domingo, 30 de outubro de 2011

Uma pergunta para pensar - 00060

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Estou cansada

Estou cansada da solidão.
Estou cansada das saudades.
Estou cansada de borlas.
Estou cansada de esperar.
Estou cansada de esperarem que aguento tudo.
Estou cansada de estar presa.
Estou cansada de falsidade.
Estou cansada de incompetência.
Estou cansada de inventar alternativas.
Estou cansada de limpar.
Estou cansada de me sentir o vazio.
Estou cansada de não me pagarem.
Estou cansada de não ter dinheiro.
Estou cansada de não ter tempo para mim.
Estou cansada de não ter tempo.
Estou cansada de não viajar.
Estou cansada de nunca ter nada fácil.
Estou cansada de políticas.
Estou cansada de preocupações.
Estou cansada de pressão.
Estou cansada de quererem que eu erre.
Estou cansada de ser a compreensiva.
Estou cansada de ter a cabeça cansada.
Estou cansada de ter as pétalas em vez da flor.
Estou cansada de ter calma.
Estou cansada de ter de decidir por outros.
Estou cansada de ter de lutar tanto.
Estou cansada de ter de saber fazer tudo.
Estou cansada de tolerar.
Estou cansada de trabalhar tanto.
Estou cansada de tretas.
Estou cansada deste país.
Estou cansada do peso das pedras.

Estou cansada de aguentar tudo isto...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Já derrubaste o muro erguido.
Já levaste o medo abatido.
Já acordaste o amor adormecido.
Já sentiste o ser mais atrevido.
Já percorreste o corpo cingido.
Já recolheste o beijo amadurecido.
Já tocaste o cálice aquecido.
Já limpaste o choro comovido.
Já ouviste o lamento arrependido.
Já selaste o momento comprometido.
Já arrepiaste no instante concebido.
Já alimentaste o medo absorvido.
Já mergulhaste no significado aprendido.
Já escutaste o desejo contido.
Já ordenaste o pecado cumprido.
Já massajaste o prazer enlouquecido.
Já cedeste ao amor dorido.
Já aconchegaste o grito despido.
Já corrompeste o coração desfalecido.
Já roubaste o amor nutrido.
Já enganaste o sentido seduzido.
Já manipulaste o peito proibido.
Já adoraste o desenho do suspiro correspondido.
Já cativaste o olhar escondido.
Já puxaste o silêncio resolvido.
Já enxotaste o escuro intrometido.
Já furtaste o sinal entristecido.
Já perdoaste o erro foragido.
Já guardaste o presente detido.
Já lutaste pelo sim banido.
Já cheiraste o tremor ofendido.
Já sussurraste o segredo preferido.
Já gemeste no sonho pervertido.
Já reinaste no castelo rendido.
Já bebeste o suco desconhecido.
Já sacrificaste o juramento vencido.
Já entendeste o que tens perdido.
Já percebeste o que tens fortalecido?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Incertezas deliciosas


Há incertezas deliciosas...
temperos perfeitos das certezas de dias iguais.
Há incertezas deliciosas...
nos instantes de um amor descoberto novamente.
Há incertezas deliciosas...
na espera que nos traz o acelerar das sensações adormecidas.
Há incertezas deliciosas...
no instante supremo de um beijo perfeito há muito desejado.
Há incertezas deliciosas...
nos passos no escuro que nos levam ao despertar dos sentidos do prazer.
Há incertezas deliciosas...
no fechar de olhos de um amor que se faz em dois corpos sedentos.
Há incertezas deliciosas...
quando inicio a escrita de palavras que começam a viver nas esquinas de uma folha.
Há incertezas deliciosas...
quando olhamos para o céu onde as nuvens rebeldes criam adivinhas.
Há incertezas deliciosas...
quando simplesmente começamos a viver.
Há incertezas deliciosas...
no mistério do olhar de quem na certeza amamos e na certeza compreendemos.
Há incertezas deliciosas...
nas misturas que cozinhamos no bazar de sabores.
Há incertezas deliciosas...
em cada amigo que nos pinta a alma de curvas e rectas.
Há incertezas deliciosas...
no vestir de fantasias q criamos quando vivemos acordados
Há incertezas deliciosas...
por baixo dos lençóis onde se faz o amor que nos alimenta, que nos cura e que nos aguenta.
Há incertezas deliciosas...
no descansar de um dia perdido nos sonhos que esperamos ter de uma mente que nunca descansa.
Há incertezas deliciosas...


