Tenho 44 anos.
Sou da geração que vai levar com a crise todos os anos.
Sou da geração que não vai saber se vai ter subsidios a que tem direito pq sempre pagou os seus impostos.
Sou da geração que não vai ter reforma quando chegar a altura de a ter.
Sou da geração que vai ter de pagar e bem pelos cuidados de saude.
Sou da geração que vai levar com tudo em cima e ter de aguentar calada.
Sou da geração que vai explodir um dia.
Sou da geração que está quase a dizer BASTA.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Semy (Capitulo 034)
(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020, 021, 022, 023, 024, 025, 026, 027, 028, 029, 030, 031, 032, 033)
Aclamados com alegria pelo povo de Semy, o grupo entrou na cidade. Porém, ao repararem na expressão do rosto dos Elmer perceberam que algo de desagradável tinha acontecido. À medida que a carroça passava pelos muitos habitantes, a alegria dava lugar à preocupação e pesar. A maioria juntou-se aos escravos que vinham mais atrás. Queriam saber se Jamie sobreviveria perante tão grave ferimento.
Quando Wise Sage soube da triste notícia, correu para o castelo o mais depressa que o seu corpo poderia proporcionar. E chegou ao quarto de Dave onde Jamie repousava sobre a cama. Mal surgiu no aposento onde estavam também os irmãos, as duas amigas, Clive e Lann, aproximou-se da cama com a jovem adormecida. Apesar de tudo, parecia tranquila. Era como se nada tivesse acontecido, como se de um pesadelo se tratasse e acabasse por despertar, viva e saudável. Mas Wise percebeu a gravidade do ferimento e conseguiu controlar o choque daquela surpresa desagradável para não preocupar mais Dave.
Dave caminhava de um lado para o outro sem tirar as mãos da cabeça, desesperado. Assim que Wise Sage começou a observá-la, juntou-se a ele.
- Tenho de retirar a seta. Preciso de panos e de muita água quente. Chamem o Jullien. Ele saberá do que mais necessito. Ela não pode morrer... Não pode... E eu que não consegui evitar...
- Já estão a tratar disso. Eu vou chamar o Jullien. - disse Lann a sair do quarto emocionado.
- Só de pensar que a seta era para mim... Não é justo. - declarou Dave despenteado e ainda sujo do combate. - Sinto mais dor sem ter ferida... AHHHhhhh! Não quero perdê-la! Não posso perdê-la!!! Salve-a, Wise Sage. Jamie não pode morrer!
Sentou-se aos pés da enorme cama e uma lágrima teimou em sair do olho azul claro. Dave não a deixou denunciar o seu desgosto. Limpou-a com a manga e olhou para Jamie.
- A culpa não foi tua. Saiam todos. Preciso ficar a sós com ela. - pediu o sábio enquanto que Lann e Jullien colocavam todos os objectos pedidos em volta do leito. - Todos! Dave, tu também.
- Não! Eu vou ficar.
- Lann, leva-o, por favor.
- Não sairei daqui!
- Não há tempo para discutir!! SAI! Queres palavras ou a Jamie viva? Decide!
Um por um, todos abandonaram o quarto deixando apenas os dois no aposento.
Wise Sage virou cuidadosamente Jamie de barriga para baixo e rasgou o seu traje claro na zona da ferida. Limpou-a muito bem e concentrou-se para retirar a seta. As suas mãos enrugadas pelo tempo nunca tinham tremido assim. Precisava controlá-las, senão, só iria prejudicar Jamie. Fechou os olhos e respirou fundo. Limpou o suor do rosto e preparou-se. Emocionado, puxou rapidamente a seta o que fez com que Jamie despertasse e desse um grito de dor.
Na sala, quando ouviram o grito, fecharam os olhos. Os de Dave mantiveram-se bem abertos e imóveis em direcção à porta parcialmente oculta por detrás da tapeçaria. Sem aguentar mais, dirigiu-se para a porta. Não chegou a entrar porque foi seguro por Leo e Lann que o afastaram.
- Calma, minha querida. Já passou... - pediu Wise pegando na mão de Jamie.
Com Jamie a chorar, Wise Sage fez os últimos tratamentos. Virou-a e limpou o suor que lhe escorria na testa. Numa calma suavidade, apagou o rasto das lágrimas do rosto que sofria. Acariciou-lhe o rosto e disse-lhe algumas palavras que reconfortaram a jovem mulher. Jamie enrugava a fronte com as dores que surgiam de repente. Mas mesmo assim ainda sorriu para Wise Sage.
- Foi isto... que viu... numa... das suas... visões... não foi?
- Tolice! Não tenho assim tantos poderes!
- Mentir... nunca... foi o... seu... forte...
- De início, irá doer muito, mas com o tempo acabarás por ficar boa.
- Tempo...
- Não faças esforços. Não fales. Repousa. Vou chamar os teus amigos. - pediu o feiticeiro a tentar por tudo disfarçar a sua emoção.
Ela respondeu com um abanar de cabeça. Wise levantou-se e caminhou devagar para a porta. Abriu-a e desviou a tapeçaria. Dave surgiu logo à sua frente.
- Então? - inquiriu curioso enquanto o velho senhor fechava a porta. - Quero vê-la!!!
- Alto!
- Quero vê-la!
- Já nada mais posso fazer. Cheguei tarde demais. Ela perdeu muito sangue e... a seta atingiu-lhe fatalmente. Admiro-me como conseguiu sobreviver até agora. Ela está a combater a morte com todas as suas forças. Mas acabará por ceder. - respondeu colocando a mão no ombro de Dave.
As duas amigas não aguentaram o choque da notícia e choraram. Dave parecia absorto, era como se nada tivesse ouvido. Virou-se e caminhou ao longo da sala. Não sabia o que fazer. Sem Jamie nada valia a pena. Conteve um grito e a chorar deu vários murros na mesa. Libertava assim, a sua dor. Sem conseguirem resistir ao sofrimento do Elmer, Leo e Clive abraçaram-no e choraram com ele.
Wise Sage fazia um esforço enorme para não chorar. Olhou para Lann e Jullien e numa voz trémula acrescentou:
- Eu disse-lhe que iam vê-la. Por favor, não demonstrem tristeza. Jamie pensa que ficará boa. Ela não poderá saber que está a morrer. Coragem, Dave...
- Jamie não é estúpida...
- Precisam dar-lhe a confiança que necessita para acreditar na esperança da vida. Considerem com sendo o seu último pedido. Vamos... coragem. Vão vê-la. Senão, poderá ser tarde demais. Limpem essas lágrimas. Tentem fazer uma cara mais feliz.
Um por um, entraram no quarto. Quando todos se encontravam no interior do aposento, Wise Sage chamou Jullien que se mantivera por perto como fora recomendado por ele.
- Jullien, meu caro sobrinho, tenho algo muito importante para te comunicar. - declarou muito sério. - Importantíssimo mesmo. Escuta com a máxima atenção. Estás preparado?
- Sim, claro!
Jamie encontrava-se de olhos semiabertos e recebeu-os com um sorriso muito forçado.
- Jamie, porque é que foste à torre?
- Queria assistir... a tudo...
- Aquilo era só entre mim e ele! Eu disse-te que era só entre nós os dois...
- Sou... teim... osa...
- E por isso quase foste morta... És doida.
- Sim, sim... sim... quase morri...
- Meu amor, estarás boa num instante. - disse Dave de joelhos, agarrado às mãos de Jamie.
- Sim... talvez num lugar melhor que... este... de onde os veja todos...
- Não fales. Wise Sage pediu que não fizesses esforços.
- Wise Sage... Querido Dave, não me enganes mais. Eu sei... que vou morrer. Wise Sage tentou... disfarçar essa... notícia... notei nos seus olhos... Posso estar... meia adormecida... mas vejo... e... sinto o que... paira no ar...
Dave beijou as mãos da noiva e abanou negativamente a cabeça ainda despenteada.
- Ele pediu que...
- Não.
- Não digas... que não. - replicou enrugando a testa com a grande dor que sentiu no peito. - Vejo muito bem... a expressão do vosso rosto... Se pensavam que seria idiota... ao ponto de... não perceber... é porque não me conhecem. - Fechou os olhos o que afligiu Dave, mas acabou por os abrir, desta vez mais brilhantes. - Só tenho pena de uma coisa... - prosseguiu ao passar com a sua mão na cara e nos cabelos de Dave. - ... sim só de uma coisa... de não ter casado hoje contigo...
Olhou para todos e foi com um sorriso para Dave que Jamie fechou os olhos. A morte tinha-a levado.
