sexta-feira, 30 de abril de 2010

Tatuagem

Levantei o olhar e por entre a penumbra olhei-me ao espelho.
Uma toalha era o que me tapava.
Deixei descai-la e um dos ombros ficou descoberto.
E lembrei-me dela.
O meu peito subiu e desceu como uma onda que chega à costa porque tem saudades dela.
Coloquei-me melhor no fio de luz que começou a desenhar-me as curvas e então decidi baixar um pouco mais a toalha.
Olhei-me de novo e não contive uma inveja da pele arrepiada.
São redondas, rígidas e estão chamativas por ela.
Mas não.
Não é ali.
Abri as mãos e libertei a toalha por completo até cair no chão.
Com a ponta do pé levantei-a e admirei o desenho da perna e pensei:
"Boa para ela?".
Não.
Não é ali.
Deslizei a mão sobre o meu ventre e deixei-a descair um pouco mais sentindo um calor familiar.
Não, não era ali que desejava colocá-la.
Sorrindo virei-me. E o fio de luz redesenhou-me de novo.
Gentilmente passei com a mão pelas costas até ao seu final onde encontram uma das tuas perdições de formas, toque e calor.
Afaguei aquele local só para ela.
Não.
Não penso só na tua boca.
Penso na tatuagem que te vai enlouquecer.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A etiqueta

A fada saltitava no ar tocando levemente no chão com a ponta dos pés quando decidiu parar um pouco a brincadeira. Sentou-se no topo de uma escadaria e espreguiçou-se de tal maneira que até o último caracol do cabelo se esticou.
Foi então que reparou numa figura curvada sentada mesmo no último degrau, lá no fundo.
Olhou para o céu e deixou o vento agitar as asas descontraídas e recolhidas.
Afligiu-se quando ouviu um suspiro que a arrepiou pela angústia que transportava. Rodou a cabeça à procura de onde vinha tal grito. Elevando as sobrancelhas, compreendeu que aqueles lamentos saiam da tal figura sentada.
Levantou as asas e devagar flutuou até ela.
Aquela mulher desenhava, com um pau, linhas sem desenho. Não parava de suspirar nem de rabiscar no chão.
Ao se aperceber do rosto da fada bem perto de si, levantou a cabeça e enfrentou-a com um olhar desinteressado.
A fada sorriu mas do outro lado não conseguiu reacção semelhante. E então parou de sorrir.
- Porque o teu suspiro dói tanto? - perguntou a fada sentando-se ao lado da mulher.
Esta, baixou o olhar novamente e respondeu:
- Porque é a dor que sinto. - olhou de lado e prosseguiu - deixa-me fria e vazia.
- Como assim?
- Tenho a sensação que o amor é uma doença que me passam. Estranhamente fico eu doente. Curo, tornando-me doente. E porquê? Qual a razão? - E largou novo suspiro. - Quem se aproxima de mim, deixa-me assim. É uma dor que não se sabe de onde vem e está pelo corpo todo. É um peso forte demais. Não o quero mais!!
A fada não sabia o que lhe responder. Tentava perceber uma razão para a puder ajudar.
- Que tenho eu para que me façam isto? - Suspirou de novo e fechando os olhos acrescentou: - Gosto de ser quem sou e por ser assim usam-me e depois partem por acharem demais ou porque simplesmente ficam bem. Não me vêem como um futuro mas sim como uma mera passagem. Dou o meu melhor e desaparecem deixando-me cheia dos seus restos...
A fada sentiu as dúvidas e lamentos no olhar daquela mulher e colocou o seu braço à volta dos ombros para a reconfortar. Sentiu a varinha mágica da Paciência a agitar-se no cinto. Quando ia para acalmar a doida da varinha, a sua mão sentiu algo nas costas da mulher. Espreitou e viu uma etiqueta cravada bem no centro. Aquela etiqueta não estava ali. Tinha aparecido do nada.
As asas agitaram-se quando leu o lá estava escrito. A custo, a muito custo, arrancou-a das costas da mulher e entendeu toda a sua história.
- Agora já não tornará a acontecer. - disse a fada. E dando-lhe o que tinha retirado, mostrou-lhe as palavras.
Estava escrito: Cura para a dor.


