sexta-feira, 25 de março de 2011

Confiança

Cravo as mãos na terra molhada das minhas lágrimas,
plantando gritos silenciosos de felicidade.
Não me importo com os ecos de lástimas
que um dia enviei para longe da minha serenidade.

Aconchego-me com a manta dos teus braços carentes
e ajeito beijos que guardas no azul cristalino,
naquele céu onde jurámos, um dia, não mais ser errantes,
mas apenas duas notas certas no meigo violino.

Deposito a minha preciosa e escondida confiança
nas linhas das tuas promessas escritas,
sabendo que a mentira não mata a esperança
mas desvia o mundo de vãs desfeitas.

Olhamos brandos no mais brutal dos desejos guardados
na vontade de recuperar o tempo perdido
no presente que se fez futuro e, quase enganados,
enterramos respostas e esperas no sopro contido.

Agarrados e em silêncio choramos
deleitados com a paz que o vento do destino deu.
Deitados e na fala da alma, amamos,
cada pedaço, cada momento que é meu e teu.

2 comentários:

  1. Um belo conjunto de texto/ilustração. Uma equação a resolver com calma.
    E é isto que fica, se a inspiração partir.

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