Ao verem que tinham perdido a sua melhor amiga, Kate e Muriel choraram aos pés da cama. Dave olhava para Jamie e as suas lágrimas caíam pausadamente sobre as mãos entrelaçadas. Não queria acreditar que ela realmente tinha morrido.
Devagar, Lann entrou no quarto. Vendo a trágica morte de Jamie Mills, o fiel homem dirigiu-se para o pátio do castelo a fim de anunciar a todos os habitantes aglomerados frente ao edifício a triste notícia.
Mas no caminho foi interceptado por Wise Sage.
- Não os vás avisar ainda. Limpa essas lágrimas e espera. Darás uma outra novidade. - pediu o sábio seriamente. - Confia em mim, velho amigo. - E trocaram um aperto de mão intenso.
Wise Sage chegou ao aposento de Dave sem ninguém ter dado pela sua presença. Olhou em redor e fixou o olhar no tecto. Sentiu ainda a morte naquele quarto. Brincava com os vivos.
- Saíam imediatamente, por favor... Tenho algo muito importante para fazer. Rápido, rápido!
- O que é que tem a fazer? Foi o próprio a dizer que não poderia fazer mais nada... - inquiriu Dave furioso. - Não conseguiu salvar a minha preciosidade! E disse-me que ela seria algo bom na minha vida! Não durou muito!
- Sai imediatamente, Dave Elmer! É uma ordem que te dou. Tenho de arranjá-la para as cerimónias fúnebres. Levem-no daqui. Senão... poderá ser tarde. Levem-no! Depressa!
- Tarde para quê? Ela está morta!!
- SAI!!
Leo levou-o para a sala e Wise Sage ficou sozinho no aposento.
Aproximou-se do leito e observou o rosto de Jamie.
Despiu o roupão e, de túnica escura, sentou-se ao lado de Jamie. Pegou nas suas mãos pálidas ainda com um fino calor.
- Que a minha memória não me atraiçoe! Que o meu poder se una!
Começou a pronunciar palavras numa língua desconhecida. Fechou os olhos e continuou a falar. Sem demora, uma luz azul surgiu do interior do seu peito. Lentamente, espalhou-se pelo corpo. Uma auréola brilhante e bela, rodeava-o. Em seguida, prosseguiu entrando no corpo de Jamie.
O tempo passava e Wise Sage não parava de falar.
Os dois corpos já se encontravam totalmente circundados por aquela brilhante e magnífica luz azul.
CAPITULO 34
Aclamados com alegria pelo povo de Semy, o grupo entrou na cidade. Porém, ao repararem na expressão do rosto dos Elmer perceberam que algo de desagradável tinha acontecido. À medida que a carroça passava pelos muitos habitantes, a alegria dava lugar à preocupação e pesar. A maioria juntou-se aos escravos que vinham mais atrás. Queriam saber se Jamie sobreviveria perante tão grave ferimento.
Quando Wise Sage soube da triste notícia, correu para o castelo o mais depressa que o seu corpo poderia proporcionar. E chegou ao quarto de Dave onde Jamie repousava sobre a cama. Mal surgiu no aposento onde estavam também os irmãos, as duas amigas, Clive e Lann, aproximou-se da cama com a jovem adormecida. Apesar de tudo, parecia tranquila. Era como se nada tivesse acontecido, como se de um pesadelo se tratasse e acabasse por despertar, viva e saudável. Mas Wise percebeu a gravidade do ferimento e conseguiu controlar o choque daquela surpresa desagradável para não preocupar mais Dave.
Dave caminhava de um lado para o outro sem tirar as mãos da cabeça, desesperado. Assim que Wise Sage começou a observá-la, juntou-se a ele.
- Tenho de retirar a seta. Preciso de panos e de muita água quente. Chamem o Jullien. Ele saberá do que mais necessito. Ela não pode morrer... Não pode... E eu que não consegui evitar...
- Já estão a tratar disso. Eu vou chamar o Jullien. - disse Lann a sair do quarto emocionado.
- Só de pensar que a seta era para mim... Não é justo. - declarou Dave despenteado e ainda sujo do combate. - Sinto mais dor sem ter ferida... AHHHhhhh! Não quero perdê-la! Não posso perdê-la!!! Salve-a, Wise Sage. Jamie não pode morrer!
Sentou-se aos pés da enorme cama e uma lágrima teimou em sair do olho azul claro. Dave não a deixou denunciar o seu desgosto. Limpou-a com a manga e olhou para Jamie.
- A culpa não foi tua. Saiam todos. Preciso ficar a sós com ela. - pediu o sábio enquanto que Lann e Jullien colocavam todos os objectos pedidos em volta do leito. - Todos! Dave, tu também.
- Não! Eu vou ficar.
- Lann, leva-o, por favor.
- Não sairei daqui!
- Não há tempo para discutir!! SAI! Queres palavras ou a Jamie viva? Decide!
Um por um, todos abandonaram o quarto deixando apenas os dois no aposento.
Wise Sage virou cuidadosamente Jamie de barriga para baixo e rasgou o seu traje claro na zona da ferida. Limpou-a muito bem e concentrou-se para retirar a seta. As suas mãos enrugadas pelo tempo nunca tinham tremido assim. Precisava controlá-las, senão, só iria prejudicar Jamie. Fechou os olhos e respirou fundo. Limpou o suor do rosto e preparou-se. Emocionado, puxou rapidamente a seta o que fez com que Jamie despertasse e desse um grito de dor.
Na sala, quando ouviram o grito, fecharam os olhos. Os de Dave mantiveram-se bem abertos e imóveis em direcção à porta parcialmente oculta por detrás da tapeçaria. Sem aguentar mais, dirigiu-se para a porta. Não chegou a entrar porque foi seguro por Leo e Lann que o afastaram.
- Calma, minha querida. Já passou... - pediu Wise pegando na mão de Jamie.
Com Jamie a chorar, Wise Sage fez os últimos tratamentos. Virou-a e limpou o suor que lhe escorria na testa. Numa calma suavidade, apagou o rasto das lágrimas do rosto que sofria. Acariciou-lhe o rosto e disse-lhe algumas palavras que reconfortaram a jovem mulher. Jamie enrugava a fronte com as dores que surgiam de repente. Mas mesmo assim ainda sorriu para Wise Sage.
- Foi isto... que viu... numa... das suas... visões... não foi?
- Tolice! Não tenho assim tantos poderes!
- Mentir... nunca... foi o... seu... forte...
- De início, irá doer muito, mas com o tempo acabarás por ficar boa.
- Tempo...
- Não faças esforços. Não fales. Repousa. Vou chamar os teus amigos. - pediu o feiticeiro a tentar por tudo disfarçar a sua emoção.
Ela respondeu com um abanar de cabeça. Wise levantou-se e caminhou devagar para a porta. Abriu-a e desviou a tapeçaria. Dave surgiu logo à sua frente.
- Então? - inquiriu curioso enquanto o velho senhor fechava a porta. - Quero vê-la!!!
- Alto!
- Quero vê-la!
- Já nada mais posso fazer. Cheguei tarde demais. Ela perdeu muito sangue e... a seta atingiu-lhe fatalmente. Admiro-me como conseguiu sobreviver até agora. Ela está a combater a morte com todas as suas forças. Mas acabará por ceder. - respondeu colocando a mão no ombro de Dave.
As duas amigas não aguentaram o choque da notícia e choraram. Dave parecia absorto, era como se nada tivesse ouvido. Virou-se e caminhou ao longo da sala. Não sabia o que fazer. Sem Jamie nada valia a pena. Conteve um grito e a chorar deu vários murros na mesa. Libertava assim, a sua dor. Sem conseguirem resistir ao sofrimento do Elmer, Leo e Clive abraçaram-no e choraram com ele.
Wise Sage fazia um esforço enorme para não chorar. Olhou para Lann e Jullien e numa voz trémula acrescentou:
- Eu disse-lhe que iam vê-la. Por favor, não demonstrem tristeza. Jamie pensa que ficará boa. Ela não poderá saber que está a morrer. Coragem, Dave...
- Jamie não é estúpida...
- Precisam dar-lhe a confiança que necessita para acreditar na esperança da vida. Considerem com sendo o seu último pedido. Vamos... coragem. Vão vê-la. Senão, poderá ser tarde demais. Limpem essas lágrimas. Tentem fazer uma cara mais feliz.
Um por um, entraram no quarto. Quando todos se encontravam no interior do aposento, Wise Sage chamou Jullien que se mantivera por perto como fora recomendado por ele.
- Jullien, meu caro sobrinho, tenho algo muito importante para te comunicar. - declarou muito sério. - Importantíssimo mesmo. Escuta com a máxima atenção. Estás preparado?