(será que todos nós temos uma etiqueta escondida algures?)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

-me

Encontraste-me semi-perdida tal como encontraste resposta no meu olhar.
Cozinhaste-me no ponto tal como cozinhaste os meus sucos.
Sopraste-me a brisa tal como sopraste o vento que me fez planar.
Esculpiste-me do nada tal como esculpiste a minha pele que te aquece.
Amaste-me sem eu pedir tal como amaste o que sou e não o que querias que fosse.
Inspiraste-me até doer tal como inspiraste todas a letras que ainda nascem nas minhas mãos.
Musicaste-me mesmo sem notas tal como musicaste cada caracol do meu cabelo com os teus beijos.
Colheste-me no tempo certo tal como colheste as pétalas do meu prazer.
Banhaste-me até ficar em paz tal como banhaste a minha carência com as tuas carícias.
...
Secaste-me as palavras tal como secaste a minha alma.
Espalhaste-me a mentira nas minhas certezas tal como espalhaste a dúvida no meu acreditar
Abafaste-me o desejo tal como abafaste a vontade de arrepiar.
Revolveste-me a esperança tal como revolveste a alegria do sonhar.
Arrastaste-me a confiança tal como arrastaste a sinceridade do meu querer.
Quebraste-me o segurar tal como quebraste o toque que te desejava tanto dar.
Perdeste-me o sentido tal como perdeste parte de mim.
...
Esperei eu por ti e agora vejo-te desaparecer tal como deixo a areia escorregar pela minha mão.
Aqui, ajoelhada neste deserto, percebo que afinal foste uma mera miragem.
Olho para o Sol que me queima, levanto-me e afasto-me sentindo o calor das dunas nos meus pés.

domingo, 25 de abril de 2010

Liberdade

Liberdade é sonhar sem medo de o fazer.
Liberdade é conseguir dizer Não quando todos dizem SIM.
Liberdade é combater o turbilhão sem nos arrancar as raízes.
Liberdade é conseguir sentir o céu mesmo estando fechado numa caixa.
Liberdade é ter forças para levantar as pedras que barram o caminho.
Liberdade é a maior necessidade do ser humano enquanto ser pensante porque permite a evolução e a criação.
Liberdade é o pulsar do coração das palavras.
Liberdade é o tocar nas linhas que conduzem ao conhecimento.
Liberdade é o gritar mudo mas potente contra quem só sabe oprimir.
Liberdade é alcançar o direito de falar.
Liberdade é esquecer que não há limitações.
Liberdade é, acima tudo, saber Ser respeitando os outros.
Liberdade é conseguir sentir asas e voar.
Liberdade é poder mudar o mundo.
Liberdade é a fome mais pedida da nossa alma.
Liberdade é por vezes um teste à coragem.
Liberdade é o quebrar da intolerância.
Liberdade é um misto de coração e espírito que se juntam em forma de determinação.
Liberdade é a possibilidade de se puder lançar dúvidas.
Liberdade é a necessidade de se questionar.
Liberdade é a ligeireza da rigidez.
Liberdade é a concretização de um estado e não de uma ordem.
Liberdade é uma roda que permite avançar.
Liberdade é uma tentação para os abusadores porque desconhecem o equilíbrio.
Liberdade é o rebentar das correntes que cercam as bocas que caladas falam.
Liberdade é o ter tudo em tão pouco.
Liberdade é ausência de qualquer tipo de submissão.

A liberdade é simplesmente poder ser quem somos.
E a única liberdade que ninguém pode tirar é aquela que habita na nossa mente.
Essa sim é a mais pura das liberdades.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Se coleccionássemos

Se coleccionássemos as decepções e tristezas num livro...
seria tão fácil colocar em cada folha a capa da tristeza e do desencanto;
seria fácil colocar em cada folha as mágoas e esperanças fúteis e idiotas;
seria bem mais fácil limpar a alma do que a trava inutilmente;
seria cómodo para abafar por completo o som que o adeus faz;
seria um alivio sacudir o pó de quem nos suja;
seria bom para esvaziar as gavetas das memórias que nos deixam inseguros, frágeis e estúpidos.
seria fácil colar às folhas quem só quer receber e nada dar.