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Semy (Capitulo 038)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020, 021, 022, 023, 024, 025, 026, 027, 028, 029, 030, 031, 032, 033, 034, 035, 036, 037)


CAPITULO 38

Dave levou Jamie pela mão e caminhava vigorosamente sem nada dizer. Parecia querer sair dali o mais depressa possível. Gritava com os passos que dava nas ruas que o levaram para fora das muralhas da cidade. Jamie tremia por dentro nos seus pensamentos. Não sabia o que pensar só sabia que o medo nascera de novo.
Passaram pelo portal da fortaleza e junto a um rochedo Dave abraçou-a fortemente e gritou o que a fez chorar.
- Calma...
- Não queria que me vissem assim. - Encostando testas, Dave não evitou o choro. - Não te posso perder. Não consigo imaginar-me sem ti.
- Eu também estou com medo! Muito!! - Jamie acariciou-o no rosto. - Eu estou aqui e sempre estarei. Ele não nos vai conseguir afastar. Vamos enfrentá-lo juntos. Sem medo.
- Nunca me senti não frágil... tão impotente...
- Tu estás forte. Tu é que ainda não o sentes.
- Mas porque terão os senhores do Além Real feito tal pedido? Será por eu ter quebrado a jura que fiz a meu pai?
- Não sei, Dave, não sei. Não pode ter sido isso.
Dave afastou-se e levando as mãos à cabeça disse:
- Não sei o que pensar. Não consigo pensar. Isto é macabro demais!!!
- Imagino o que Wise Sage não sofreu ao obedecer à ordem. Agora entendo porque pediu perdão. Meu querido Wise...
- Iremos sentir a fúria desmedida desse... desse monstro que não consigo chamar de irmão. Tenho a certeza que a ira de Dan não diminuiu. Muito pelo contrário... Ele será sempre o mesmo... Leo, Clive e as tuas amigas podem dormir descansados, mas nós. Não temos direito a isso. Teremos de estar sempre alerta.
- Eu não mudei, Dave.
- Sim, eu sei. Eu sei. Não conseguiria viver ao lado de uma mulher desconhecida com o rosto da minha querida Jamie. Aposto em como Wise Sage sabia disso. Ele deu-me de volta a minha mulher. Ele deu-me de volta a minha adorada Jamie.
- E se eu mudar?
Dave olhou-a intrigado e nada respondeu.
- Vais abandonar-me?
- Não.
- Vais rejeitar-me?
- Não. Não. Teria de aprender a amar a criatura que vivia junto a mim.
- E se nunca o conseguisses?
- Mas porquê tantas perguntas?
- Curiosidade... Medo...
- Jamie, tu sabes bem a resposta a tudo que estás para aí a pensar.
Jamie baixou o rosto para o levantar contendo o choro.
- Preciso de ter a certeza. - respondeu em voz trémula. - Preciso. Não quero enfrentar os próximos dias sem o reconforto do teu amor, sem saber se ainda me queres.
- Jamie, eu preciso de ti.
- Eu sou uma ameaça para ti.
- Que disparate é esse agora?
- Sou alvo do desejo de Tolos e isso pode matar-te.
- Antes mato-o eu!!
- Porque é que temos de viver este sufoco? Porquê?
- Não sei! A população de Semy vai acabar por saber que a guerra ainda não acabou.
- E algum dia acabará?
- Só quando ele foi eliminado.
Jamie olhou bem nos olhos de Dave e disse:
- E se isso nunca acontecer? E se isso não for possível?
Dave abraçou-a em silêncio. Não queria pensar em tal hipótese.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Salpicos



