sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010

Carrego ao colo uma série de coisas que tenho de arquivar.
Desculpa 2010 mas vou guardar-te no corredor mais fundo das minhas lembranças.
Não foste um ano fácil. Nada fácil.
Na verdade, foste simplesmente o pior ano da minha vida.
Deste-me um coração partido, doença, dor, problemas financeiros, grandes decepções, extremo cansaço, muita solidão, mágoas, desmotivação, rios de lágrimas e morte.
Quero esconder-te bem fundo.

Porém...
... deste-me grandes amizades, e muitas alegrias na fotografia, escrita e no desenho.
Foi aí que fui buscar forças para te aguentar, 2010.
Foi nas emoções, na força da amizade e na criatividade que me aguentei.
Tu, 2010, serviste para me tornar mais forte enfraquecendo-me.
Ajudaste-me a lançar sementes, é certo.
Chama-me doida, que o sou, chama-me sonhadora, que o sou, mas sei que 2011 vai ser decisivo.
Será que afinal 2010 poderá vir a ser um bom ano?

Vou deixar aqui um recado ao 2011:
aviso-te já de que vou continuar a ser quem sou e deixar correr a nascente do meu lado mais oculto. Vou aprender mas não mudo a minha essência.
Sabes...
... não consigo ser outra coisa nem tão pouco vestir personagens para me mascarar ou agradar.

Adeus 2010.
Vou deixar-te no meu arquivo mais escuro.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Palavras

Se as palavras fossem simples ventos,
nunca as veria senão em cantos perdidas,
espalhadas e fracas em campos imensos,
sobre a terra fria adormecidas.

São vida, são fortuna, são sentir, são abanar,
correria parada de essência do mero ser,
repletas de indomável saber e pensar,
que dominam o meu inconstante ter.

São sonhos que me povoam os sentidos,
no único lugar onde repousas solitário,
na espera dos meus desejos foragidos,
da resposta ao teu mais vil olhar autoritário.

Beijo cada letra do que pensas
nos lábios sábios do teu sabor.
Sussurro cada som que escutas
como se fosses um altar adorador.

Palavras minhas que me mascaram,
que escondem segredos ditos.
Palavras minhas que me mostram,
e revelam prazeres benditos.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sou

Sou chuva que cai sobre a tua sombra negra
Sou fera que corre na terra a que chamo tua pele
Sou explosão que te cala com beijos
Sou traição que ilumina o céu desvirginado de luz do teu olhar
Sou tomada de força que te enche os olhos de lágrimas
Sou loucura que te abraça no pecado consentido do silêncio
Sou santa que te assola cada minuto
Sou saudade que gosta de o ser só para ti
Sou esquecimento da lembrança dos gemidos que já demos
Sou perdição que fustiga cada respirar teu
Sou maldade que te sente perto de mim na bondade do momento
Sou branco na cor do sombrio do teu desejo
Sou areia da tempestade no deserto rico do amor que me dás
Sou febre que te sua em cada pedaço de pele saciada de prazer
Sou saliva com que te visto quando me suplicas o toque
Sou espera da poesia das palavras que te escrevo e que decoras
Sou Lua que se esconde no Sol do horizonte que te queima
Sou cama para dormir com o teu cheiro
Sou medo da certeza do que sentes
Sou ciúme que me controla o mel amargo das tuas carícias
Sou necessidade que te tortura pelo todo que te dou
Sou vela da vida de nós dois.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tell me why

Descobri esta canção através de um amigo.
Apaixonei-me por esta melodia e pela história que conta na letra


Tell Me Why de Lafee

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Desejo a todos um Natal daqueles que toque mesmo no coração!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Perdoa-me

Perdoa-me todo o amor que não te dei,
aquele que nunca sonhei,
aquele que não fui capaz de te doar,
aquele que nunca soube te dar.

Perdoa-me todos os beijos que perdi,
aqueles que nunca te pedi,
aqueles que não fui capaz de conceder,
aqueles que nunca pensei em ceder.