- Sim, claro!
Jamie encontrava-se de olhos semiabertos e recebeu-os com um sorriso muito forçado.
- Jamie, porque é que foste à torre?
- Queria assistir... a tudo...
- Aquilo era só entre mim e ele! Eu disse-te que era só entre nós os dois...
- Sou... teim... osa...
- E por isso quase foste morta... És doida.
- Sim, sim... sim... quase morri...
- Meu amor, estarás boa num instante. - disse Dave de joelhos, agarrado às mãos de Jamie.
- Sim... talvez num lugar melhor que... este... de onde os veja todos...
- Não fales. Wise Sage pediu que não fizesses esforços.
- Wise Sage... Querido Dave, não me enganes mais. Eu sei... que vou morrer. Wise Sage tentou... disfarçar essa... notícia... notei nos seus olhos... Posso estar... meia adormecida... mas vejo... e... sinto o que... paira no ar...
Dave beijou as mãos da noiva e abanou negativamente a cabeça ainda despenteada.
- Ele pediu que...
- Não.
- Não digas... que não. - replicou enrugando a testa com a grande dor que sentiu no peito. - Vejo muito bem... a expressão do vosso rosto... Se pensavam que seria idiota... ao ponto de... não perceber... é porque não me conhecem. - Fechou os olhos o que afligiu Dave, mas acabou por os abrir, desta vez mais brilhantes. - Só tenho pena de uma coisa... - prosseguiu ao passar com a sua mão na cara e nos cabelos de Dave. - ... sim só de uma coisa... de não ter casado hoje contigo...
Olhou para todos e foi com um sorriso para Dave que Jamie fechou os olhos. A morte tinha-a levado.
Ao verem que tinham perdido a sua melhor amiga, Kate e Muriel choraram aos pés da cama. Dave olhava para Jamie e as suas lágrimas caíam pausadamente sobre as mãos entrelaçadas. Não queria acreditar que ela realmente tinha morrido.
Devagar, Lann entrou no quarto. Vendo a trágica morte de Jamie Mills, o fiel homem dirigiu-se para o pátio do castelo a fim de anunciar a todos os habitantes aglomerados frente ao edifício a triste notícia.
Mas no caminho foi interceptado por Wise Sage.
- Não os vás avisar ainda. Limpa essas lágrimas e espera. Darás uma outra novidade. - pediu o sábio seriamente. - Confia em mim, velho amigo. - E trocaram um aperto de mão intenso.
Wise Sage chegou ao aposento de Dave sem ninguém ter dado pela sua presença. Olhou em redor e fixou o olhar no tecto. Sentiu ainda a morte naquele quarto. Brincava com os vivos.
- Saíam imediatamente, por favor... Tenho algo muito importante para fazer. Rápido, rápido!
- O que é que tem a fazer? Foi o próprio a dizer que não poderia fazer mais nada... - inquiriu Dave furioso. - Não conseguiu salvar a minha preciosidade! E disse-me que ela seria algo bom na minha vida! Não durou muito!
- Sai imediatamente, Dave Elmer! É uma ordem que te dou. Tenho de arranjá-la para as cerimónias fúnebres. Levem-no daqui. Senão... poderá ser tarde. Levem-no! Depressa!
- Tarde para quê? Ela está morta!!
- SAI!!
Leo levou-o para a sala e Wise Sage ficou sozinho no aposento.
Aproximou-se do leito e observou o rosto de Jamie.
Despiu o roupão e, de túnica escura, sentou-se ao lado de Jamie. Pegou nas suas mãos pálidas ainda com um fino calor.
- Que a minha memória não me atraiçoe! Que o meu poder se una!
Começou a pronunciar palavras numa língua desconhecida. Fechou os olhos e continuou a falar. Sem demora, uma luz azul surgiu do interior do seu peito. Lentamente, espalhou-se pelo corpo. Uma auréola brilhante e bela, rodeava-o. Em seguida, prosseguiu entrando no corpo de Jamie.
O tempo passava e Wise Sage não parava de falar.
Os dois corpos já se encontravam totalmente circundados por aquela brilhante e magnífica luz azul.
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Semy (livro)
domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Salva-me
Salva-me da montanha que me tapa de sombras.
Salva-me do braço que me rasga a força.
Salva-me do carinho que me magoa de falsidade.
Salva-me do silêncio que me chicoteia os sentidos.
Salva-me da liberdade que me tortura a mente.
Salva-me do homem que me ama sem retorno.
Salva-me do sorriso que me come sem parar.
Salva-me da onda que me deixa seca de alegria.
Salva-me das tentações que me cravam sepulturas.
Salva-me dos suspiros que me cortam o respirar.
Salva-me dos passos que me indicam o abismo.
Salva-me das palavras que me denunciam as fraquezas.
Salva-me das mãos que me aprisionam o coração.
Salva-me do perdão que me ilude nos pensamentos.
Salva-me dos olhos que me violam sem pesar.
Salva-me dos lençóis que me aprisionam lembranças.
Salva-me da pausa que me pára o avançar.
Salva-me da imagem que me cobre a razão.
Salva-me do chão que me rasga o construir.
Salva-me dos murmúrios que me serram o prazer.
Salva-me dos ventos que me oferecem sede de abundância.
Salva-me dos campos que me alimentam a crueldade.
Salva-me das gentes que me corrompem a verdade.
Salva-me da luz que me leva a cegar.
Salva-me do tempo que me adormece sem marcar.
Salva-me da espera que me afunda a minha cheia.
Salva-me do erro que me ensina a amar.
Salva-me de mim porque não quero mais pecar.
Salva-me de mim porque não quero mais lembrar.
Salva-me do braço que me rasga a força.
Salva-me do carinho que me magoa de falsidade.
Salva-me do silêncio que me chicoteia os sentidos.
Salva-me da liberdade que me tortura a mente.
Salva-me do homem que me ama sem retorno.
Salva-me do sorriso que me come sem parar.
Salva-me da onda que me deixa seca de alegria.
Salva-me das tentações que me cravam sepulturas.
Salva-me dos suspiros que me cortam o respirar.
Salva-me dos passos que me indicam o abismo.
Salva-me das palavras que me denunciam as fraquezas.
Salva-me das mãos que me aprisionam o coração.
Salva-me do perdão que me ilude nos pensamentos.
Salva-me dos olhos que me violam sem pesar.
Salva-me dos lençóis que me aprisionam lembranças.
Salva-me da pausa que me pára o avançar.
Salva-me da imagem que me cobre a razão.
Salva-me do chão que me rasga o construir.
Salva-me dos murmúrios que me serram o prazer.
Salva-me dos ventos que me oferecem sede de abundância.
Salva-me dos campos que me alimentam a crueldade.
Salva-me das gentes que me corrompem a verdade.
Salva-me da luz que me leva a cegar.
Salva-me do tempo que me adormece sem marcar.
Salva-me da espera que me afunda a minha cheia.
Salva-me do erro que me ensina a amar.
Salva-me de mim porque não quero mais pecar.
Salva-me de mim porque não quero mais lembrar.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Sementinha
Semente que escolhi colocar,
cresce forte e sem temer.
Aprende depressa a dar
muito mais que receber.
cresce forte e sem temer.
Aprende depressa a dar
muito mais que receber.
terça-feira, 21 de junho de 2011
"Da espera" com texto da Joana e foto minha
Gosto de fazer parcerias que resultam em algo especial. Obrigada Joana por me teres convidado :)
Leiam o texto 'Da Espera' da Joana Sousa e vejam a minha foto tudo na revista DP Arte Fotográfica nº 35.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Batalha bandida
O teu silêncio escreve palavras em mim,
num poema que revela a mágoa do poeta.
Imploras vagaroso pelo jogo do sentir
para que assim o teu corpo fique alerta.
Com uma piscadela de olho armas teu exercito que avança
perante a minha aparente submissa rendição.
Permito que entres nos meus poros virgens de promessas
e neles mergulhas para encontrar a cruel contradição.
Lutas e com um lenço depressa os meus olhos cobres
e conquistas os lábios cálidos que te amaldiçoam de súplicas.
Queres e não queres numa batalha vil de toques
onde espalhas tua semente fecunda que não explicas.
Fujo e atiro-te com os meus gritos de vento
num remoinho nascido de negação fingida.
Enches os braços de escudos que me sacodem
e me transformam numa mulher bandida.
Grito no escarlate ardente dos teus beijos
e clamo pelas ondas de liberdade alheia,
para a ti não retornar tão negra branda,
de tanta vontade e lembrança cheia.
