sábado, 5 de junho de 2010

Semy (Capitulo 004)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003)

CAPITULO 4

O resto do dia tinha sido aproveitado pelas jovens para uma visita rápida a algumas lojas e algumas visitas a amigos. Quando regressaram à mansão, não encontraram o cientista em nenhuma parte da casa, incluindo o laboratório. Prontamente, Kate, foi ver se John andava pelas traseiras do edifício a tratar das suas plantas e flores. De facto, o cientista encontrava-se agachado a mexer em algumas das mais fracas acabadas de despontar. Oferecendo uma bela rosa cor púrpura a Kate, John pediu que todas se dirigissem para o laboratório e, uma vez lá, esperassem por ele. E as três assim fizeram.
Minutos depois, o cientista apareceu com um ramo de folhas verdes.
- Ainda bem que voltaram mais cedo. Vou preparar uma deliciosa infusão destas folhas. Um velho chá da minha família. Segredos que passam de geração em geração. Delicioso...
- Chá?! Adoro chá, - exclamou Kate. - e agora calha mesmo bem. Vou preparar a mesa lá em cima.
- Não. Não é necessário. Ficamos por aqui.
- Mas porquê? - inquiriu Jamie.
- Existe um pequeno fogão que serve perfeitamente para aquecer a água necessária à infusão. Para quê desarrumar a cozinha por apenas um pouco de líquido transparente? Sentem-se nessas cadeiras. Acabei de as construir ontem à noite. O que pensam? Confortáveis? Digam-me sinceramente. Necessito da vossa opinião. É importante para mim.
- Muito confortáveis. Adaptam-se perfeitamente ao corpo. - respondeu Muriel quando já se encontravam sentadas nas cadeiras. - São mesmo confortáveis... nem apetece sair daqui.
- Jóia! - exclamou Kate a sorrir.
Dizendo que ia buscar a chaleira à cozinha, John Shaw saiu do laboratório.
Logo após a saída, as luzes daquela sala apagaram-se ao mesmo tempo que a porta se fechou sozinha com rapidez o que produziu um forte som de embate. Simultaneamente, as jovens sentiram que algo as prendeu às cadeiras. Escassos segundos depois, acendeu-se uma luz à sua frente. A parede! A parede direita do laboratório tinha desaparecido e dado lugar a uma cabina à prova de som e de ar. Cabina essa, ocupada por John Shaw que, concentrado, mexia em várias componentes dos muitos aparelhos que existiam à sua volta. Foi então que repararam que se encontravam realmente presas às cadeiras pelos pulsos e pelas pernas por grossas braçadeiras de metal. Tentaram libertar-se mas nada conseguiram, a não ser dores que as fizeram adiar nova tentativa.
- Mas o que é isto??? Porque é que estamos aqui presas? - perguntou Jamie ao mesmo tempo que procurava tirar as mãos das braçadeiras. - Se isto é uma brincadeira está a ir longe demais!
- É escusado tentarem uma possível fuga. Essas cadeiras foram construídas à vossa medida. Com o auxílio precioso de todas, eu consegui inventar um aparelho fantástico. - interveio John que as ouvia através de um microfone instalado perto do local onde se mantinham presas.
O cientista mexeu, mais uma vez, nos aparelhos que o rodeavam e surgiu uma espécie de chaminé bem por cima da cabeça de cada uma.
Jamie tentou uma vez mais soltar-se mas nada conseguiu.
- Encontram-se presas porque vão ser os primeiros seres humanos a experimentar a minha maravilhosa invenção. Se não tivesse preparado tudo isto assim na perfeição, de certeza que nunca aceitariam o lugar de cobaias de livre e espontânea vontade. Gostei deveras de trabalhar convosco. Mas agora vão viajar para um novo mundo. Um mundo num outro tempo, numa outra dimensão. Já pensaram no momento que irão viver? Serem as únicas? Oh... como gostaria de estar no vosso lugar.
