watching us fading and watching it all fall apart.

Well I can't explain why it's not enough, Cause I gave it all to you.
And if you leave me now, oh just leave me now.
It's the better thing to do,
It's time to surrender,
It's been to long pretending.
There's no use in trying,
When the pieces don't fit here anymore, Pieces don't fit here anymore.
Well you pulled me under,
I had to give in.
Such a beautiful myth,
Thats breaking my skin.
Well i'll hide all the bruises,
I'll hide all the damage thats done.
But I show how Im feeling until all the feeling has gone.
 
Ooh don't missunderstand,
How I feel.
Cause I've tried, yes I've tried.
But still I don't know why, no I don't know why.
I don't know why