Perdoa-me todo o prazer que te ensinei,
aquele que nunca originei,
aquele que não consegui disfarçar,
aquele que jamais desejei passar.

Perdoa-me todos os gemidos que não me lembro,
aqueles que somente não quebro,
aqueles que nunca gritei,
aqueles que jamais abafarei.

Perdoa-me não te conhecer,
para então de amor te encher,
para então de beijos te oferecer,
para então de prazer te preencher,
para simplesmente te sentir a gemer.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quero-te

Quero-te tanto como o controlo que se descontrola
que se mascara mostrando-se nu
no frio do alto do monte onde abro as asas para te voar.

Quero-te tanto como o cheirar da flor só de uma seara
aquela que te chama, aquela que se agita para te oferecer
tal amor que nem o vento leva.

Quero-te tanto que o meu corpo grita no sossego da noite
quando te oiço longe no meu ouvido
demandando a minha pele despida e suplicante.

Quero-te tanto que deslizo pelo rio sem pensamentos
a não ser aquele único que me leva a flutuar
porque te encontro desejando-me.

Quero-te tanto que me deixo deitar por ti
em cama de rosa mas não sinto os espinhos
porque é neles que repousas para me salvares sem fim.

Quero-te tanto que me magoa o querer,
acalmo quando falas nas estrelas que comandadas escrevem
no divino nos céus o nosso tempo imutável.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A árvore

A fada Amanyes voava calmamente sobre uma rua a saborear uma maçã quando reparou no burburinho lá em baixo. Era a árvore de Natal. Com a ajuda de todos, foi erguida bem no centro da praça. Com tantos sorrisos, era fácil de adivinhar que vinha aí a hora de colocarem as decorações.
A fada pousou no cimo da escadaria e sentou-se a observar os trabalhos.
Devagar e, uma a uma, colocavam as bolas coloridas, tudo por entre risos, cantares e sorrisos.
Quando se preparava para ir embora, ouviu alguns gritos.
Voltou-se e viu que a árvore sacudia violentamente todos os enfeites. As bolas voaram disparadas para todo o lado.
Assustadas e zangadas, as pessoas na praça gritaram e rabujaram. Nunca tinham visto tal coisa.
A fada levantou o sobrolho numa tentativa de perceber o que se passava ali. Bateu asas e suavemente flutuou até o centro da confusão.
- Amanyes! Amanyes! Tu viste o que se passou? - perguntou um jovem duende.
- Vi sim e não entendo. Nunca aconteceu!
O murmúrio na praça aumentava à medida que recolhiam as bolas de enfeite caídas no chão. Uma a uma, tornaram a ser postas.
Com expectativa, todos esperaram pelo que iria acontecer. O tempo passou e olharam uns para os outros. No meio desta calma, a varinha mágica da Paciência que a fada usava à cintura, enfiada no cinto dos calções, começou a agitar-se e, num puxão, levou Amanyes a voar até junto da árvore.
E nesse mesmo momento, a árvore sacudiu-se de novo e lá saíram as bolas disparadas uma vez mais! A fada teve de se desviar para não levar com umas quantas.