- E porque não o faz?
- Boa tentativa, Jamie. Mas dispenso a ironia. - disse Shaw sorrindo. - Como se sentem? Nervosas, muito nervosas estou a verificar pelos meus sensores. Calma, não lhes vai acontecer nada de preocupante. Apenas irão para um lugar desconhecido, nada mais.
- Que loucura! Isto não pode estar a acontecer... - murmurou Kate. - Eu devo estar a viver um pesadelo, um daqueles bem horríveis.
- Tire-nos imediatamente daqui!!
- Ohhhh sim, cara Jamie, é para já! Muitas felicidades, caras amigas.
- Espere! Não nos faça mal. Vamos conversar. - pediu Muriel nervosa. - Porquê nós? Porque não experimenta com animais?
- Animais não me oferecem o prazer que necessito. Porquê vocês? Não sei... Talvez porque acabei por amá-las como um pai. Nunca tive filhos, sabiam? E além de tudo isso, revelaram uma personalidade interessante. - Parou pensativo e depois prosseguiu: - Alguém tinha de ser. Prefiro que seja um trio brilhante do que alguém desprovido de qualquer tipo de inteligência verdadeiramente louvável. Nunca conheci três mulheres mais encantadoras. Confesso. Conheci o amor tarde demais para o viver. Não voltarão a este mundo... Talvez até seja melhor para vós. Já pensaram para onde as vou mandar? Para um mundo livre de maldade, ódio, guerra... vão conhecer a verdadeira felicidade. vejam como uma prenda que vos dou.
- Pare!! Não sabe o que está a fazer! - gritou Jamie desesperada. - Tire-nos daqui!! Louco!!
- Minhas caras amigas... Adeus.
E começou a ligar a estranha máquina que tinha à frente. Da chaminé de metal, surgiram luzes que mudaram de cor, até que libertou um poderoso e luminoso raio vermelho.
- NÃO!! - gritou Kate a chorar.
Mas já era tarde demais. As três jovens tinham desaparecido do laboratório deixando as cadeiras ao pó.
Com lágrimas nos olhos, mas feliz, John Shaw abandonou a cabina.
- As minhas queridas meninas estão salvas! Estão no paraíso!
Mas quando chegou junto das cadeiras vazias, algo começou a acontecer aos comandos visíveis do laboratório. Rapidamente, regressou à cabina e procurou entre algum fumo e faíscas a origem da avaria. Tanto a máquina principal como os outros aparelhos circundantes, fumegavam ameaçadoramente.
- Meu Deus! Matei-as!! Não pode ser verdade! O que fiz de errado? Eu não queria... Eu não queria a morte... Elas estão mortas... Sou um assassino. - Visivelmente desorientado, passava com as mãos pela cabeça. - O que é que eu vou fazer? Não... Mortas, não... Idiota! Calma! Ninguém poderá acusar-me do seu desaparecimento. Não existem provas. Não existe um corpo para me incriminar...
Vendo que não poderia fazer nada para controlar o seu invento, John saiu do laboratório a correr. Com o suor a cair-lhe pelas faces, marcou o número dos bombeiros nervosamente. Mas não chegou a falar, pois ao escutar uma pequena explosão vinda da cave, largou o telefone partindo-o no chão. Essa seria o aviso para a que viria a seguir.
John Shaw caminhou por entre o forte fumo que já se concentrara no hall, e alcançou a porta. Todavia, não conseguiu escapar da morte. Uma forte explosão irrompeu do interior do laboratório e destruiu por completo o belo edifício de estilo colonial.
Os belos jardins enchiam-se, pouco a pouco, de pedaços incandescentes daquilo que tinha sido a última morada de Jamie Mills, Muriel Walters e Kate Donan.
A casa de John Shaw, assim como o seu próprio dono, tinha deixado de existir.

Sem comentários:

Enviar um comentário