Brincas com o meu desejo acorrentando-me a ti,
no invisível laço da cobiça fantasiada.
Fechamos os olhos no assinar da rendição
que nos acalma por fim a pele arrepiada.
(texto criado a partir de uma sugestão com a frase 'com uma piscadela de olho')
num poema que revela a mágoa do poeta.
Imploras vagaroso pelo jogo do sentir
para que assim o teu corpo fique alerta.
Com uma piscadela de olho armas teu exercito que avança
perante a minha aparente submissa rendição.
Permito que entres nos meus poros virgens de promessas
e neles mergulhas para encontrar a cruel contradição.
Lutas e com um lenço depressa os meus olhos cobres
e conquistas os lábios cálidos que te amaldiçoam de súplicas.
Queres e não queres numa batalha vil de toques
onde espalhas tua semente fecunda que não explicas.
Fujo e atiro-te com os meus gritos de vento
num remoinho nascido de negação fingida.
Enches os braços de escudos que me sacodem
e me transformam numa mulher bandida.
Grito no escarlate ardente dos teus beijos
e clamo pelas ondas de liberdade alheia,
para a ti não retornar tão negra branda,
de tanta vontade e lembrança cheia.
Brincas com o meu desejo acorrentando-me a ti,
no invisível laço da cobiça fantasiada.
Fechamos os olhos no assinar da rendição
que nos acalma por fim a pele arrepiada.
(texto criado a partir de uma sugestão com a frase 'com uma piscadela de olho')
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palavras
domingo, 19 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Semy (Capitulo 033)
(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020, 021, 022, 023, 024, 025, 026, 027, 028, 029, 030, 031, 032)
CAPITULO 33
Jamie deixou os dois a lutarem e conduziu os restantes ao quarto onde permaneciam as suas amigas a fim de as libertarem. Mas assim que chegaram ao corredor, repararam num grupo de guardas que se dirigiam para os aposentos de Dan Tolos. A presença dos intrusos de Semy já era do conhecimento geral. Ao encontrá-los, o confronto foi inevitável. Pairava no ar um barulho estranho que percorria todos os cantos daquele castelo. A guerra era inevitavelmente real.
Com muita rapidez e mestria na utilização das espadas, os homens de Semy afastaram os guardas que acorreram ao local. Num forte pontapé, Clive abriu a porta. Kate e Muriel encontravam-se sentadas na cama, encostadas à parede. Os rostos tristes retomaram a alegria ao vê-los. Sem demora, cortaram as cordas e retiraram os lenços. Agradecidas, abraçaram-se aos noivos e sorriram para a amiga.
- Vamos. Agora não é altura para namorarem. - afirmou Jamie ao puxar as amigas. - Temos de sair daqui!!
Com precaução, percorreram os corredores do castelo. Ao chegarem à sala onde existia a saída, depararam com um grande número de guardas. Deixando-as atrás da porta que dava para a sala, Leo, Clive e os seus homens, atacaram os muitos inimigos. As mulheres pegaram em três espadas de guardas mortos e também entraram no combate.
Foi tarefa difícil livrarem-se daqueles guerreiros. A luta estava renhida, mas ao fim de algum tempo, a vantagem dos homens de Semy começava a demonstrar-se. Os Elmer tinham perdido seis homens no combate enquanto que pelo chão ficavam espalhados muitos mortos e feridos pertencentes à guarda de Dan Tolos. O ódio e raiva de parte a parte era evidente.
Saíram do castelo e foram surpreendidos pelo espectáculo à sua frente: Todos os escravos e escravas que queriam voltar para Semy, e eram muitos, lutavam contra os guardas com as armas que arranjavam pelo caminho. Com paus, espadas, foices, lanças, punhais e objectos de barro, eliminavam pouco a pouco os seus inimigos. Leo, Clive, Jamie, Muriel, Kate e muitos outros, observaram aquelas lutas individuais durante uns segundos para depois acabarem por se juntar aos escravos amigos. Espalhados pelo pátio, os restantes homens dos irmãos Elmer lutavam com os seus mais directos opositores.
O grupo principal começou a andar pelo pátio e foi então que Kate reparou em Dave e Tolos a lutarem na torre de menagem do castelo de Nastro. Lá do alto, soavam toques violentos saídos das espadas longas e largas. Ao alertar Jamie, percebeu que esta j´qa os tinha visto.
- Estão sozinhos... Não posso ficar aqui. - disse Jamie entrando novamente no interior do castelo. - Vêm?
- O que é que vais fazer? Nós não podemos ajudar. - perguntou Muriel segurando-a.
- Eles preferem ficar sozinhos. A luta não é mais nossa.
- Aí é que te enganas. Esta luta também é minha. - afirmou Jamie prosseguindo o seu caminho.
- Espera por nós! - gritou Muriel quando já tinha desaparecido de vista.
Jamie subiu todos os degraus a grande velocidade sem nunca parar para descansar. A saia agitava-se vezes sem fim com o movimento das pernas.
A sua chegada à torre não os fez parar de lutar. Pelo contrário, estimulou-os. Quando as outras duas chegaram, a luta entre ambos era veemente. Já havia sangue a escorrer de um braço de Dan e da mão esquerda de Dave.
Dan afastou-se um pouco e olhando para Jamie provocou Dan.
- Sabes mano... temos os mesmos gostos... Amamos a mesma mulher! E sabemos bem quem é o mais forte... e esse leva o prémio!
-Cala-te! Jamie é a minha mulher!
- Não! Ainda não é...
- Tu, Dan Tolos, nunca deverias ter visto a luz do dia.
- Ohhhhhh mas que poético que ele está... - gracejou Dan dando fortes gargalhadas. Investiu com força sobre o irmão e Dave apareceu fraquejar.
- Ri... ri enquanto assistes à tua morte!
- Jamie será minha, Dave!
O som das espadas não parava de aumentar.
Um dos guardas de confiança de Dan que se encontrava no pátio, reparou na luta do seu amo e decidiu ajudá-lo. Em passos decididos e velozes entrou no castelo. Sem que ninguém se apercebesse da sua presença, o forte e pequeno guarda subiu para uma torre lateral perto do centro do castelo. Aí, preparou o arco e fez pontaria com uma seta. O seu objectivo era matar Dave Elmer. Sabia que seria recomendado se o conseguisse. Puxou a corda e logo a largou. E a seta voou livre. Porém, Jamie mudou de posição desviando-se da ponta de uma das espadas e a seta acertou-lhe no meio das costas.
Assim que sentiu a seta dentro do seu corpo soltou um forte grito de dor. Tão forte que todos que se encontravam no pátio olharam para a torre. Só nesse instante, é que os dois homens pararam de lutar. Viram uma Jamie sucumbir, cair de joelhos no chão frio e sujo. Fora de si, Dan Tolos olhou para a outra torre e viu o seu amigo a guardar o arco. Não acreditava no que tinha sucedido. Não poderia ter acontecido! "Jamie...", murmurou a largar uma lágrima. Os olhos azuis poisaram em Jamie e depois no guarda. A mão tensa, desceu até abaixo do joelho.
Dave correu rapidamente para o sítio onde Jamie se deitara de lado e abraçou-a. Aflita, Kate desceu à procura de ajuda. Pegando na mão de Jamie, Muriel chamava-a entre a ameaça de lágrimas. Jamie olhava-a sem a ver.
Quando Tolos viu que o guarda se preparava para abandonar a torre, pegou no punhal que usava no interior da bota e atirou-o com todas as suas forças. Sem esperar o gesto do seu senhor, o guarda olhou espantado para o punhal espetado no meio do peito. Andou uns metros e acabou por cair da torre. Segundos depois, já fazia parte dos cadáveres que se espalhavam pelo chão do pátio.
Vendo a sua noiva naquele estado, Dave levantou-se, pegou na espada e recomeçou a lutar com Dan Tolos, mas desta vez com muito mais veemência. Não foi necessário muito tempo para que a luta terminasse. Dan só olhava para Jamie e deixou de se proteger. Dave, num gesto rápido, espetou-lhe a espada na barriga. Todo o corpo de Tolos estremeceu. Sem piedade, Dave retirou a sua arma do interior de Dan. Este, começou a escorregar pelo muro da torre deixando uma mancha vermelha nas pedras. Apercebendo-se de que Jamie nunca seria sua e que a igualdade de forças nunca deixaria qualquer de um dos dois ganhar o combate, Dan Tolos preferiu morrer. Arriscara. Talvez se reencontrassem brevemente, num outro lugar. Brevemente... Sentia as forças de Jamie tão fracas como as suas.
- Só agora pagaste por todos os males que fizeste.