- Não quero isto!!!!!!!!! - gritou por fim a árvore, surpreendendo todos ainda mais.
Até os caracóis dos cabelos da fada se levantaram com tal surpresa.
- Mas afinal o que se passa contigo? - perguntou.
A árvore cruzou uns ramos como se de braços se tratassem e fez cara de zangada.
- Porque fizeste isto? - perguntou a fada.
- Não gosto.
- Não gostas? Mas nós estamos no Natal e tu és uma árvore de Natal. É normal decorar uma árvore de Natal com...
- Não gosto de bolas.
- Hum?
- Não gosto de bolas. - repetiu a árvore olhando para Amanyes - Não gosto de coisas artificiais e vazias.
- Ohhh... não acredito no que estou a ouvir!
E todos que assistiam começaram a criticar as palavras da árvore.
- Calma! - pediu a fada. - Mas tu sabes que sempre foi tradição enfeites destes.
- Não foi, não!! - replicou a árvore altiva. - Se é isto que me querem colocar, recuso-me terminantemente!
- Vamos buscar outra árvore. - alguém disse.
- Vamos! É melhor. - concordaram alguns.
A fada coçou a cabeça sem saber o que fazer.
E, então, a sua varinha mágica tornou a agitar-se. Amanyes acalmou-a com festas e disse num sorriso: - Calma. Sim! Sim, já sei o que fazer. - E piscou o olho para a sua varinha.
Pegou nela e fez aparecer um pedaço de papel na mão. Com a ponta da varinha escrevinhou algo, dobrou o papel e colocou na árvore.
Com um ar curioso, aguardou uma reacção.
E foi quando viu o começo de um sorriso na árvore.
- Acertei? É isso que desejas?
- Pois sim!! Percebeste com o que quero que me enfeitem.
Rapidamente, a fada explicou a todos o que tinham de fazer.
Num instante a árvore encheu-se de papeizinhos, uns dobrados outros pousados.
E foi assim que se iluminou e nunca mais resmungou.
Aqueles papéis guardavam desejos.
Continham palavras de carinho, ajuda, amizade e amor.
Afinal o Natal é feito de tudo isso.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Semy (Capitulo 022)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020, 021)

