quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pedras

Caminho levando algumas pedras comigo.
Vão no bolso do casaco.
Fazem volume mas não pesam muito.
Há dias em que sinto mais pedras, e outros, em que sinto menos.
Mas há dias em que olho para o bolso e vejo uma pedra pequena e que pesa como uma montanha.
E essa pedra não me deixa avançar.
Deixa-me presa.
Faço força com as pernas e braços e nada. Não saio do lugar.
Debato-me com a garra de avançar mas sou controlada pela incapacidade de não sair do lugar.
Olho para mim e descubro o que fazer.
Desabotoo o casaco e prossigo sem ele.
Mas depois surgem mais pedras e eu largo as calças.
Sigo em frente.
E sinto que tenho pedras no sapato e atiro-o para longe.
Nua já não tenho onde guardar pedras.
Mas sinto-as na mesma.

Há dias que por muito que puxe uma montanha, ela não se move.
Há dias que basta dar um passo decisivo e a montanha transforma-se num bater de asas de um pássaro que voa livre.

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