Dan não respondeu. Já não ouvia mais nada. Não queria. Toda a sua atenção estava virada para Jamie. Nada mais importava agora. Somente ela. Tolos olhou-a com os olhos a brilharem e com um sorriso nos lábios. Seria a última vez que veria o seu grande amor. Quase sem forças, Jamie também o fixava.
- Jamie... - sussurrou Dan Tolos fechando os olhos para sempre.
Dave largou a espada e abraçou-se a Jamie. Esta, olhou-o e do canto do seu olho, surgiu uma grossa lágrima. Desceu lentamente anunciando dor. E desmaiou no momento em que Leo, Clive e Kate chegaram à torre.
- Mo... morreu? - perguntou Muriel com voz trémula.
- Não. Ainda respira. Temos de a levar já para Semy. Wise Sage saberá o que fazer com ela.
- Como pôde isto acontecer? Quem a feriu???
- Levou com uma seta que era para mim... - murmurou Dave com Jamie ao colo. - A última maldade de Dan Tolos... Conseguiu atingir-me com a dor mais cruel...
Cuidadosamente, Jamie foi transportada até ao pátio do castelo. Dave olhava-a atento à espera de um sinal favorável. Nada obteve. Parecia morta. Sentiu um nó forte no coração e pediu que desimpedissem o caminho.
Os guardas de Dan Tolos tentavam perceber o que se passara no cimo da torre. Sem o seu senhor, não saberiam o que fazer. Dos guerreiros dos Elmer apenas quinze tinham morrido. Perante a notícia da morte de Dan Tolos, os seus homens renderam-se. Agora, não havia razão para prosseguirem a luta. Desorientados, poisaram as armas.
Mal chegaram com Jamie ao pátio, levantou-se um alto murmúrio. Os amigos dos Elmer observaram tudo com alguma tristeza. Muitos já conheciam o significado daquelas mulheres de cabelos escuros na vida dos senhores de Semy. Junto à entrada da torre, uma carroça esperava por eles. Dave e Leo ajudados por Muriel, colocaram Jamie sobre o pano, por cima da palha macia. Deitada de lado, Jamie encontrava-se preparada para a viagem. Todos observaram a calma com que mal vivia.
- Vive, senhor? - perguntou um dos guardas.
- Mal... - respondeu Leo.
- Porque é que não lhe tiramos a seta? Sempre ia deitada mais confortavelmente.
- Não, Kate! Perderia muito sangue. - respondeu Leo. - Tem de ir assim...
Muriel e Kate subiram para a carroça guiada por um dos guardas de Semy e nela seguiram. A pé, atrás da carroça, caminhavam os restantes guerreiros com os Elmer. No fim de tudo, os escravos que tinham escapado da luta e que queriam voltar novamente para Semy. Nem parecia que iam para um sítio melhor. A tristeza era contagiante. Compreenderam bem a importância que Jamie tinha para o principal governador da cidade.
Durante o caminho de regresso à povoação, Jamie não deu sinais de vida. Mas as amigas sabiam que vivia.
CAPITULO 33
Jamie deixou os dois a lutarem e conduziu os restantes ao quarto onde permaneciam as suas amigas a fim de as libertarem. Mas assim que chegaram ao corredor, repararam num grupo de guardas que se dirigiam para os aposentos de Dan Tolos. A presença dos intrusos de Semy já era do conhecimento geral. Ao encontrá-los, o confronto foi inevitável. Pairava no ar um barulho estranho que percorria todos os cantos daquele castelo. A guerra era inevitavelmente real.
Com muita rapidez e mestria na utilização das espadas, os homens de Semy afastaram os guardas que acorreram ao local. Num forte pontapé, Clive abriu a porta. Kate e Muriel encontravam-se sentadas na cama, encostadas à parede. Os rostos tristes retomaram a alegria ao vê-los. Sem demora, cortaram as cordas e retiraram os lenços. Agradecidas, abraçaram-se aos noivos e sorriram para a amiga.
- Vamos. Agora não é altura para namorarem. - afirmou Jamie ao puxar as amigas. - Temos de sair daqui!!
Com precaução, percorreram os corredores do castelo. Ao chegarem à sala onde existia a saída, depararam com um grande número de guardas. Deixando-as atrás da porta que dava para a sala, Leo, Clive e os seus homens, atacaram os muitos inimigos. As mulheres pegaram em três espadas de guardas mortos e também entraram no combate.
Foi tarefa difícil livrarem-se daqueles guerreiros. A luta estava renhida, mas ao fim de algum tempo, a vantagem dos homens de Semy começava a demonstrar-se. Os Elmer tinham perdido seis homens no combate enquanto que pelo chão ficavam espalhados muitos mortos e feridos pertencentes à guarda de Dan Tolos. O ódio e raiva de parte a parte era evidente.
Saíram do castelo e foram surpreendidos pelo espectáculo à sua frente: Todos os escravos e escravas que queriam voltar para Semy, e eram muitos, lutavam contra os guardas com as armas que arranjavam pelo caminho. Com paus, espadas, foices, lanças, punhais e objectos de barro, eliminavam pouco a pouco os seus inimigos. Leo, Clive, Jamie, Muriel, Kate e muitos outros, observaram aquelas lutas individuais durante uns segundos para depois acabarem por se juntar aos escravos amigos. Espalhados pelo pátio, os restantes homens dos irmãos Elmer lutavam com os seus mais directos opositores.
O grupo principal começou a andar pelo pátio e foi então que Kate reparou em Dave e Tolos a lutarem na torre de menagem do castelo de Nastro. Lá do alto, soavam toques violentos saídos das espadas longas e largas. Ao alertar Jamie, percebeu que esta j´qa os tinha visto.
- Estão sozinhos... Não posso ficar aqui. - disse Jamie entrando novamente no interior do castelo. - Vêm?
- O que é que vais fazer? Nós não podemos ajudar. - perguntou Muriel segurando-a.
- Eles preferem ficar sozinhos. A luta não é mais nossa.
- Aí é que te enganas. Esta luta também é minha. - afirmou Jamie prosseguindo o seu caminho.
- Espera por nós! - gritou Muriel quando já tinha desaparecido de vista.
Jamie subiu todos os degraus a grande velocidade sem nunca parar para descansar. A saia agitava-se vezes sem fim com o movimento das pernas.
A sua chegada à torre não os fez parar de lutar. Pelo contrário, estimulou-os. Quando as outras duas chegaram, a luta entre ambos era veemente. Já havia sangue a escorrer de um braço de Dan e da mão esquerda de Dave.
Dan afastou-se um pouco e olhando para Jamie provocou Dan.
- Sabes mano... temos os mesmos gostos... Amamos a mesma mulher! E sabemos bem quem é o mais forte... e esse leva o prémio!
-Cala-te! Jamie é a minha mulher!
- Não! Ainda não é...
- Tu, Dan Tolos, nunca deverias ter visto a luz do dia.
- Ohhhhhh mas que poético que ele está... - gracejou Dan dando fortes gargalhadas. Investiu com força sobre o irmão e Dave apareceu fraquejar.
- Ri... ri enquanto assistes à tua morte!
- Jamie será minha, Dave!
O som das espadas não parava de aumentar.
Um dos guardas de confiança de Dan que se encontrava no pátio, reparou na luta do seu amo e decidiu ajudá-lo. Em passos decididos e velozes entrou no castelo. Sem que ninguém se apercebesse da sua presença, o forte e pequeno guarda subiu para uma torre lateral perto do centro do castelo. Aí, preparou o arco e fez pontaria com uma seta. O seu objectivo era matar Dave Elmer. Sabia que seria recomendado se o conseguisse. Puxou a corda e logo a largou. E a seta voou livre. Porém, Jamie mudou de posição desviando-se da ponta de uma das espadas e a seta acertou-lhe no meio das costas.
Assim que sentiu a seta dentro do seu corpo soltou um forte grito de dor. Tão forte que todos que se encontravam no pátio olharam para a torre. Só nesse instante, é que os dois homens pararam de lutar. Viram uma Jamie sucumbir, cair de joelhos no chão frio e sujo. Fora de si, Dan Tolos olhou para a outra torre e viu o seu amigo a guardar o arco. Não acreditava no que tinha sucedido. Não poderia ter acontecido! "Jamie...", murmurou a largar uma lágrima. Os olhos azuis poisaram em Jamie e depois no guarda. A mão tensa, desceu até abaixo do joelho.
Dave correu rapidamente para o sítio onde Jamie se deitara de lado e abraçou-a. Aflita, Kate desceu à procura de ajuda. Pegando na mão de Jamie, Muriel chamava-a entre a ameaça de lágrimas. Jamie olhava-a sem a ver.
