segunda-feira, 31 de maio de 2010

Puzzle (2ª parte)

(primeira parte aqui)

O teu despertar surpreende-me e não sei o que fazer. Montei-te, peça a peça, e jamais imaginei que tivesses vida.
Os teus olhos não param de cravar um desejo que me interroga.
Afasto-me assustada com o que criei mas, tu, repentinamente, esticas um braço e agarras-me pelo pulso puxando-me.
Largo um gemido de dor que nada faz perante a expressão do teu rosto. Quero libertar-me mas a tua outra mão prende-me definitivamente contra ti.
Calas-me o grito com um colar de lábios que faz desistir o resistir.
Montei-te, peça a peça, criando-te e nada sei de ti.
Não consigo dizer não.
Queremo-nos. É escusado negar ou tentar contrariar.
Agora és tu que me despedaça em peças.
Desmontas-me com cada passagem da tua mão pela minha pele, pelos meus recantos mais secretos.
A cabeça já está longe, perdeu-se em pensamentos e ordens de um corpo rendido.
Mais abaixo, peito, braços, separados por cada aperto teu.
Já não sei por onde o resto de mim anda.
Estou perdida, louca, fechada, banhada, aterrorizada, colorida, saciada, revoltada, adormecida...
Deixo-te fazer tudo com todas as minhas peças.
Paras sem parar de me olhar nos olhos.
Peça a peça constróis-me de novo.
Largas-me e eu apenas consigo dizer:
... Não me deixas alternativa... continuas a ser um puzzle para mim.

domingo, 30 de maio de 2010

Foto 0011

Estou assim despojada de encanto e ofuscada pelas sombras.
Quero o sol de volta para me trazer a minha mente que anda perdida.
Desejo as águas quentes e não frias dos silêncios que me agasalham em cada noite e dia.
Sou folha perdida...até encontrar o meu vento.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Semy (Capítulo 002)