Se coleccionássemos as decepções e tristezas num livro, facilmente o deixaríamos num qualquer banco de jardim ou o atiraríamos ao mar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Foto 0010

Molduras seguidas e alinhadas como se fossem sensações à espera de serem descobertas não escapam ao meu olhar.
Quero-as!
Todas as sensações!
Quero-as em mim.
Nos corredores da minha mente algumas já estão expostas para meu belo prazer...


quarta-feira, 21 de abril de 2010

How To Train Your Dragon

Fui ver este filme e uma das coisas que me chamou a atenção foi a sua banda sonora. Destaco esta faixa em que o parzinho viaja nas nuvens graças ao dragão ;-)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

De quanto...

De quanto preciso dar-te mais para saber o que sentes por mim?
...apetece-me perder a paciência de o saber...
De quanto devo aguentar agarrar o sol para me veres?
...será que só me vou queimar?
De quanto mais tempo devo guardar a palavra 'Amo-te'?
... só me aparece guardá-la e nunca a tirar...
De quanto vale travar o tempo se ele não me traz notícias tuas?
... o silêncio é o cravar de punhais na carne...
De quanto consigo aguentar sem te abraçar olhando-te de perto?
... e se repudias o meu calor?
De quanto preciso para cair e não passar do céu?
... não quero a queda livre de novo...
De quanto necessito gritar para te puxar para aqui?
... perco a voz e não passas nem perto de mim...
De quanto tenho de escavar com as mãos para encontrar a chave do teu amar?
... ou terei de olhar mas as feridas de nada encontrar?
De quanto preciso de planar como uma folha para encontrar o teu colo?
... ou de ser a folha que é estilhaçada com um pé?
De quanto tempo devo ficar quieta para me encontrares?
... o tempo de criar raízes secas?
De quanto oiço o teu tocar porque quero a sinfonia em vez da canção?
... e se só ouvir a surdez dos sons?
De quanto mais devo parar de tremer quando sigo pelo caminho de caminhas?
... ou terei de ir por outro caminho porque este não tem futuro?
De quanto tenho de ver Pouco para começar a ver Muito?
... ou devo simplesmente fechar os olhos?
De quanto devo apaziguar a mente para que ela não me encha de saudades tuas?
... afogando essas saudades?
De quanto necessito padecer para conhecer a direcção certa?
... partir-me em duas e perder-me do outro pedaço?
De quanto consigo aguentar a batalha dos minutos que não passam?
... destruindo os segundos que os antecedem?
De quanto consigo sonhar em sentir o teu respirar no meu ouvido?
... e o que faço se te perder?
De quanto devo confessar que és o meu alimento diário?
... ou devo passar fome porque não me alimentas?
De quanto vale a minha vida nas tuas mãos?
... ou queres simplesmente deixá-la cair?
De quanto terei de moldar as formas para que te possa criar perfeito?
... e de perfeito arrancarás a mágoa em mim?
De quanto conseguirei eu aguentar os dias sem ti, aqui junto de mim, porque estás aí, longe?
... e valerá a pena aguentar a distância?
De quanto posso exigir o melhor vento que me afaga às tuas ordens?
... esperando que esse vento não se transforme em devastação.
De quanto aguento sem vestir o meu verdadeiro papel nesta vida?
... esse vestir pode nunca chegar.
De quanto tenho de desbravar por selvas de espinhos para chegar às pétalas do teu toque?
... cuidado que as feridas dos espinhos podem nunca de curar.
De quanto mais te deixo povoar na minha mente cheia de mistérios criados por ti?
... devo ignorar esses mistérios e tratá-los como desperdícios.
De quanto tenho de matar o vazio que a tua falta me faz?
... mata a dependência para que não te seque por dentro.
De quanto material consigo criar o imenso canto que reservei para ti?
... o espaço elimina-se depressa.
De quanto precisas para me dizeres o que tanto desejas dizer e não dizes?
... conseguirei eu esperar a resposta?


domingo, 18 de abril de 2010

At This Moment

Não me canso de dizer que há canções que é paixão à primeira ouvidela ;-)
Esta é uma delas.