Quando Tolos viu que o guarda se preparava para abandonar a torre, pegou no punhal que usava no interior da bota e atirou-o com todas as suas forças. Sem esperar o gesto do seu senhor, o guarda olhou espantado para o punhal espetado no meio do peito. Andou uns metros e acabou por cair da torre. Segundos depois, já fazia parte dos cadáveres que se espalhavam pelo chão do pátio.
Vendo a sua noiva naquele estado, Dave levantou-se, pegou na espada e recomeçou a lutar com Dan Tolos, mas desta vez com muito mais veemência. Não foi necessário muito tempo para que a luta terminasse. Dan só olhava para Jamie e deixou de se proteger. Dave, num gesto rápido, espetou-lhe a espada na barriga. Todo o corpo de Tolos estremeceu. Sem piedade, Dave retirou a sua arma do interior de Dan. Este, começou a escorregar pelo muro da torre deixando uma mancha vermelha nas pedras. Apercebendo-se de que Jamie nunca seria sua e que a igualdade de forças nunca deixaria qualquer de um dos dois ganhar o combate, Dan Tolos preferiu morrer. Arriscara. Talvez se reencontrassem brevemente, num outro lugar. Brevemente... Sentia as forças de Jamie tão fracas como as suas.
- Só agora pagaste por todos os males que fizeste.
Dan não respondeu. Já não ouvia mais nada. Não queria. Toda a sua atenção estava virada para Jamie. Nada mais importava agora. Somente ela. Tolos olhou-a com os olhos a brilharem e com um sorriso nos lábios. Seria a última vez que veria o seu grande amor. Quase sem forças, Jamie também o fixava.
- Jamie... - sussurrou Dan Tolos fechando os olhos para sempre.
Dave largou a espada e abraçou-se a Jamie. Esta, olhou-o e do canto do seu olho, surgiu uma grossa lágrima. Desceu lentamente anunciando dor. E desmaiou no momento em que Leo, Clive e Kate chegaram à torre.
- Mo... morreu? - perguntou Muriel com voz trémula.
- Não. Ainda respira. Temos de a levar já para Semy. Wise Sage saberá o que fazer com ela.
- Como pôde isto acontecer? Quem a feriu???
- Levou com uma seta que era para mim... - murmurou Dave com Jamie ao colo. - A última maldade de Dan Tolos... Conseguiu atingir-me com a dor mais cruel...
Cuidadosamente, Jamie foi transportada até ao pátio do castelo. Dave olhava-a atento à espera de um sinal favorável. Nada obteve. Parecia morta. Sentiu um nó forte no coração e pediu que desimpedissem o caminho.
Os guardas de Dan Tolos tentavam perceber o que se passara no cimo da torre. Sem o seu senhor, não saberiam o que fazer. Dos guerreiros dos Elmer apenas quinze tinham morrido. Perante a notícia da morte de Dan Tolos, os seus homens renderam-se. Agora, não havia razão para prosseguirem a luta. Desorientados, poisaram as armas.
Mal chegaram com Jamie ao pátio, levantou-se um alto murmúrio. Os amigos dos Elmer observaram tudo com alguma tristeza. Muitos já conheciam o significado daquelas mulheres de cabelos escuros na vida dos senhores de Semy. Junto à entrada da torre, uma carroça esperava por eles. Dave e Leo ajudados por Muriel, colocaram Jamie sobre o pano, por cima da palha macia. Deitada de lado, Jamie encontrava-se preparada para a viagem. Todos observaram a calma com que mal vivia.
- Vive, senhor? - perguntou um dos guardas.
- Mal... - respondeu Leo.
- Porque é que não lhe tiramos a seta? Sempre ia deitada mais confortavelmente.
- Não, Kate! Perderia muito sangue. - respondeu Leo. - Tem de ir assim...
Muriel e Kate subiram para a carroça guiada por um dos guardas de Semy e nela seguiram. A pé, atrás da carroça, caminhavam os restantes guerreiros com os Elmer. No fim de tudo, os escravos que tinham escapado da luta e que queriam voltar novamente para Semy. Nem parecia que iam para um sítio melhor. A tristeza era contagiante. Compreenderam bem a importância que Jamie tinha para o principal governador da cidade.
Durante o caminho de regresso à povoação, Jamie não deu sinais de vida. Mas as amigas sabiam que vivia.
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Semy (livro)
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mentiras
Porque sou assim idiota por acreditar
nas palavras falsas que me entregam.
Serei eu cofre de enganos
ou simplesmente me menosprezam?
Cada vez mais questiono baralhada
o que farei de futuro.
Se me fecho no profundo silêncio
ou se me cubro de coração duro.
Odeio cada cruel mentira
como a carne que morre na lamina de punhais.
Choro cada ilusão descoberta
como pedaços de alma que voam demais.
Repouso fraca no cedo recolher
porque por momentos vivo perdida.
Busco no mais profundo do meu ser
a grandiosa força desmedida.
Porque sinto eu tamanha desilusão
por quem só desprezo devia ter.
Serei eu estupidamente piedosa
por ainda estas palavras escrever.
nas palavras falsas que me entregam.
Serei eu cofre de enganos
ou simplesmente me menosprezam?
Cada vez mais questiono baralhada
o que farei de futuro.
Se me fecho no profundo silêncio
ou se me cubro de coração duro.
Odeio cada cruel mentira
como a carne que morre na lamina de punhais.
Choro cada ilusão descoberta
como pedaços de alma que voam demais.
Repouso fraca no cedo recolher
porque por momentos vivo perdida.
Busco no mais profundo do meu ser
a grandiosa força desmedida.
Porque sinto eu tamanha desilusão
por quem só desprezo devia ter.
Serei eu estupidamente piedosa
por ainda estas palavras escrever.
domingo, 12 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Uma pausa breve...
Meus amores, vou tirar uns dias para descansar a cabeça.
Tenho de recuperar as forças para a inspiração voltar em pleno à escrita e desenho.
Tenho de recuperar as forças para a inspiração voltar em pleno à escrita e desenho.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Foto 0021
Porque será o fogo um sinal de prece?
Porque será o fogo um sinal de esperança?
Porque será o fogo um sinal de cura?
Porque será o fogo um sinal de amor?
Porque será o fogo um sinal de esperança?
Porque será o fogo um sinal de cura?
Porque será o fogo um sinal de amor?
domingo, 5 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Onda vermelha
Aqui estou.
O teu som acalma o meu pensar,
em cada manhã que eu acordar.
Gigante abraço com que me agracias,
mar rico de cores que me fascinas.
Aqui estou.
Nesta parte de mim que de ti não se desliga,
numa ligação carente e antiga.
Ondulas numa dança que me pinta,
e no teu desenhar, queres que bem me sinta.
Aqui estou.
Perdoa-me por te abandonar quando não te preciso,
porque fico fraco e seduzido pelo mundo indeciso.
Choro desalmadamente no meu interior escondido,
e em jogos de ilusão fico perdidamente ardido.
Aqui estou.
Aberto, aturdido, casto dos prazeres,
és tu que fazes de mim os teus preciosos beberes.
Sou bandido e santo mas no vício em ti agarro,
como devoto que pede o perdão em cada pecado que amarro.
Aqui estou.
Limpo-me nas tuas águas como gotas de gritos,
que a alma não consegue em desejos perfeitos.
Alimento-me dos teus sons ondulantes,
aqueles que me vestem de nus esvoaçantes.
Aqui estou.
O mar levou-me numa onda vermelha,
cor de sangue, cor do desejo que se ajoelha.
Boémio, continuo a seduzir-te, mar imenso,
que me desfazes neste calor intenso.
(texto criado a partir de uma sugestão com a frase 'e o mar me levou numa onda vermelha')
O teu som acalma o meu pensar,
em cada manhã que eu acordar.
Gigante abraço com que me agracias,
mar rico de cores que me fascinas.
Aqui estou.
Nesta parte de mim que de ti não se desliga,
numa ligação carente e antiga.
Ondulas numa dança que me pinta,
e no teu desenhar, queres que bem me sinta.
Aqui estou.
Perdoa-me por te abandonar quando não te preciso,
porque fico fraco e seduzido pelo mundo indeciso.
Choro desalmadamente no meu interior escondido,
e em jogos de ilusão fico perdidamente ardido.
Aqui estou.
Aberto, aturdido, casto dos prazeres,
és tu que fazes de mim os teus preciosos beberes.
Sou bandido e santo mas no vício em ti agarro,
como devoto que pede o perdão em cada pecado que amarro.
Aqui estou.