(Capítulos anteriores: 001)
CAPITULO 2

Depois de um longo e repousante almoço, chamaram um táxi que as levou, sem grande demora, à morada indicada no matutino. Quando chegaram ao possível futuro local de trabalho, maravilharam-se com a grandeza e beleza do lugar.
- O local será mesmo este? Está tão sossegado e deserto. - comentou Kate. - Estava à espera de mais pessoas por aqui...
- Eu também. - respondeu Jamie cada vez mais desconfiada.
O edifício era uma autêntica mansão estilo colonial. A enorme moradia era rodeada por um grande jardim de onde surgiam flores de todas as cores e tamanhos em conjunto com outra vegetação tão bem cuidada. Árvores imponentes de muita folhagem, ofereciam sombra ao caminho que conduzia à frontaria da casa. As jovens subiram a rampa de acesso devagar, contemplando todas aquelas maravilhas. Assim que chegaram junto das colunas de mármore que ornamentavam a fachada do edifício, alguém lhes abriu a porta sem que tivessem tocado à campainha.
Um homem de meia idade, de estatura normal, mirou-as desconfiado. Olhou para todas com os seus olhos claros e com um leve sorriso dirigiu-lhes a palavra.
- A razão da vossa presença aqui é o anúncio por mim colocado no matutino. Entrem. Eu observei-as a abandonar o interior do veículo de aluguer.
O misterioso homem de cabelo castanho curto levou-as através de um enorme hall decorado no mesmo estilo da moradia, de onde se destacavam a presença de inúmeras obras de arte, desde a pintura até esculturas de variados géneros. E entraram devagar numa sala que seguia a mesma linha de decoração. Uma lareira de largas proporções era o centro das atenções, apesar de se encontrar apagada. As três amigas sentaram-se timidamente no sofá enquanto que o estranho homem preferiu permanecer em pé encostado à lareira de mármore claro.
- Fui registado com o nome de John B. Shaw. Sou um cientista solitário que estuda alguns fenómenos e enigmas relacionados com o homem e a noção convencional de tempo. Sou monetariamente independente e auto-suficiente, muito rico se preferirem. Não necessito abandonar a minha residência para estudar, pesquisar, preparar e efectuar as minhas experiências. Possuo o meu laboratório na cave desta mansão, construído segundo as normas mais rígidas de segurança. Apesar de brincar, tal como todos os cientistas, com o fogo, sei como o controlar sem prejudicar os meus colaboradores e até mesmo a minha própria sobrevivência. Pretendo pagar um salário de seiscentos mil dólares...
- Quinhentos era o que dizia no jornal. - interrompeu Muriel.
- Seiscentos mil dólares às três, sem incluir alojamento e alimentação durante os dois meses. Se apreciar grandemente o vosso trabalho, se ele realmente me agradar, poderão permanecer mais algum tempo, talvez até com um salário superior. Agora, antes de uma resposta, gostaria de saber o nome e idade. Ah! Não possuem qualquer membro mais chegado de família, pois não? Esse aspecto é fundamental para a concretização do contrato.
- Não temos ninguém, apesar de estar intrigada por destacar esse pormenor. O meu nome é Jamie Mills e tenho vinte e seis anos.
- Eu sou Muriel Walters e também tenho vinte e cinco anos de idade.
- Kate Donan. Vinte e quatro.
- Existe um pormenor que achei curioso no seu anúncio.
- Sim? O quê, Miss Mills?
- É que não pedia nenhum diploma comprovativo ou a escolaridade suficiente para alguém que certamente irá lidar com produtos químicos ou algo semelhante. Só se... o contrato incluísse uma cláusula que não fosse oportuno assinalar no jornal. No anúncio somente pedia assistentes...
- Tem razão... Serão minhas assistentes em muitas actividades, principalmente em trabalhos onde serei o professor, guia e vigilante. De resto, só pediria que reservassem algum tempo para cuidarem de tarefas ligadas à limpeza e conservação desta casa.
As três raparigas entreolharam-se.
- Porque não contrata pessoal especializado para esses serviços? Se é tão rico, como afirma... - inquiriu Jamie.
- Não aprecio muito movimento na minha casa; gosto da minha privacidade. Prezo imenso trabalhar sem ser incomodado constantemente com pormenores fúteis e muitas vezes despropositados. E além disso, prefiro conhecer com calma o carácter e personalidade individual de quem lida comigo. Com muitos indivíduos a circularem nesta mansão, isso não seria possível. Espero vir a conhecer-vos muito bem, ter confiança em vós, isto é, se ficarem. Devo acrescentar de que foram as quartas a responder.
- Só responderam quatro pessoas? Estava à espera de muito mais devido ao valor que oferecia no anuncio. E o que tinham as outras candidatas que o levou a recusar os seus serviços?
- Uma terrível curiosidade, Miss Mills. - E olhou bem nos olhos de Jamie como que avisando-a.
Houve um momento de silêncio ao que Shaw acrescentou:
- Gostaria que aceitassem.
Jamie, Muriel e Kate trocaram de novo olhares e saiu a resposta.
- Nós ficamos. Quando começamos a trabalhar?
- Minha cara Miss Mills, agora mesmo se desejarem. Existem muitos quartos vagos no andar superior. É só escolherem o melhor local de acordo com o gosto individual.
- Eu preferia um virado para o seu belo jardim. - respondeu Muriel junto de uma das várias janelas existentes na sala.
- É o local onde dedico os meus tempos livres. Adoro jardinagem. São esses momentos em que toco na terra e nas plantas que o meu espírito se esquece do seu redor, liberta-se, para mais tarde ser precioso nas pesquisas no laboratório. Alguma de vós sabe conduzir?
- Todas nós sabemos. - respondeu Jamie. - Porque o pergunta?
- Podem levar a minha carrinha. Não é muito grande nem muito pequena, tem o tamanho ideal para que possam transportar os vossos objectos.
- Não receia que fujamos com a carrinha? Mal nos conhece...
- Não. Em qualquer esquadra, a minha palavra é ordem, algo que não se passa certamente convosco, Miss Walters. Aqui está a chave. O veículo encontra-se na garagem que fica situada nas traseiras da mansão. Esperarei por todas ao jantar. Podem ir, nada mais tenho a acrescentar.
E saíram da casa, deixando na sala um John Shaw pensativo. O breve sorriso deixou transparecer uma certa satisfação. O plano estava em marcha.
Mal contornaram a fachada do edifício, as três jovens localizaram imediatamente a garagem. Sem perda de tempo, dirigiram-se para a pequena casa. A garagem encontrava-se aberta e minutos depois, a carrinha saía da propriedade conduzida por Muriel.
- Acho uma pessoa estranha este John Shaw. Acho que tem a mania que é superior.
- Ora Kate, todos os cientistas são estranhos por natureza. Até nós somos também um pouco estranhas e não somos cientistas, nem nada parecido. - declarou Muriel a rir.
- Eu sinto qualquer coisa de invulgar naquele homem. Mas é melhor esquecermos isso por agora. Teremos ao fim de dois meses um bom dinheiro para aplicarmos em algo rentável. Precisamos dar o nosso melhor neste trabalho. Desde que ele pague na altura certa, sem atrasos, é o que interessa. É impossível julgar uma pessoa numa simples conversa de vinte minutos. Vai ser um óptimo emprego. Não vamos ser pessimistas.
- Pode ser que sim... não sei. - murmurou Kate enrugando a testa.
- Nem eu... - sussurrou Jamie tentando disfarçar a sua preocupação.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Entusiasmo