CAPITULO 22

Quando o dia surgiu com a estrela a brilhar intensamente, a luz que entrava por uma das janelas do quarto incidiu sobre o rosto de Dave, despertando-o. Admirado, reparou que Jamie ainda dormia. Aproximou-se da cama de dossel claro e gritou furioso:
- Basta de tanto dormir! BASTAAAA!!!!
Ouvindo o grito, Jamie acordou e abriu várias vezes os olhos. Sentia-se algo zonza e de inicio mal conseguiu ver onde estava. A primeira imagem que lhe apareceu à frente foi a de Dave Egon em pé com as mãos na cintura, em tronco nu, olhando-a com uma cara zangada. Lembrou-se de o ter visto em tal trajo uma vez, no início dos dias em Semy, em que indo arrumar o seu quarto reparara que o governante não dormira só. Vira um vulto desaparecer da sala com rapidez. Tinha sido uma escrava que mais tarde se tornaria companheira de tarefas.
- Hummmm... O que faço aqui? - perguntou sentando-se na cama ao mesmo tempo que massajava os olhos. - Não compreendo... O que aconteceu? Ai, que sono!...
- Fui eu quem te trouxe. Precisamos ter uma conversa muito séria. E já estou farto de estar à espera.
- Conversa séria, senhor? Não estou a entender nada... Ai a minha cabeça! - Jamie fechou momentaneamente os olhos e sentou-se. - Não sei porque estou assim tão estranha, mas, senhor... falarei consigo assim que conseguir levantar-me daqui... Podemos falar lá fora que é...
- Não vais sair deste quarto. - respondeu Dave que agarrando-a pela cintura atirou-a novamente para cima da cama. - É uma ordem!
.. Visivelmente incomodada, Jamie acordou depressa e ripostou:
- Ordem? Não saio, senhor?! Perdão pela resposta, mas isso é o que iremos ver. Por favor, não me trate como uma das suas escravas íntimas porque não estou na sua lista de conquistas. Há aqui, certamente, algum equívoco...
Pensando que Jamie ia sair pelo mesmo sítio, Dave colocou-se à frente da cama. Todavia, ela escapou-se por um dos lados do leito num rodopiar rápido do seu corpo e correu para o meio do quarto. Ele virou-se e manteve-se no mesmo lugar, observando-a.
- Por favor, senhor, Vamos conversar noutro lugar. Peço-lhe. Não sirvo para o que está a pensar.
- E o que é que eu estou a pensar?
- Sabe muito bem. Tem escravas bem mais lindas que adorariam estar consigo. Por favor, deixe-me ir tratar das minhas tarefas. Não sirvo nada para o que pretende!!
Jamie correu em direcção à porta mas ao constatar que esta se encontrava fechada começou a resmungar e o medo aumentou. Estava mesmo presa naquele lugar com um homem cheio de desejo que a queria ter à força.
Despreocupado e de braços cruzados, Dave mirava-a. Admirava os movimentos do seu corpo debaixo da tapeçaria que cobria a entrada do quarto. Sabia que estava a tentar abrir a porta, mas o esforço seria inútil. Com o cabelo despenteado e visivelmente zangada, ela apareceu.
- A porta.... A porta, senhor, está fechada à chave! Raios! Preciso da chave, senhor. Por favor, dê-ma!
- Não.
Jamie suspirou e iniciou a sua busca. Levantou almofadas, viu dentro das arcas que guardavam as roupas de Dave, e este observava-a sem uma palavra de repreensão. Parecia apreciar a cena. Pegou num copo e bebeu água calmamente.
- Por favor, senhor... Eu quero a chave. - pediu ela já cansada.
Dave aproximou-se da escrava.
- Não se aproxime... não... Não! Nãooo! - dizia ela ao mesmo tempo que caminhava para trás. - Eu só quero a chave, nada mais, senhor. Eu vou chamar alguém para lhe fazer companhia. Eu não sirvo para o que precisa.
- Serves sim... Eu amo-te, Jamie.
- Não se aproxime, senhor, por favor! Não se aproxime!! Hahh? O que disse?
- Eu amo-te, mulher!!. Quero casar contigo o mais depressa possível!
Jamie abriu os olhos e caminhou para trás.
- Eu?!!! Não... não...
- Quero que sejas a dona de Semy.
- Jamais! Se isso é uma reles tentativa para me apanhar, não está a surtir qualquer efeito!! Não se aproxime mais! Eu, eu, eu quando estou zangada sou muito má. Ficará arrependido. Posso aleijá-lo. Por favor, senhor, deixe-me sair daqui. Não me force a nada.
Vendo que não parava, Jamie começou a atirar-lhe com almofadas. Desviando-se de todas elas, Dave começou a correr para a rapariga e ela fugindo-lhe, colocou-se por detrás da mesa. Jamie procurava com o olhar algo que pudesse usar para se defender. Dave tinha ocultado tudo. Começou a fugir novamente e foi apanhada pela cintura e, numa rapidez de mestre, Dave colocou-a ao ombro. Jamie resmungou furiosa e bateu com as mãos fechadas nas costas do forte Elmer. Mas nem assim ele desistiu. Levou-a de volta para a cama. Jamie tentou escapar, mas já familiarizado com as suas atitudes, segurou-a bem pelos braços e colocou-se em cima dela para lhe prender as pernas que não paravam de dar pontapés.
- Vais acabar por parar, teimosa!! Eu não vou sair daqui. Não te vou libertar!
Jamie tentava espernear de todos os modos possíveis mas estava completamente imobilizada. A respirar depressa pelo cansaço, parou.
- Agora que já estás quietinha... já posso falar contigo. E vais ouvir de uma vez por todas o que te tenho para dizer e CALADA!! Eu já não consigo esconder mais o que sinto por ti. Amo-te demasiado, mulher, para viver longe de ti. Já não consigo passar nem mais um minuto sem te sentir. Eu não consigo dormir, eu não consigo trabalhar, eu não tenho cabeça para mais nada a não ser para te ver. Quero-te a meu lado todas as horas, toda a vida que me resta! Quero respirar-te em cada nascer do sol e beijar-te em cada adormecer do dia! Eu adoro-te, Jamie! Como nunca julguei adorar ninguém!
E beijou-a.
No início do beijo, Jamie resmungava em murmúrios abafados pelos lábios exploradores de Dave. Conseguiu libertar os braços, começou a bater nas costas do formoso senhor de Semy e a tentar afastá-lo de si. Mas à medida que o beijo durava, reduziu a intensidade da sua fúria até que acabou por o abraçar ternamente. Acariciou-o no rosto e rendeu-se aos beijos que mal os deixavam respirar. Pararam por instantes, ofegantes e, de testas coladas, Jamie confessou:
- Oh Dave... espero que não seja tudo um engano teu...
- Cala-te doida! Enganado andei eu todo este tempo. Quero-te tanto, mulher, que dói demais!!!
- Amo-te... - sussurrou ela junto ao ouvido de Dave. E fechando os olhos beijou-o. - Sim... se é assim que desejas, serei a tua companheira.
E riram os dois.
- Temos sido uns idiotas...
- Temos sim... e já perdemos tanto tempo... - disse Dave beijando-a de novo.
E naquele quarto o tempo parou quando os corpos se uniram e gritaram suspiros e arrepios selando o que há muito estava escrito no destino de Semy.
Mas o destino apenas escrevera o início da sua história.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Capitão