E ainda por cima, já sei, NESTE MOMENTO, que vou ver este senhor a cantar ao vivo no dia 2 de Novembro ;-)


Michael Bublé - At This Moment

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hoje acordei com vontade de dizer...

que me apetecia pegar na espada e desbravar batalhas só para te encontrar a meio caminho procurando-me;
que me apetecia puxar-te daí de longe para aqui de perto;
que me apetecia beijar-te devagar, muito devagar para esticar o tempo;
que me apetecia que calasses o silêncio do cansaço da minha espera;
que me apetecia hastear a bandeira da rendição para que me prendesses sem piedade nos teus braços e me acorrentasses à tua pele;
que me apetecia nadar nas tuas palavras para encontrar a ilha do seu significado;
que me apetecia perder-me com o teu olhar que me saúda todos os dias;
que me apetecia roubar-te de onde estás e capturar-te sem misericórdia nos meus lençóis;
que me apetecia fazer parte de cada respirar teu porque já fazes parte de cada pulsar meu.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Roleta russa

A luz é acesa e eu não consigo abrir os olhos. Estou encadeada com a luz.
Oiço o bater do teu coração mas sei que não estás ali.
Entraste na minha vida e roubaste-me a paz e deste-me a tua dor em troca. Fui um depósito para libertares o que te atormentava.
Sinto-me como que deitada no chão de uma sala sem saída e estou à tua mercê.
Errei em te deixar entrar.
Despejaste os teus demónios em mim e agora saíste deixando-me louca nesta sala sem saída.
Tusso.
Sufocas-me com a tua presença.
Não consigo recompor os meus sentimentos.
Não consigo fazer promessas a mim mesma.
Não consigo pensar sem me magoar.
Liberta-me!
Deixa de me atormentar a mente como se fosses uma roleta russa pronta a disparar.
Sinto tanto o cano junto à cabeça.
Respiro mas dói-me o peito.
Dói-me da dor que me deixaste e na perdição em que me abandonaste.
Escondes a porta. É tua diversão a minha procura da saída tocando em todas as paredes da sala escura.
Até parece que não queres que me liberte de ti.
Brincas comigo como uma cobaia que gostas de maltratar.
Viro-te as costas mas só encontro parede. Arranho-a para encontrar uma saída e tu regressas e ligas as luzes para me cegares.
Eu fecho os olhos e controlo-me para não te cravar as unhas.
Grito e corro contra a parede e ela treme.
Parece que cede.
Embato-me contra ela não me importando com as feridas que nascem.
Puxas a corrente que ainda me prende e eu arrasto-me em agonia sem deixar de olhar para o meu destino, fugindo de ti.
Mas antes que possas fazer algo novamente, os meus punhos derrubam aquelas paredes e apanho-te pelo pescoço.
Preso, fraco, indefeso, assustado, olhas-me nos olhos e percebes que não consegues controlar-me mais.
Aperto-te a boca com os meus dedos feridos e pergunto: E então? Quem tem a roleta russa agora?


Click...

(resposta a um desafio com o tema 'roleta russa')

terça-feira, 13 de abril de 2010

Neste dia Mundial do Beijo...

saíram-me estas frases que fui colocando no twitter...