Sem saber como,
sinto-te no olhar que cruzámos.
Limpo as lágrimas e assim consigo ver as estrelas.
Banha-me
limpa-me
sopra-me
para que possa recomeçar de novo.
Cravo as mãos em ti em busca de entusiasmo.
Preciso dele.
Roubaram-me,
deixaram-me morta,
e quero viver de novo.
Dá-me penas
porque as minhas asas estão vazias.
Purifica-me com apenas um beijo teu,
na hora certa,
no momento certo
em que nos unimos estreando-nos,
pele a pele,
sopro a sopro,
toque a toque.
Estou cansada de abandonar a manhã com os restos da noite em que me tomaste.
Estou selvagem como o vento que passa por mim.
Aguentas-me?


(resposta ao desafio de criar um poema com a palavra "Entusiasmo")

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gravity

Esta canção não me sai da cabeça... oiço-a vezes sem conta...


Gravity - John Mayer

terça-feira, 25 de maio de 2010

Arquivado

Os pés avançam devagar como que cansados e acompanham o guinchar de uma das rodas daquele carinho que transporta a carga. No meio do silêncio da sala do arquivo aquele som parece um martelar.
Com ar cansado e velho, aquele homem empurra o carrinho sem olhar para as gavetas. É como se já as conhecesse bem demais.
E conhece.
Passa pela gaveta da Alegria e não mostra qualquer sinal de parar. Logo a seguir encontra a da Felicidade mas essa está perra e é pouco usada. Do seu lado esquerdo aparece a gaveta da Tristeza e aquele homem idoso e cansado olha de lado. Mas ainda não é aquela.
Continua a empurrar o carrinho que guincha.
Ultrapassa a do Amor e pára. Leva lá os dedos mas, fazendo o sinal de Não com a cabeça, retoma o empurrar e avança.
Quase no final do corredor, o silêncio apareceu com o parar do carrinho. Em nítida dificuldade, o velhote pega na carga, abre a enorme gaveta e deposita-a ali. Começa a empurrar mas a gaveta mal se mexe. Usa, então, as costas para a conseguir fechar definitivamente.
Tinha de arranjar outra que aquela já estava completamente cheia.
Pegou num lenço e limpou o nome da gaveta. A humidade das lágrimas que sempre pairava por ali andava a danificar as letras.
Quando a palavra Mágoa apareceu, guardou o lenço, virou o carrinho, agora vazio, e abandonou aquela sala.
Carimbou um papel e enviou-me, indo descansar.

Abri os olhos e aceitei a decisão.
Foste arquivado definitivamente na sala mais abandonada da minha mente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Webzine MURO - A minha 2ª participação

A Webzine MURO na sua 6ª edição contou com a minha colaboração.

Dois textos e respectivas fotos: Beijo Ficcionado e Para onde vai a Lua durante o dia.
Agradecida a todos na revista :-)

sábado, 22 de maio de 2010

Semy (um livro em várias partes - Parte 001)

Há uns bons anos atrás (no final do liceu), escrevi este livro e decidi ir colocando aqui, em vários pedaços. Trata-se das aventuras de três amigas que, um dia, viajaram para uma época diferente da que sempre viveram. O livro chama-se Semy e segue o 1º capitulo...