Limpo-me nas tuas águas como gotas de gritos,
que a alma não consegue em desejos perfeitos.
Alimento-me dos teus sons ondulantes,
aqueles que me vestem de nus esvoaçantes.
Aqui estou.
O mar levou-me numa onda vermelha,
cor de sangue, cor do desejo que se ajoelha.
Boémio, continuo a seduzir-te, mar imenso,
que me desfazes neste calor intenso.
(texto criado a partir de uma sugestão com a frase 'e o mar me levou numa onda vermelha')
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Semy (Capitulo 032)
(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020, 021, 022, 023, 024, 025, 026, 027, 028, 029, 030, 031)
Quando chegou ao seu castelo, depois do rapto, Dan nada lhes fez. Fechou-as num quarto e deixando-as amarradas, colocou-as sobre uma cama. Apesar do medo, acabaram por fechar os olhos. A escuridão do local assim aconselhava. Mas nenhuma delas conseguiu dormir.
Aos primeiros raios do novo dia despertaram da calma com o abrir da porta. A grande figura de Dan Tolos surgiu no seu limiar. Por momentos, fixou os olhos tristes de Jamie que demonstravam bem o receio que sentia naquele momento. Pegou nela ao colo e desapareceu do pequeno quarto. As outras duas tentaram novamente desapertar as cordas que as prendiam mas sem sucesso. Começaram a chorar; não sabiam o que ele iria fazer com a sua amiga e, assim presas, não a poderiam ajudar.
Com calma, Tolos levou-a para os seus aposentos. Eram, em muitos aspectos, semelhantes aos dos existentes no castelo de Semy acrescidos de uma excessiva riqueza. Havia mesas espalhadas por todo o lado, uma cama larga com dossel e algumas tapeçarias de pequeno volume penduradas nas paredes.
Apesar dos safanões que Jamie lhe infringia, Dan sentou-a com suavidade numa enorme cadeira e afastou-se para fechar a porta. Enquanto a fechava, Jamie saltou para o chão numa tentativa de chegar à espada em cima da mesa mais perto. Dan trancou bem a porta. Pelo canto do olho apercebeu-se de que Jamie observava todos os seus movimentos. Talvez não os quisesse esconder dela. Virou-se e viu-a no chão a rastejar. Mais uma vez, não tirou os olhos da morena que tanto o fascinava. Jamie parou e sentiu algo nos seus olhos que não conseguiu desvendar. Oferecia-lhe uma misteriosa sensação de que ficaria para sempre ligada aquele homem belo, mas detestável. Tolos aproximou-se e sentou-a de novo na cadeira. Ajoelhou-se e junto dos pés nus de Jamie acariciou-os. Retirou-lhe o lenço que a impossibilitava de falar e, ao sentir a boca livre, Jamie resmungou desesperada:
- Maldito! Maldito sejas!
Tolos sorriu.
- Que bom ouvir novamente a tua doce voz, minha querida. - afirmou olhando-a bem nos olhos a pouca distância.
- Porque é que não me deixas em paz? Tens tantas outras escravas para teu belo prazer...
Dan Tolos sorriu.
- Porquê?
- Porquê? Qual é a razão de um homem querer loucamente uma mulher que o despreza?
O silêncio pairou no quarto. Jamie franziu a testa e desviou o olhar. Tolos pegou no seu queixo e fê-la olhar para si.
- Estou à espera que me respondas.
- Não sei... não sei a resposta... Não quero saber a resposta!
- Não queres? - E passou com o polegar pelos lábios de Jamie. Esta desviou a cara. - O que sinto dentro de mim é bem explicável. Cresce dia para dia, um desejo intenso e incontrolável de te possuir, mulher! Vivo a sentir uma estranha atracção por ti. Desconheço como apareceste em Semy, o que ainda aumenta o teu fascínio. És diferente... muito diferente... em tudo... Ahhh esse teu olhar poderoso, tão característico, deixa-me louco! Começo a entendê-lo. Está a deixar de ser enigmático. Sei o que sentes neste momento.
- Não sabes nada de mim.
- Não? E se eu disser que por essa cabeça passam conflitos e dúvidas que tentas tão bem controlar mas que os teus olhos não conseguem esconder? -Jamie baixou o olhar e Dan sorriu. - Possuo a capacidade de conhecer bem uma pessoa em pouco tempo. Consigo descobrir as suas fraquezas e... usá-las a meu favor. E sem conseguir explicar, estamos irremediavelmente ligados por algo superior... - E começou a cheirá-la. Jamie, cada vez mais receosa, desviava-se. - És um pequeno e delicioso jogo...
- Não sou o teu jogo. - interrompeu Jamie tristemente.
- És. - Dan ficou a olhá-la numa longa pausa que atormentou a jovem mulher. - És o meu jogo de amor, de loucura... de vida. Tu representas um paraíso onde nunca estive. - Pegou numa ponta do cabelo, acariciou-o nos lábios e prosseguiu: - Eu disse que entrarias neste castelo e que serias a minha mulher. Uma já se concretizou, a outra, a mais importante, terá lugar hoje à tarde. Finalmente serás minha!.. Minha! - E puxando-lhe o cabelo murmurou ao ouvido: - Vou sentir o teu cheiro delicioso, o teu corpo... no meu... Serás minha, Jamie... Serás o meu mais precioso tesouro. A mulher ideal para governar Nastro comigo. Juntos, seremos invencíveis! - E largando-a reparou numa lágrima que caiu. Limpou-a do rosto de Jamie com a ponta do dedo e muito pensativo acrescentou: - Pensa no que te poderei dar. Tudo que queiras estará sem demora nos teus braços...
- Eu nunca serei a tua mulher. Tenho a certeza de que virão buscar-me.
- Sim... é possível. Estou à espera disso. Tenho a guarda em alerta e pronta. Mas antes, muito antes, serás minha... nem que seja só por uma vez. - declarou Dan retirando um punhal da bota.
Mostrou-lhe a lâmina fina e reluzente. Jamie aflita, engoliu em seco. Em dois golpes, cortou-lhe as cordas dos punhos e pernas.
- Eu farei tudo para te impedir. - afirmou Jamie quando escapou para o meio do quarto. - És um monstro! És...
Beijando-a com sofreguidão, Dan prendeu-lhe um dos braços e começou a torcê-lo de modo que Jamie parou de fugir e baixou-se para aliviar a dor. Mesmo assim, levou a mão à boca e limpou-a do sabor de Dan. Este torceu ainda mais o braço e puxou-a para si.
- Não sentiste?
- NÃO!! Como é que poderei sentir alguma coisa por um homem que tanto rejeito?
- Humm... rejeitas... Não acredito... Contrarias os impulsos mais eróticos que sentes fluírem do teu íntimo?
- A imaginação é fértil em ti.
- Conheci muitas mulheres... estudei-as.
- Não tenhas tantas certezas comigo.
- Nenhuma mulher é diferente perante o amor. Ele é igual por todo o lado...
- Mas qual amor? Eu amo o Dave.
Dan levantou os sobrolhos e no meio de gargalhadas disse:
- Noiva de Dave... Eu sei disso muito bem... cunhada! Desta vez Dave não vai ganhar. Já basta ter tudo que era meu por direito!! És a mulher que adoro vou ter-te só para mim... - Agarrando-a ainda mais pelos braços, levou-a para a cama. Jamie tentava livrar-se mas a força daquele homem era demais para ela. Mas a oportunidade surgiu e Jamie deu-lhe uma joelhada no ventre. Em agonia, Dan largou-a. Jamie saltou da cama e procurou uma espada. Sem ligar às terríveis dores que sentia, Tolos agarrou-lhe no pulso mesmo na altura que ela tentava defender-se. A espada caiu no chão e Jamie gemeu de dor.
- Eu disse que ias ser minha, cabra!! - A expressão dos seus olhos mudou. Tornaram-se frios e brilhantes e um sorriso estranho nasceu no canto da boca.
Uma lâmina surgiu colada ao pescoço de Dan. Este olhou para Jamie e percebeu que tinha sido surpreendido de novo por aquela mulher.
Com violência, a porta do quarto abriu-se. Surpresos, os dois olharam em sua direcção.
- Deixa-o, Jamie. - ordenou Dave surgindo com Leo e Clive, todos com as espadas apontadas para Dan Tolos. - Agora é entre nós os dois. - E aproximou-se de Tolos com a arma em punho. - Tenho contas para ajustar. Há muito que eu esperava por uma oportunidade destas...
- Ora o meu mano finalmente teve coragem... Então e a jura, maninho?
- Não quero saber!