Qual será o doce dos teus beijos? O que me faz suspirar ou o que me faz sonhar?
.
Não há maior beijo do que aquele que nunca larga a memória
.
Tremo só de sentir o teu beijo na minha pele esfomeada e recordada de ti
.
Arranquei das nuvens pedaços com que faço o beijo que te aquece o coração
.
Daria o meu olhar por um encontro infinito com o teu beijo, aquele beijo que percorre mundos para me encontrar
.
Calma... os meus beijos são só meros presentes e não o tesouro
.
Devora-me demónio que me prendes nos teus lábios em beijos que queimam
.
O beijo é o simples abrir do nosso coração
.
Beijas-me longe como se de perto fizesses o teu desejo
.
Nem as ondas do mar conseguem banhar a minha margem como tu o fazes quando largas 1 beijo em mim
.
Para muitos 1 beijo é algo banal. Para outros é um dar de um pouco de si
.
Pode chover sem água porque sei que são beijos teus
.
Toco na tua mão, sem querer, e imagino o que será beijar-te sem parar
.
Porque te quero beijar, perguntas. E porque me suplicas que o faça nesse teu olhar?
.
Não há o beijo impossível. Há o beijo nunca desejado
.
Não fales porque não te oiço. Beija-me e assim dizes-me tudo
.
Dá-me a tua mão, dá-me o teu sorriso mas nunca percas o teu beijo
.
Não me beijes para me deixares perdida sem ti
.
Por vezes o beijo mais importante acontece quando menos esperamos
.
Repete! Repete o beijo que me prometeste. Não consigo lembrar-me dele. Repete! Repete vezes sem fim...
.
Nunca receies de dar um beijo. Se não o fizeres nunca saberás a resposta
.
Vá tortura-me! Rouba-me beijos
.
Não brilhes que me ofuscas. Beija-me para brilhar como tu
.
Se fosse um beijo não perderia o calor dos teus lábios
.
O pulsar do meu coração é incontrolável perante um beijo teu
.
Procuro à volta dos teus lábios o caminho para aquele encontro inevitável do toque quente
.
se eu soubesse que um beijo meu te despertaria, não parava esta minha vontade
.
Sufoca-me com o teu beijo
.
Não me peças o beijo que não te posso dar. Simplesmente porque nunca o quiseste de inicio
.
Um beijo pode mudar um mundo... o meu mundo
.
Há momentos inevitáveis. Há encontros inevitáveis. Há beijos inevitáveis
.
Um beijo pode ser uma porta que se abre quando só se vê portas fechadas
.
Pode a terra tremer que eu não caio. Pode o furação passar que eu não voo. Mas se me beijares... eu tremo e voo
.
Espalho-me todos os dias, e tu, no teu beijo, juntas-me para não me perderes

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um beijo que demora

Debato-me com a tua imagem na minha cabeça mal acordo e não contrario o sorriso que me provocas.
Penso se te sucederá o mesmo.
A sério que penso.
Por vezes não quero acreditar no que questiono.
Quero deixar de pensar para dar certo.
Mas não consigo.
Arrancas-me atenção sem eu saber.
És um demónio angelical que me roubas vida para me dares existência régia em troca.
Sorrio porque sei que me tentas, porque sei que me desafias subtilmente usando palavras indirectas, fugidias e no entanto provocantemente reveladoras.
Quero gastar tanto de mim contigo como a água vive nos oceanos.
Pretendo roubar-te a tua intimidade para meu delírio.
Admito saquear-te o desejo e prendê-lo dentro de mim para que me procures sempre com mais apetite e avidez.
Prometo, aqui, abusar da minha criatividade para sempre te surpreender e te deixar mudo de palavras mas rico de memórias.
Comprometo-me a nunca te deixar sem um pedaço do meu pensamento.

Mas o nosso beijo demora.
Demora uma eternidade que me desespera, seca, ilude, magoa, enfraquece...
Não te posso concertar nem moldar.
Tu és como és... só tenho de saber ver-te para te ter em mim.
Queres ser o meu Nós em mim?

domingo, 11 de abril de 2010

Foto 0009

Menino,
corres atrás do tubarão como quem corre atrás de um sonho.
Menino,
não corras demais porque podes chegar primeiro que o teu brinquedo e perdes o sonho.

sábado, 10 de abril de 2010

Frases Soltas 0002

Não podemos modificar o destino, é certo., mas podemos sempre escolher que riacho nos levará ao mar. Cabe-nos decidir se nos deixamos simplesmente ir ou se fazemos paragens para descobrir novos caminhos, novas terras, novas folhas, novas pedras para levar connosco.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Maybe

Mais uma descoberta musical bem gira..

Maybe... talvez um dia... talvez um dia vá para o cimo da pilha de folhas do Destino e chegue o meu dia...

Ingrid Michaelson - Maybe

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quantos segredos cabem dentro de ti?