CAPITULO 1

Numa cidade tão grande como é Los Angeles, uma pessoa torna-se insignificante no meio de uma multidão. Mas para Jamie Mills o simples atravessar de uma rua e ir a um quiosque, poderia vir a ser, de um momento para o outro, muito significativo. Cruzou a rua depressa no intento de evitar o mais possível os encontrões cegos das pessoas e chegou junto do dono do quiosque colorido.
- Bom dia. Queria um exemplar de cada jornal. - pediu dando uma rápida olhadela pelas revistas expostas.
Soprava uma brisa fria de fim de verão, desagradável para quem ainda quisesse sentir o calor na pele. O leve vento produziu, momentaneamente, alguns calafrios em Jamie. Não trouxera o casaco pois morava num pequeno apartamento no outro lado da rua. Compartilhava-o com mais duas amigas. As três jovens inseparáveis, procuravam emprego e, todos os dias, uma delas saía e comprava os jornais diários. Conheceram-se no liceu e, não tendo actualmente nenhum parente próximo, juntaram-se numa única e unida família.
Jamie era a mais alta e a mais discreta de todas. Na sua cara, apenas os grandes olhos castanhos lhe davam graça. Sempre que podia, fazia ginástica, o que mantinha o seu corpo airoso em perfeitas condições. Mais uma vez, o longo cabelo castanho escuro encaracolado agitou-se com a passagem da brisa matutina. Pegou nos vários jornais, pagou, e afastou-se do quiosque. Com alguns debaixo do braço, abriu um diário e começou a lê-lo ao mesmo tempo que caminhava ao longo da rua movimentada. No caminho para casa, Muriel avistou-a e com dois sacos cheios de artigos do supermercado nos braços, dirigiu-se para ela.
Muriel Walters era outra das ocupantes do apartamento de Jamie. De estatura média, mantinha também o corpo esbelto em boa forma. Era dona de uma forte beleza natural de onde sobressaía um belo nariz aliado a um delicado par de olhos de cor preta. Naquele dia trazia o cabelo preto preso na nuca.
- Como estão hoje as páginas de empregos?
- Sete páginas inteiras. Nos outros jornais ainda não sei. Veremos quando chegarmos a casa.
O rodar da chave na porta foi o aviso para Kate, a última das inquilinas do apartamento. Kate Donan era a mais pequena do trio. Sustentava os cento e cinquenta e oito centímetros numa elegância de invejar. Usava o cabelo castanho pelo pescoço, o que lhe dava um ar juvenil apesar dos seus vinte e quatro anos. Os olhos castanhos claros observaram a entrada calma das duas amigas. Ajudou Muriel a colocar os sacos na mesa da sala comum com a cozinha e, logo em seguida, sentaram-se no sofá junto a Jamie que já mantinha os jornais abertos na secção de empregos. Atentamente, cada uma procurou no respectivo jornal.
- Muitos deles não servem para nós. Ou somos jovens demais ou velhas demais. - disse Kate tristemente.
- Ou não temos qualificação. - acrescentou Muriel.
- Numa cidade destas existem muitos tipos de emprego. É preciso insistir. Procurem bem...
- Concordo, Jamie. Temos de ter paciência.
- Paciência tenho eu muita, dinheiro é que não. O dinheiro que ganhámos nos últimos trabalhos já está praticamente no fim. Naquela mansão é que estávamos bem. Os donos eram tão bons para nós. Foi uma pena terem voltado para a sua terra natal. Apenas partiram à quatro semanas e eu já tenho saudades daqueles ingleses tão simpáticos! Era um casal de velhotes bestial. Faziam sentir os jovens ainda mais jovens.
- Esquece isso, Kate. Foram bons tempos mas agora temos de viver o presente, o presente tão perto do futuro. Talvez nunca venhamos a ter uma oportunidade como a dos ingleses, mas não é a olhar para o ar que conseguiremos resultados. - declarou Muriel quando se levantou para preparar um caneca de café.
- Acho que descobri um interessante para nós. - interveio Jamie ajoelhada em cima do sofá.
Com a curiosidade de ir ver do que se tratava, Muriel entornou café nas calças e no chão. Mas mesmo assim aproximou-se das duas sem deixar de resmungar consigo própria. Espreitou para o jornal e procurou o local exacto.
- Vou ler. - disse Jamie levantando o jornal. - "Cientista residente nos arredores de Los Angeles necessita de duas a quatro assistentes de preferência do sexo feminino, com idades compreendidas entre vinte e trinta anos. Aceitam-se grupos. Por dois meses, quinhentos mil dólares. É pedido a todas as candidatas que não tenham qualquer membro directo de família. Alojamento e alimentação garantido durante o tempo de permanência", e depois vem o endereço. Nada mais. Que acham? Hum! Vá digam qualquer coisa...
- Tu deves estar doida! Um emprego com risco de vida! - exclamou Kate furiosa levantando-se do sofá.
- Pensa no dinheiro... Quinhentos mil dólares em dois meses! É uma óptima oportunidade. E nós não temos família. Os membros mais chegados já morreram todos. Apenas receio do que nos possa acontecer. Mas acho que se tivermos cuidado, tudo correrá sem problemas. É de tentar. - afirmou Muriel antes de beber de seguida o resto do café que tinha na caneca.
- Não vai acontecer nada do que estão para aí a pensar! Nunca fomos azarentas, sempre tivemos sorte. Visto que concordam, vamos ver o ambiente hoje, depois do almoço.
- Eu não concordo... mas como eu nunca tenho a palavra em nada... tenho mesmo de concordar. - resmungou Kate enquanto caminhava para a cozinha.- Isto, ainda vai dar sarilhos! Lembrem-se bem do que eu disse! Sarilhos! Sarilhos! E mais sarilhos!

Sempre sonhei ser a Princesa Leia...