Acredito em milagres daqueles que não sei sonhar,
daqueles que mal sei pronunciar,
dos que vendem amores e desamores
daqueles que me fazem navegar na ilha de pecadores.

Capitão que vais ao leme seguro
baixa teu olhar para as águas onde figuro.
Encontra-me na espera do teu rumo
no mar em que sempre me arrumo.

Leva-me na vela do teu barco tenaz
como vento que jura e sempre faz,
firme e forte como essas mãos que tanto me agarram,
que tanto me seguram, que tanto me devoram.

Capitão que levas o navio no peito do sabor
perdoa-me se me esvaio em intimo tremor.
Tapaste-me os olhos com beijo tranquilo e obstinado
e só te sinto quando és caminho amado.

Resgata-me dos mares de mágoa gelados
e cobre-me com sorrisos abençoados,
alimenta-me o prazer esquecido e perdido
em tempestades de destino bandido.

Capitão, qual é a razão do espinho no teu olhar,
é marca, é sangue que alguém te fez gritar.
Estendo cativante meu ventre, senhor,
para que possas navegar por entre a minha dor.

Em terra por fim chegamos exaustos
de trovões e chuvas de mares gastos.
É no sossego da praia que repousas enfim
no pedaço seco e mais puro de mim.

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(Feliz aniversário, Capitão ;-)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Porquê?

Porquê que insistimos em acreditar no que não chega?
Porquê que nos foge o que mais desejamos?
Porquê que temos coração para ser ferido?
Porquê que amamos com o olhar?
Porquê que a vida nos complica o viver?
Porquê que temos de esquecer quem não queremos?
Porquê que passado está tão presente no futuro?
Porquê que se seca em cada silêncio?
Porquê que temos diferenças com que não conseguimos lidar?
Porquê que ficamos parados com a tristeza das saudades?
Porquê que me zango e perco forças?
Porquê que és o meu pecado mais santo?
Porquê que o medo é a coragem de poucos?
Porquê que o meu coração não tem caminho?
Porquê que o meu dia te faz tanta diferença?
Porquê que é que não me consegues ouvir?
Porquê que não consigo desistir de ti?
Porquê que não consegues desistir de mim?
Porquê que a tempestade arranca o que é fraco e testa o que é forte?
Porquê que se termina o que ainda nem começou?
Porquê que não nos molhamos na chuva de lágrimas?
Porquê que o cedo é tarde demais?
Porquê que és céu e eu mar e não nos tocamos?
Porquê que o amor dói?
Porquê que não queremos beber as nossas lágrimas?
Porquê que queres depender de mim?
Porquê que precisas de mim?
Porquê que não tenho coração para te magoar?
Porquê que não tenho alma para te dar?
Porquê que nasço quando me beijas?
Porquê que não somos de ninguém?
Porquê que estou tão sozinha quando me faltas?
Porquê que preciso do teu ser junto do meu?
Porquê que o tempo separa quem se quer?
Porquê que mentes para me dar a verdade?
Porquê que existo assim?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ninguém sabe

Não é por bem ou por mal
que me escondo no segredo do que sinto
esqueço o que penso nas lágrimas do normal
para renascer no que nos olhos desminto.

Ninguém sabe o que sei...