Naquela tarde senti-te distante. Olhavas para a janela e parecias não estar ali comigo. Aproximei-me e rodeando-te com os braços perguntei em que pensavas. Deste um leve sorriso e respondeste: 'Segredos. Que importância podem ter e que peso nos podem dar.'
Levantei os sobrolhos por pensares em tal assunto num dia tão lindo como aquele: 'Mas tu tens segredos?'. Viraste para mim e respondeste: 'E tu não tens?'
Foi a minha vez de sorrir: 'Tenho. E posso te revelar todos.' Lancei-te o meu sorriso mais maroto e acrescentei: 'Vamos fazer um jogo...'
Intrigado com a ideia, quiseste saber logo que jogo se tratava. 'Um jogo de adivinhar onde vou... tocar.', revelei.
Percebendo o teu ar de um misto de surpresa e vontade de descobrir aquela brincadeira, fui buscar um lenço escuro. Levei-te pela mão até à ponta da cama e tapei-te os olhos. Quiseste tocar-me mas eu afastei as tuas mãos dizendo: 'Não me podes tocar enquanto não me revelares o teu maior segredo'.
Ias para responder quando te calei com as palavras ao teu ouvido: Sempre que adivinhares onde te vou tocar, dir-te-ei um segredo meu.
A tua expressão alterou-se e o teu corpo começou a emitir sinais provocatórios.
Liberto-te da roupa e começo por perguntar: 'Onde te vou tocar?'. 'Peito' respondes a medo. Decepcionando-te, beijo-te no pescoço. Passo com os meus dedos pelos teus lábios quentes e pergunto de novo. Por entre respostas erradas, jogo maliciosamente com a tua ansiedade. Controlas a tremenda vontade de terminar aquele jogo e de me prenderes debaixo de ti para satisfazer a necessidade de seres tu a dominá-lo, de seres tu a explorar-me.
Sentes o meu bafo quente. Respiras forte porque adivinhas onde te vou tocar. 'E agora? Para onde vou?', pergunto com vontade de te mordiscar. E tu sem largares uma palavra mostras a resposta no erguer do teu desejo. Suavemente, acaricio-te e por entre gemidos teus sussurro-te, finalmente, ao ouvido um segredo.
E perguntas-me ofegante: 'Quantos segredos cabem dentro de ti?'
'Todos os segredos que conseguir aguentar...'. Rodeio-te, sento-me em ti, agarro-te no rosto e acrescento: '... todos que merecerem a minha confiança.
Com os lábios quase colados, retiro-te o lenço dos olhos. Espero pelo momento certo. Fixas-me com atenção e ouves-me a dizer-te olhando-te nos olhos:
'Não percebeste que o último dos teus segredos está o teu corpo a confidenciar-me neste momento?'.


(texto em resposta a um desafio com a frase "Quantos segredos cabem dentro de ti?")

terça-feira, 6 de abril de 2010

Frases Soltas 0001

As palavras são armas, escudos, gritos, silêncios, murros, beijos, raiva e sorrisos. São deliciosamente maleáveis.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Se fosse um livro infantil

No passado dia 2 de Abril foi comemorado o dia Mundial do Livro Infantil e eu, como adoro livros infantis e um dia tenho um sonho de escrever um, andei durante o dia a colocar pequenas frases no Twitter.

Juntei-as num texto e decidi colocar aqui no meu blog.