... e não é que consegui? ;-)

Ri à gargalhada quando vi este filme feito com o JibJab

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Puzzle (1ª parte)

Encostada à cadeira e com a mão batendo na ponta do nariz olhei pensativa para aquelas peças.
Estico a outra mão e mexo nas peças para saber ao certo o que fazer com elas.
Levanto o sobrolho e aproximo-me da mesa.
Tenho um puzzle para fazer e nem sei por onde começar.
Pego, então, na parte que gosto mais.
Coloco o olho, fechado ainda, no local certo.
Procurando a simetria, coloco o segundo do outro lado.
Estico-me para ir buscar mais uma peça e encaixo-a de modo a terminar o rosto.
Com um leve sorriso nos lábios, passo suavemente com a ponta dos dedos sobre o bocado do puzzle já feito descobrindo aquele rosto.
Sento-me na ponta da cadeira e abro um botão do meu vestido.
"Porque sinto este calor?", penso.
Pego noutra peça e crio um ombro, depois o outro e depois... apresso-me a criar o tronco.
Paro uma vez mais e não consigo deixar de sentir aquele calor perturbador.
Afasto as pernas e vinco os dedos dos pés no chão como que procurando controlar-me e prossigo a colocação das outras peças, devagar... muito devagar.
Levanto-me e, sem conseguir esperar, coloco as peças das pernas e pés.
Afasto-me e contorno-o.
Aquele puzzle está completo e diante mim.
Admiro-o desapertando outro botão do meu vestido.
Solto um leve suspiro de satisfação pelo trabalho feito e levo as minhas mãos a tocá-lo novamente.
"Peça a peça, completei-te", sussurro.
E então, abres um olho...



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um dia

Um dia vou saltar e não chegar ao fim.
Um dia vou chorar e serem só sorrisos.
Um dia vou dizer-te um redondo Não porque não mereces o Sim.
Um dia vou dar aquele beijo que nunca dei e vou saber que não o tornarei a dar.
Um dia vou parar o coração só para te escutar.
Um dia vou nevar-te beijos e nunca sentirás o frio.
Um dia vou nadar e nunca sair da tua pele.
Um dia vou deixar de ser descobridora para passar a ser descoberta.
Um dia vou estender a minha mão e sentir que não és um sonho em vão.
Um dia vou ser limpa pelo mar para depois me prenderes nas tuas encostas.
Um dia vou trocar um beijo pelo teu desejo.
Um dia quero deixar de sentir os meus lábios porque os esgotei de tanto me dar.
Um dia vou caminhar e não sentir os pés porque estarei a voar.
Um dia vou gritar mesmo tudo que tenho guardado no mais profundo da minha alma.
Um dia vou tocar o céu não graças a ti.
Um dia vou dar uma bofetada ao tempo pelo que ele me fez perder.
Um dia vou arrancar a sombra que me tapa de tudo.
Um dia vou deixar de pensar porque assim conseguirei viver.
Um dia vou fazer um feitiço para eu me enfeitiçar.
Um dia vou parar de desenhar círculos que não saem do lugar para que possa desenhar pirâmides que me levam ao alto.
Um dia vou largar a minha alma para que ela te encontre já que eu não o consigo.
Um dia vou percorrer os teus cabelos com os meus dedos como quem está cego e procura ver.
Um dia vou ser quem está dentro de mim.

sábado, 15 de maio de 2010

Walking with Dinossaurs

Hoje recuei no tempo com o meu filhote. Fomos visitar os dinossaurios...


Walking with Dinossaurs - Pavilhão Atlântico, Lisboa, 15-05-2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Se eu fosse

Se eu fosse uma espada desbravava os braços inimigos que te prendem de mim como uma corrente que não se consegue partir.

Se eu fosse um soldado depunha as minhas armas mais secretas junto dos teus pés para que me tornasses tua prisioneira.

Se eu fosse uma marinheira navegaria pelos sete mares e mais além para te levar para um porto seguro.

Se eu fosse o vento queria arrancar-te do chão para te levar até aos céus comigo, prendendo-te no meu turbilhão.

Se eu fosse uma veia jamais permitiria que o sangue se esgotasse para te aconchegar no canto mais calmo do coração.

Se eu fosse uma gota transformaria o meu cair numa chuva para depois, como um rio, percorrer o teu rosto beijando-te.

Se eu fosse uma folha não te deixaria escrever em mim porque estaria cheia de palavras para nunca me esqueceres.

Se eu fosse uma corda deixaria de ter força para que a entrelaçasses em nós.

Se eu fosse uma flor só te podia ter dentro de mim ceifando o meu néctar para teu deleite e prazer.