Caminhamos juntos naquela rua abandonada. Os prédios reluzem com os pingos da chuva. Estruturas solitárias que clamam por atenção e que nos observam isolando-nos de tudo.
Por momentos, senti-me tão longe dali, tão segura...
Olhei para ti e sorri.
Percebeste que aquele sorriso não era comum.
"- O que estás pensar?" perguntaste intrigado e segurando-me na mão.
Olhei-te nos olhos e levantei o sobrolho cobrindo-te de expectativa.
Desviei a atenção para uma poça brilhante no meio do caminho.
Olhei-te de lado e de novo para a água.
Aproximei-me devagar e sem receio pisei o começo da água.
Retirei o pé e não controlando o calor que crescia dentro de mim, toquei-a outra e outra vez.
Devagar.
Muito devagar, quase a medo.
Virei-me para ti e sem perder aquele sorriso lascivo, comecei a mexer os pés acariciando cada pinga que me tocava.
Bati.
Bati com força e a água salpicou, tocando-me como tu me tocas...devoradora.
Tentaste dizer algo mas eu não te deixei.
Rodopiei, saltei cada vez mais. Toquei-me.
As gotas, sedentas, agarraram-se à minha roupa despindo-me.
Ciumento, enfurecido, puxas-me para ti. Mas quando ias beijar-me, sentes frios salpicos.
Miras-me em silêncio e deixas que a chuva te molhe e seduza a pele do rosto.
Adivinhas o que penso de tão bem me conheceres.
Admiras uma gota que perigosamente passa no canto dos meus lábios e, sem aguentares mais, beijas-me sequioso.
O toque atrevido e invasor leva-me a puxar-te para mim ainda mais.
E tu, sem dares tempo para o meu respirar, puxas-me contra uma parede discreta e semi-obscura. Permites que um raio de luz percorra o meu peito de roupas coladas, molhadas, provocadas.
Tocas a medo...
tocas dominador... no corpo que descobres outra e outra vez.
Usas as gotas como chicote de prazeres da roupa que libertas.
Usas o calor como aconchego do teu desejo nas esperas de outros beijos.
Rendida, naufrago no mar de arrebatamento, colo-me a ti deslizando como a água que nos enfeitiçou. Cantamos nos gemidos que a chuva acompanha nos pingos que salpicam em cada gesto que inventámos para mimar aquele momento.
Largamos gotas de satisfação e sorrimos quando tocamos o céu e paramos o tempo numa nova memória do que fizemos, ali...
despreocupados...
abundantes...
loucos...
Foram salpicos de gotas que nos tornaram cativos de uma arrebatadora vontade de descontrolo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Frase solta

O encantamento é o estado mais puro da alma.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Escrevo

Escrevo linhas que queimam o alivio no limiar da agonia serena que comanda a minha mão rendida aos caprichos de uma mente ditadora.

Escrevo palavras que limpam uma boca calada pelos gritos do silêncio que veda guerreiro um coração que explode em cores livres de uma vontade perfeitamente insana.

Escrevo histórias como rios desencantados com as margens que o oprimem numa correia que irrompe por terras novas na procura da descoberta já sentida.

Escrevo loucuras como uma veia perdida num corpo que não é meu mas é nosso numa busca do fogo que me liberta e aprisiona num lamento claro e distante que se esvai no teu beijo.

Escrevo segredos que me criticam e acariciam nesta busca do nosso lugar no canto de um vale que decidimos florir com o que só nós entendemos num misto de solidão e perdição no excessivo desejo do nosso laço.

Escrevo sem saber o que escrever...