- Foi ela quem te mudou não foi? Pois a mim também. Anda! Eu não tenho medo de ti. Vamos resolver o assunto de uma vez por todas para eu ficar de vez com a tua noiva, maninho! - Pegou na espada e a sorrir para Jamie avisou: - Minha querida, prepara-te só para mim. Eu voltarei muito antes do que tu pensas.
CAPITULO 32
Quando chegou ao seu castelo, depois do rapto, Dan nada lhes fez. Fechou-as num quarto e deixando-as amarradas, colocou-as sobre uma cama. Apesar do medo, acabaram por fechar os olhos. A escuridão do local assim aconselhava. Mas nenhuma delas conseguiu dormir.
Aos primeiros raios do novo dia despertaram da calma com o abrir da porta. A grande figura de Dan Tolos surgiu no seu limiar. Por momentos, fixou os olhos tristes de Jamie que demonstravam bem o receio que sentia naquele momento. Pegou nela ao colo e desapareceu do pequeno quarto. As outras duas tentaram novamente desapertar as cordas que as prendiam mas sem sucesso. Começaram a chorar; não sabiam o que ele iria fazer com a sua amiga e, assim presas, não a poderiam ajudar.
Com calma, Tolos levou-a para os seus aposentos. Eram, em muitos aspectos, semelhantes aos dos existentes no castelo de Semy acrescidos de uma excessiva riqueza. Havia mesas espalhadas por todo o lado, uma cama larga com dossel e algumas tapeçarias de pequeno volume penduradas nas paredes.
Apesar dos safanões que Jamie lhe infringia, Dan sentou-a com suavidade numa enorme cadeira e afastou-se para fechar a porta. Enquanto a fechava, Jamie saltou para o chão numa tentativa de chegar à espada em cima da mesa mais perto. Dan trancou bem a porta. Pelo canto do olho apercebeu-se de que Jamie observava todos os seus movimentos. Talvez não os quisesse esconder dela. Virou-se e viu-a no chão a rastejar. Mais uma vez, não tirou os olhos da morena que tanto o fascinava. Jamie parou e sentiu algo nos seus olhos que não conseguiu desvendar. Oferecia-lhe uma misteriosa sensação de que ficaria para sempre ligada aquele homem belo, mas detestável. Tolos aproximou-se e sentou-a de novo na cadeira. Ajoelhou-se e junto dos pés nus de Jamie acariciou-os. Retirou-lhe o lenço que a impossibilitava de falar e, ao sentir a boca livre, Jamie resmungou desesperada:
- Maldito! Maldito sejas!
Tolos sorriu.
- Que bom ouvir novamente a tua doce voz, minha querida. - afirmou olhando-a bem nos olhos a pouca distância.
- Porque é que não me deixas em paz? Tens tantas outras escravas para teu belo prazer...
Dan Tolos sorriu.
- Porquê?
- Porquê? Qual é a razão de um homem querer loucamente uma mulher que o despreza?
O silêncio pairou no quarto. Jamie franziu a testa e desviou o olhar. Tolos pegou no seu queixo e fê-la olhar para si.
- Estou à espera que me respondas.
- Não sei... não sei a resposta... Não quero saber a resposta!
- Não queres? - E passou com o polegar pelos lábios de Jamie. Esta desviou a cara. - O que sinto dentro de mim é bem explicável. Cresce dia para dia, um desejo intenso e incontrolável de te possuir, mulher! Vivo a sentir uma estranha atracção por ti. Desconheço como apareceste em Semy, o que ainda aumenta o teu fascínio. És diferente... muito diferente... em tudo... Ahhh esse teu olhar poderoso, tão característico, deixa-me louco! Começo a entendê-lo. Está a deixar de ser enigmático. Sei o que sentes neste momento.
- Não sabes nada de mim.
- Não? E se eu disser que por essa cabeça passam conflitos e dúvidas que tentas tão bem controlar mas que os teus olhos não conseguem esconder? -Jamie baixou o olhar e Dan sorriu. - Possuo a capacidade de conhecer bem uma pessoa em pouco tempo. Consigo descobrir as suas fraquezas e... usá-las a meu favor. E sem conseguir explicar, estamos irremediavelmente ligados por algo superior... - E começou a cheirá-la. Jamie, cada vez mais receosa, desviava-se. - És um pequeno e delicioso jogo...
- Não sou o teu jogo. - interrompeu Jamie tristemente.
- És. - Dan ficou a olhá-la numa longa pausa que atormentou a jovem mulher. - És o meu jogo de amor, de loucura... de vida. Tu representas um paraíso onde nunca estive. - Pegou numa ponta do cabelo, acariciou-o nos lábios e prosseguiu: - Eu disse que entrarias neste castelo e que serias a minha mulher. Uma já se concretizou, a outra, a mais importante, terá lugar hoje à tarde. Finalmente serás minha!.. Minha! - E puxando-lhe o cabelo murmurou ao ouvido: - Vou sentir o teu cheiro delicioso, o teu corpo... no meu... Serás minha, Jamie... Serás o meu mais precioso tesouro. A mulher ideal para governar Nastro comigo. Juntos, seremos invencíveis! - E largando-a reparou numa lágrima que caiu. Limpou-a do rosto de Jamie com a ponta do dedo e muito pensativo acrescentou: - Pensa no que te poderei dar. Tudo que queiras estará sem demora nos teus braços...
- Eu nunca serei a tua mulher. Tenho a certeza de que virão buscar-me.
- Sim... é possível. Estou à espera disso. Tenho a guarda em alerta e pronta. Mas antes, muito antes, serás minha... nem que seja só por uma vez. - declarou Dan retirando um punhal da bota.
Mostrou-lhe a lâmina fina e reluzente. Jamie aflita, engoliu em seco. Em dois golpes, cortou-lhe as cordas dos punhos e pernas.
- Eu farei tudo para te impedir. - afirmou Jamie quando escapou para o meio do quarto. - És um monstro! És...
Beijando-a com sofreguidão, Dan prendeu-lhe um dos braços e começou a torcê-lo de modo que Jamie parou de fugir e baixou-se para aliviar a dor. Mesmo assim, levou a mão à boca e limpou-a do sabor de Dan. Este torceu ainda mais o braço e puxou-a para si.
- Não sentiste?
- NÃO!! Como é que poderei sentir alguma coisa por um homem que tanto rejeito?
- Humm... rejeitas... Não acredito... Contrarias os impulsos mais eróticos que sentes fluírem do teu íntimo?
- A imaginação é fértil em ti.
- Conheci muitas mulheres... estudei-as.
- Não tenhas tantas certezas comigo.
- Nenhuma mulher é diferente perante o amor. Ele é igual por todo o lado...
- Mas qual amor? Eu amo o Dave.
Dan levantou os sobrolhos e no meio de gargalhadas disse:
- Noiva de Dave... Eu sei disso muito bem... cunhada! Desta vez Dave não vai ganhar. Já basta ter tudo que era meu por direito!! És a mulher que adoro vou ter-te só para mim... - Agarrando-a ainda mais pelos braços, levou-a para a cama. Jamie tentava livrar-se mas a força daquele homem era demais para ela. Mas a oportunidade surgiu e Jamie deu-lhe uma joelhada no ventre. Em agonia, Dan largou-a. Jamie saltou da cama e procurou uma espada. Sem ligar às terríveis dores que sentia, Tolos agarrou-lhe no pulso mesmo na altura que ela tentava defender-se. A espada caiu no chão e Jamie gemeu de dor.
- Eu disse que ias ser minha, cabra!! - A expressão dos seus olhos mudou. Tornaram-se frios e brilhantes e um sorriso estranho nasceu no canto da boca.
Uma lâmina surgiu colada ao pescoço de Dan. Este olhou para Jamie e percebeu que tinha sido surpreendido de novo por aquela mulher.
Com violência, a porta do quarto abriu-se. Surpresos, os dois olharam em sua direcção.
- Deixa-o, Jamie. - ordenou Dave surgindo com Leo e Clive, todos com as espadas apontadas para Dan Tolos. - Agora é entre nós os dois. - E aproximou-se de Tolos com a arma em punho. - Tenho contas para ajustar. Há muito que eu esperava por uma oportunidade destas...
- Ora o meu mano finalmente teve coragem... Então e a jura, maninho?
- Não quero saber!
- Foi ela quem te mudou não foi? Pois a mim também. Anda! Eu não tenho medo de ti. Vamos resolver o assunto de uma vez por todas para eu ficar de vez com a tua noiva, maninho! - Pegou na espada e a sorrir para Jamie avisou: - Minha querida, prepara-te só para mim. Eu voltarei muito antes do que tu pensas.
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Semy (livro)
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