Se eu fosse uma árvore esticava os meus ramos para te proteger oferecendo-te a minha raiz para floresceres.

Se eu fosse o tempo puxar-te-ia para os meus braços e pararia o universo só para te ter imortal para mim.

Se eu fosse uma palma da mão não pararia de jorrar beijos para os depositar em ti a cada toque meu.

Se eu fosse...
Se eu fosse...

...mas não sou.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Distância

Abro as mãos e coloco-as frente a frente e pergunto: se pudesse mudar a distância?
Mexo os dedos como que mostrando os nossos gritos pelo que nos separa neste cruel intervalo.

Procuro nas palavras que não me dizes um sinal... mas mal te ouço.

Grito, mas não tenho forças para o deixar voar até ti. Perde-se no nosso caminho...

Grito ainda mais alto... tão alto, que as montanhas se desviam para que o escutes.

E nesse instante, tremo ao te ouvir. Busco no pensamento as palavras e envio-as num turbilhão pelo espaço deixado pelas montanhas.

Tal como um fósforo consumido pelo fogo, a distância desaparece... já te vejo

Estico a medo a minha mão, não querendo acreditar, e toco-te. E o teu calor trespassa fazendo-me largar uma lágrima que te acaricia, ligando-te a mim.

A música acaba... sorrimos com os olhos... dançamos uma vez mais.




(Texto escrito em parceria com o Ruy Barros http://doadordehistorias.blogspot.com/)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não me afogues

Levanto devagar a cabeça em direcção à luz fraca da noite.
Está pesada de uma sensação que me ata o corpo.
Quero mexer-me e só te sinto.
Estou presa na tua teia de saudades à espera que me venhas buscar.
Assim, dás-me madrugadas geladas.
Travo o choro que o meu coração derrama por não te conseguir neste momento.
Deixo pender a cabeça de novo, derrotada.
Provoquei-te, bem sei.
E tu desejas-me mas não admites nem a ti próprio.
Queres um amanhecer para terminar a tua história, para te exibires?
Então aqui me tens...
Estou de joelhos.

Queres que te implore?
Não o vou fazer.

Disseste-me, um dia, que eu é que era especial. Estarás tu grato por me encontrares?
Estás? Ou é tudo um jogo macabro para encher a tua índole egoísta?
Enches-me de saudades para depois não as vires buscar para ti.
Quero que tenhas tantas ou mais como as que tenho, aqui, bem no centro do ser, bem no centro do meu coração onde guardo o mais precioso.
Tu és precioso.
Ainda não percebeste?
Será que ainda não percebeste?
Porque me torturas assim, olhando daí, da tua distância?

Não me afogues em saudades.
Afoga-me em beijos.
Não me atires com saudades.
Atira-me com desejo.
Mas vem satisfazê-lo de uma vez por todas.
Vem perder-te sem te arruinares.

Como te posso consertar se não me deixas?
Sei que estás em pedaços mas queres parecer um muro.
Sei que estás desordenado, débil e a perceber que nunca sentiste o que estás a sentir.
Tens incerteza não sei que quê porque te dou todas as certezas.
Estás irritado e tolo porque sabes que se eu te beijar desfazes-te com um castelo de areia.

Vem matar estas saudades e renova-me de modo que te consiga dizer a nossa palavra, aquela que nunca disse.

Levanto de novo a cabeça devagar.
Deixo-me cair para o chão porque não me queres agarrar.
Estou, aqui, completamente rendida sob as balas da saudade que envias maliciosamente cada vez que me negas.
Que queres que te digas mais?
Que queres que te faça mais?
Em que queres que me transforme?
Não.
Não me transformarei em algo que não sou só para te agradar.
Estarias a pedir que te enganasse e eu não te engano.
Não me exijas mais nada!
Não tens esse direito!
Só podes exigir se me deres e nunca se me tirares.


(Resposta ao desafio com o tema 'Saudades')

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Estou além

Há uns anos atrás, António Variações escreveu esta letra para uma música sua. Continua actual e descreve-me tão bem...

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

Letras

Sem ser possível explicar, sinto-me dentro de ti em forma de vontade.
nAda me fará desistir do que mereço esperar de ti.
a mUdança não é um vento fácil mas sim desafiante.
acorDo de todos os sonhos com réstias de ti.
trabAlhas-me como quem trabalha uma peça de arte... lentamente.
arrepenDo-me dos segundos que não habitas em mim.
apanhas-mE quando vou no ar porque me queres seguir até às estrelas.
arrastaS-me com o cordão das saudades.

