segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Combate


Perante a falta do que me estabiliza
sinto-me cada vez mais acorrentada a incertezas
que me envenenam o sangre que agoniza
quebrando por terra todas as minhas fortalezas.

Tempos inglórios estes que nos massacram
deixando a alma simplesmente dorida,
num turbilhão de ventos que nos devoram
para nos deixarem cruelmente a vida sofrida.

Estou perdidamente seca de mim,
seca da esperança que me vestiu um dia.
Resta-me encontrar um fim
para não cair na falsa covardia.

Preciso abrir a janela da prisão
a que a minha mente me obrigou.
Tenho como consolo uma vil solidão
que o teu fascinante amor ainda não desligou.

Estou no meio de um combate desigual
daqueles que de horrores fedem
sem nunca haver memória igual
de tais coisas que me pedem.

Adormecida num monte de espera
carrego um fardo pesado demais.
Largo lágrimas que nem a confiança supera
para depois cair em dúvidas abismais.

Sonho queimar a chuva de injustiça,
combater a ainda... a ainda... medonha espera,
olhando para o teu olhar que me atiça,
que a minha alma arruinada recupera.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Meada


Pode uma meada cortar o medo
na estrada do frio perdido,
deixando a mágoa do fino dedo
segura no futuro ido?

Pode uma meada abraçar o desconforto
na língua de um sufocado grito,
alimentando a revolta do olhar morto
envolto em mármore escrito?

Pode uma meada prender a alma
na sala vazia da decisão,
criando o fardo da palavra calma
no arrasto do egoísmo da razão?

Pode uma meada acariciar a perda
no fogo da cega rebeldia,
acalmando o repúdio que deserda
a dança da esperança baldia?