És achado, és fardo, és errante
neste meu descanso adverso
sopras oculto no suor abundante
da minha pele que secaste amor perverso.

Ninguém sabe o que respiro...

Sal doce que escorre pelo canto
onde habitas sem forma, sem presença
neste jogo sedutor de sabores de encanto
rasgas depressa o que rejeitas de nascença.

Ninguém sabe o que penso...

Guardo nome sagrado em mim
nunca saíste, nunca fugiste, apenas partiste
e o tempo jogou o iminente sem fim
e agora brando e amante dormiste.

Ninguém sabe o que amei...

Perco-me nas palavras que quentes ao ouvido sussurras
levam tua vontade de agasalhar solitário beijo
como se de palavras se fizessem eternas juras
desta receita secreta que levas no desejo.

Ninguém sabe o que passei...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

All I want for Christmas is...

O Pai Natal não me ouviu no ano passado.
O Pai Natal colocou rolhas nos ouvidos.
O Pai Natal colocou o meu nome na lista de spam...
tudo porque tenho pedido isto como prenda de Natal...
Não percebo... Eu porto-me bem!! ;-)


Isto ao som dos U2 tem outra classe...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Falo de amor

Falo de amor,
daquele que não se fala
do que só se sente
da verdade que não mente
do suspirar sem parar.

Falo de amor,
daquele que se escreve
do que não se descreve
da tranquila tempestade
do amar sem medos.

Falo de amor,
daquele que se não se entende
do que só se compreende
da lágrima feliz
do desenho do rosto nunca esquecido.

Falo de amor,
daquele que eleva
do que nunca nos poisa
da vontade sem milites
do sufoco bom das saudades.

Falo de amor,
daquele que é finito
do que só se sabe sem fim
da seta certeira
do alvo que não se esconde.

Falo de amor,
daquele que só se dá
do que só se recebe
da fala surda
do falar que se sente.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Semy (Capitulo 021)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017, 018, 019, 020)