(resposta a um desafio com o tema 'saudades')

sábado, 8 de maio de 2010

The Sandpit

Enviaram-me este video através do Twitter e achei um mimo.
A maneira como foi filmado parece mesmo uma cidade em miniatura mas trata-se de imagens reais de Nova Iorque


A day in the life of New York City, in miniature.
Original Music: composed by Human, co-written by Rosi Golan and Alex Wong.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Baile de Máscaras

Naquela noite sentia-me algo insegura por ir aquela festa sem conhecer ninguém. Mas algo me puxava para o fazer. "Uma loucura", pensei "Preciso. Preciso de uma loucura".
À medida que caminhava para a entrada o coração batia cada vez mais rápido.
Ajeitei a mascara veneziana de tons prateados e azuis e olhei melhor para o vestido que vestia: era azul-turquesa, comprido, justo, num maravilhoso corpete que salientava a minha pele branca e as curvas do peito. O tema era o clássico e eu sentia-me uma donzela. Na verdade, sentia-me uma princesa.
Quando cheguei ao grande salão, respirei fundo e enchi-me de coragem e desci cada degrau devagar. Senti que tinha olhares sobre mim. Afinal o baile de máscaras estava cheio e animado.
Levantei o olhar, olhei em redor e questionei o que fazia ali. Rapidamente, alguém veio pedir para dançar comigo.
Aceitei.
Respirei fundo e lá fui eu. Sorri e deixei-me ir na dança mas não estava ali. Subitamente, o meu olhar encontrou um misterioso observador encostado a uma coluna. Os seus olhos por debaixo da mascara, pareciam despir-me. Baixei o meu olhar e prossegui a dança.
Mas era hipnótico. Os olhos cruzaram-se de novo. Ele não conseguia parar de me olhar e, eu, por mais que desejasse não conseguia parar também.
Vestido de negro, de máscara negra e reluzente, parecia que me atraia sem piedade.
A música terminou e o meu par pretendeu continuar mas eu recusei.
Foi então que senti a minha mão a ser tocada e arrepiei-me.
Era ele.
Sem parar de me olhar agarrou-me e começou a dançar a nova música e eu, completamente sem reacção, sentia o coração acelerado junto ao seu peito. O quente estava a inebriar-me. Confesso que estava submetida aquela magia.
Os seus olhos pareciam que brilhavam e devagar entre rodopios que faziam agitar a longa saia do meu vestido, levou-me para fora da zona de dança. Parámos de dançar e apertando-me a mão guiou-me para outra zona daquele enorme palácio.
Era como se fosse seu dono. Conhecia cada recanto.
Receio, loucura e mistério levaram-me a não recusar o seu encaminhar.
Chegámos a uma escadaria obscura, iluminada pela luz exterior.
Os seus olhos não paravam de me cravar admiração e então a sua mão tocou-me o rosto... devagar. O polegar forçou a entrada nos meus lábios e eu acariciei-o com a língua. Tapou-me a cara com a mão e senti um gemido seu.
- O que está a fazer?, perguntei.
Virou-me de repente e, colocando-se nas minhas costas, disse agarrando-me no pescoço:
- Sedução...
Não resisti em largar um suspiro profundo. Queria mesmo sentir tudo aquilo.
As suas mãos começaram a descer e, depois da pele livre, encontraram os primeiros sinais do corpete do vestido. Puxou a fita e a pressão dos meus peitos ofegantes tratou de fazer o resto. Nada consegui fazer contra o seu toque explorador.
A sua respiração não parava de me dar ordens junto ao meu ouvido. Fechei os olhos e não queria acreditar que fosse possível estar a permitir tal coisa de um desconhecido.
Abraçou-me pela cintura e deitou-me nos degraus da escadaria de pedra.
Explorou-me de novo. E eu segurei-lhe nos cabelos escuros e puxei-o para os meus lábios. Não consegui aguentar mais. Tive de o beijar. Era como se já o conhecesse de outras vidas.
A mão quente e já suada de desejo levantou-me o vestido e nada pude fazer perante a sua tirania.
Os olhos batalhavam-se num jogo de volúpia e prazer. Os lábios não se tocavam... provocatoriamente.
Respirei fundo e deixei-o entrar. Deixei-o entrar na minha muralha. Estava rendida.
Os olhos olharam-se de novo e larguei uma lágrima por não saber onde estava se no céu ou no paraíso.
Ele, sorriu e respondeu-me com a pele e queimor do seu apetite por mim.
Tremeu e eu tremi.
A escadaria pareceu-me desmoronar com a força com que ele segurava nas minhas mãos cravando-me na pedra fria mas quente de nós.
Encostámos testas e deixámos sair sussurros.
- Amo-te. - deixei escapar ainda ofegante.
Por entre um sorriso malicioso, ele respondeu:
- Para o nosso próximo aniversário de casamento prometo fazer ainda melhor.