Se fosse um livro infantil nunca deixaria que a fantasia desaparecesse. Tornava-a na realidade
Se fosse um livro infantil nunca pararia as palavras para nunca parar a história
Se fosse um livro infantil queria pintar a vida só de cores alegres
Se fosse um livro infantil nunca pararia de sonhar sonhos impossíveis
Se fosse um livro infantil ensinaria a transformar folhas vazias em folhas cheias nem que fosse apenas só com uma palavra
Se fosse um livro infantil não deixava que as crianças deixassem de ser crianças
Se fosse um livro infantil nunca faltaria um herói mesmo o mais improvável
Se fosse um livro infantil deixava soltar as personagens para a vida real
Se fosse um livro infantil só oferecia dias especiais
Se fosse um livro infantil queria admirar o ar encantado de uma criança a ler-me avidamente e sonhando
Se fosse um livro infantil só brincava com as coisas boas da vida
Se fosse um livro infantil pintalgava sempre cada momento com um sorriso
Se fosse um livro infantil haveria sempre vales e nunca desertos
Se fosse um livro infantil não deixava que fechassem os olhos para chorar
Se fosse um livro infantil mostrava sempre um final feliz
Se fosse um livro infantil mostraria que o importante não se compra
Se fosse um livro infantil nunca faltaria um sorriso algures numa folha
Se fosse um livro infantil a água do rio levaria sempre vida a todos os recantos mais distantes
Se fosse um livro infantil não havia tanta fome de amor
Se fosse um livro infantil nunca me conseguiria calar perante a luta e a decisão
Se fosse um livro infantil as melodias contariam mais histórias
Se fosse um livro infantil não queria a palavra 'dor' escrita nas minhas histórias
Se fosse um livro infantil salpicava todos de pozinhos de alegria
Se fosse um livro infantil pulava todos os dias até às nuvens para lhes fazer cócegas
Se fosse um livro infantil haveria sempre uma mão estendida para nunca deixar ir quem é importante
Se fosse um livro infantil conseguia ouvir as histórias do vento
Se fosse um livro infantil ensinava que com as mãos podemos dar prendas que se sentem e nunca se esquecem
Se fosse um livro infantil ficaria feliz por ver a ternura de duas cabeças juntas a lerem as minhas palavras
Se fosse um livro infantil deixaria pintar nas folhas sem olhar às regras simplesmente seguindo a vontade
Se fosse um livro infantil deixava os cabelos terem vida para acompanharem as expressões do rosto
Se fosse um livro infantil nunca pararia de contar pequenas aventuras para ajudar as grandes aventuras da vida
Se fosse um livro infantil nunca deixaria uma criança sem um aconchego
Se fosse um livro infantil todos os habitantes da Terra saberiam juntar letras e ler
Se fosse um livro infantil poderia cair e nunca me magoar
Se fosse um livro infantil não haveria o escuro mas apenas o pouco iluminado.
Se fosse um livro infantil inventava uma fada maluca ;-)

domingo, 4 de abril de 2010

If You Wear That Velvet Dress

Deram-me a conhecer esta canção esta semana e desde então não sai da minha cabeça.
Confesso que vai buscar o meu lado sensual e naughty...
Dá mesmo vontade de vestir um vestido de cetim bem justo, provocante e provocar dançando, tocando, sussurando...



Bono & Jools Holland - If You Wear That Velvet Dress

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quero embriagar-me...

para deixar de viajar porque o que necessito está em ti
para que possa libertar o quem sou e esconder o que não desejo ser
para que pare de ser fraca e sucumbir aos teus olhares
para fugir das palavras que me massacram a cabeça
para beber a tua luxúria com sede
para despir o santo e vestir o profano
para disfarçar o tremer do medo que sinto por não te puder abraçar... ainda
para nadar até ao fundo do oceano e lá ficar até acalmar a minha paz
para cravar nos teus lábios o meu desejo
para ter coragem de te amar
para criar uma nascente de desejo que só os teus lábios podem beber
para implodir a minha alma
para acreditar que afinal existes apesar de iludida que ainda não te encontrei
para conseguir dar passos que estão difíceis de dar
para ousar bater à porta do teu coração sem ter medo da resposta
para perceber que por vezes ter força é saber pedir ajuda
para conseguir desatar os nós em ti
para enlouquecer de vez e deixar de ser sã
para que a chama da minha espada encontre o gelo da tua insegurança
para deixar de sentir o vazio que me acorda todos os dias
para semear uma seara que vai agitar-se ao teu toque
para perder os sentidos na teia dos teus braços
para correr por palácios e sempre te encontrar em cada sala, quarto e janela
para sentir o teu sabor entranhando-se em mim
para multiplicar os beijos que te dou em pensamento
para que a lentidão te traga a mim e não te deixe ter dúvidas
para limpar a terra que irás sujar com os pingos do teu suor quando me regares
Na verdade...
... quero embriagar-me para me sentir sóbria.