CAPITULO 21

- Ahhhhhh que festa!! Diverti-me tanto! - desabafou Clive sentado na cadeira com os pés em cima da mesa. - Nunca assisti a uma festa tão boa!
- Só este grandalhão é que não se divertiu. - afirmou Leo na mesma posição. - Sempre tão forte em relação às mulheres e agora parece uma criança medrosa a esconder-se por trás da saia da mãe...
Saindo de junto da janela, Dave aproximou-se com fúria do irmão e atirou com os pés para o chão com força. Agarrou-o pela camisa e apertando-a no pescoço gritou:
- Estou farto de os ouvir!!!! Farto de os ouvir sempre com as mesmas conversas!!! Calem-se!!! Deixem-me em paz!!!
Dave atirou com o irmão para a cadeira e afastou-se.
Nenhum dos dois lhe respondeu. Leo e Clive sabiam que o senhor de Semy estava atormentado com a luta entre o dever e o apelo do coração. Aliados ao silêncio existente na sala, observaram Dave que caminhava nervoso ao mesmo tempo que passava com as mãos pelo cabelo. Pontapeou almofadas com fúria e atirou com uma cadeira contra parede.
Com receio do que Dave pudesse fazer, Leo expôs a sua ideia.
- Porque não se leva comida ou bebida com algo que a fizesse dormir? E quando estivesse adormecida pegarias nela e ias para o teu quarto. Sempre estarias mais à vontade. Fechavam-se até se entenderem... Que achas?
- Parece uma ideia louca mas pode funcionar na perfeição. Sim!! Oh Dave faz isso! E quem irá pedir o produto a Wise Sage?
- Tu. - respondeu Leo.
- Porquê eu?
- Deixa-te de perguntas e vai lá. Ele hoje está nas nuvens, bebeu demais... dará o que precisarmos sem perguntar para quê. Vai. - afirmou Dave. - Se estiver lá o Lann diz que preciso dele aqui imediatamente.
Impaciente, Dave caminhava de um lado para o outro da sala numa espera que lhe pareceu de horas mas ao fim de alguns minutos Clive voltou na companhia de Lann.
- Chamou, senhor?
- Lann preciso que...
- ... vá fazer um dos meus chás e que coloque um ingrediente extra para que uma certa senhorita o possa beber o mais depressa possível e esperar pelo seu efeito tranquilizador. Estou certo?
- Porque será que eu tenho a sensação que isto foi tudo planeado por vocês e eu caí na armadilha? - confessou Dave com as mãos na cintura e um ligeiro sorriso no rosto tenso.
- Ahhh Lann arrancaste um sorriso ao meu irmão. Milagre!! É sinal que estamos no bom caminho. - E bateu nas costas de Dave.
- Neste momento o chá já se encontra no quarto. Muriel e Kate tratarão de se certificar que Jamie beba o seu chá.
Notoriamente agitado, Dave resmungou:
- Mas porque as meteram nesta história?
- De que de outro modo conseguiríamos que tudo fosse feito sem Jamie suspeitar?
- Não!!! Vão achar-me um fraco e vão deixar de me respeitar como o seu senhor. Não as deviam ter envolvido. Só me dificultaram a...
- Cala-te Dave. Não digas disparates. Pensa um pouco, por favor. E porque achas que elas aceitaram?
- Nunca vi ninguém tão parecido contigo como a Jamie. Estão bem para o outro... - acrescentou Clive servindo-se de mais um copo de vinho.
Lann sorriu quando reparou no estado de ansiedade de Dave.
- Meu caro senhor, vá tratar da mais importante conquista da sua vida porque a esta hora Jamie já deve dormir profundamente e espera-a uma grande surpresa.
Dave acabou por sorrir novamente. Baixou o rosto e passou com as mãos pela cabeça.
- Se isto não der certo, amanhã preparem-se porque vou estar muito furioso.
- Pois, pois claro... - murmurou Leo. - Estou cheio de medo. Já estou habituado aos teus estados de zanga... - Desaparece! Estás a perder tempo.
Dave saiu da sala em passos acelerados.
- Wise Sage tinha razão. Nunca vi o meu irmão assim!
- Nem eu, Leo, nem eu. Acabaram de conhecer o verdadeiro Dave. Aquele com que vamos lidar daqui para a frente. - respondeu Lann olhando para a porta.
Dave percorreu rapidamente todo o corredor que o levava aos quartos das escravas e abriu devagar a porta do quarto certificando-se que apenas Jamie se encontrava lá. Deitada de lado na sua cama, a rapariga de cabelos encaracolados jazia adormecida e o tremelicar da vela na mesa conseguiu mostrar o sorriso de satisfação do senhor de Semy. Satisfeito com o resultado da poção de Wise Sage, Dave colocou-a ao ombro e levou-a para o seu quarto.
Deitou-a sobre a cama, fechou a porta, guardou a chave dentro de uma bolsa, escondeu-a dentro de um bolso da sua roupa na arca e aguardou. Bebeu um pouco de vinho e descalçou-se. Olhou Semy pela janela e olhou para Jamie que não dava sinais de acordar com o passar do tempo.
..Impaciente com a demora, Dave caminhava de um lado para o outro do quarto. Aquela mulher nunca mais acordava e esse facto aumentava o seu nervosismo. Sentido calor, não só vindo da lareira que se encontrava acesa, tirou a blusa e ficou apenas com as calças. Caminhou até à cama e observou-a de perto. Deitou-se ao seu lado e cheirou-a. Apeteceu-lhe beijá-la naquele instante mesmo sabendo que provavelmente ela não o sentiria. Brincou a medo com a ponta dos cabelos e teve vontade de a despertar mas Jamie dormia de tal modo que não foi capaz de terminar com o seu descanso. Pela primeira vez, acariciou-lhe os cabelos castanhos e o rosto. Tremia. Aproximou-se e quase a beijou. Afastou-se e voltou para o meio do aposento. Cansado de esperar, Dave sentou-se num dos vários montes de almofadas espalhados pelo grande compartimento.
O tempo passou e ele acabou por adormecer.