(resposta a um desafio com o tema 'Sedução')

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Podes

Podes dar-me a Lua mas se não a admirares ao meu lado, não me chega.
Podes dar-me todos os diamantes mas se não me tocares, não me chega.
Podes dar-me a tua mão mas se não quiseres sentir a minha, não me chega.
Podes dar-me a túlipa da cor que não existe mas se não me abraçares com os teus braços, não me chega.
Podes dar-me mil garrafas com uma mensagem dentro mas se não sentires o que escreves, não me chega.
Podes dar-me um livro escrito por ti mas se não mo leres, não me chega.
Podes dar-me as ondas do mar mas se não me banhares com o teu respirar, não me chega.
Podes dar-me as mais belas rosas mas se não me deres o teu perfume, não me chega.
Podes dar-me o sopro para acordar mas se não quiseres respirar comigo, não me chega.
Podes dar-me as gotas de água para sarar a minha sede mas se não beberes comigo, não me chega
Podes dar-me tudo mas se não me deres a verdade, não me chega.
Podes dar-me a tua vida mas se não a conjugares com a minha, não me chega
Podes dar-me versos imortais mas se não escrevermos juntos um poema, não me chega.
Podes dar-me o céu estrelado mas se não o tocares comigo, não me chega.
Podes dar-me a nascente mas se não procurares a foz nas minhas águas, não me chega.
Podes dar-me a cor mas se não desejares a minha luz, não me chega.
Podes dar-me o teu grande amor mas se não quiseres amar-me, não me chega.
Podes dar-me o troféu que conseguiste na tua maior batalha mas se não lutas a meu lado, não me chega.
Podes dar-me a tua voz mas se não me quiseres ouvir, não me chega.
Podes dar-me o que preciso mas se não necessitares de mim, não me chega.

Diz-me... afinal o que me QUERES dar?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quero que saibas...

que nada é mais importante que o nosso próprio estado de espírito...
que preenches os momentos vazios do meu dia a dia...
que gostava de ter a certeza dos suspiros que deixo escapar quando te vejo...
que sei que não posso controlar o incontrolável...
que escrevo num papel o teu nome e depois o deito fora com medo de não ser real...
que me assusta o pensamento de que possas ser uma ilusão e largar-me no canto a tremer de dor...
que me apetecia pegar em ti e trazer-me para dentro do meu mundo...
que gosto de pensar que me abraças mesmo sabendo que temos montanhas, planícies e estradas a separar-nos...
que questiono todos os dias se mereces a minha atenção...
que o teu mistério assusta-me e faz-me ter dúvidas...
que não quero estar errada de novo...
que já te toquei tantas vezes sem nunca haver toque...
que não te quero perder numa batalha porque não gosto de lutar...
que desejo tocar-te na mão para saberes que afinal existo...
que não quero ter a noção da vida para a viver...
que por vezes tremo ao caminhar por não saber se consigo seguir por ali...
que vou fotografar-te como nunca ninguém o fez porque te vais despir de medos perante mim...
que teimo em esperar muito de ti...
que não sei como arranjar mais pretextos para te escrever...
que, neste momento, és a luz que não quero apagar porque me aconchega...
que apesar de não estares aqui junto de mim escrevendo comigo estas palavras, usamos as mesmas teclas...
que vivo rodeada do teu cheiro mesmo desconhecendo-o...
que pergunto se és tu que finalmente me vai ensinar a amar...
que quero que saibas que por vezes só me apetece desistir por seres como és...
que quero ser a parte que sabes que te falta...
que na realidade não sei o que esperar de ti.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Não quero

não quero olhar
não quero falar
não quero dar a minha mão
não quero sorrir
não quero acariciar
não quero beijar
não quero seduzir
não quero provocar
não quero excitar
não quero dar prazer
não quero amar...

enquanto só me deres
dúvidas... histórias... mistérios... e respostas fugidias.

Não é assim que me ganhas.

Speechless

Gosto muito desta balada da doida chamada Lady Gaga

(...) I’ll never talk again
Oh boy you’ve left me speechless
You’ve left me speechless, so speechless (...)


Lady Gaga - Speechless

domingo, 2 de maio de 2010

Eu sou...

actriz
arquitecta
atleta
bancária
caçadora
cantora
carpinteira
cozinheira
doméstica
educadora
encenadora
enfermeira
engenheira
escritora
fada
feiticeira
guerreira
heroína
inventora
mecânica
médica
modista
motorista
negociadora
pintora
policia
professora
psicóloga

Eu sou Mãe