domingo, 31 de janeiro de 2010

John Legend - This Time

Mais uma sugestão que chegou a mim e que adorei.
Este senhor tem baladas lindissímas. Música e letra.


John Legend - This Time



Ran into you yesterday
Memories rushed through my brain
it started to hit me
now you're not with me
I realized I made a mistake
I thought I needed some space
But I just let love go to waste
its so crystal clear now
that I need your here now
I gotta get you back today
 
This time I want it all
This time I want it all
Showing you all the cards
giving you all my heart
This time I'll take the chance
This time I'll be your man
I can be all you need
This time its all in me.
 
I hit the bar everynight
Looking to score a good time
It's not like I planned it
I'm left empty handed
'Cause im still alone in my mind
Now what will it take to feel right
Can I come see you tonight?
Is there someone new now?
What can I do now?
Cause I need you back by my side
.
 
This time I want it all
This time I want it all
Showing you all the cards
giving you all my heart
This time I'll take the chance
This time I'll be your man
I can be all you need
This time its all in me.
 
Last time I wasn't sure
This time I will give you more
I'm more mature
I'll show you
Last time I didn't know
I messed up and let you go
I need you
don't say no.
 
Lying alone in this room
All that is missing is you

pick up the phone
want you to come home
 
This time I want it all
This time I want it all
Showing you all the cards
giving you all my heart
This time I'll take the chance
This time I'll be your man
I can be all you need
This time its all in me.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Foto 0005

Há fidalgos,
príncipes,
bobos,
mas eu quero que sejas simplesmente o meu Rei.
Vai balão, vai dizer-lhe!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Oiço a música

Fecho a luz e deixo entrar a claridade da noite no quarto.
Carrego no botão... e começo a ouvir a música.
O piano começa.
Depois, vem o saxofone e misturam-se.
Juntam sons como se tratasse de uma mistura de corpos ansiosos por amor.
Sedução de teclas.
Provocação de metal.
O piano torna a dominar e imagino que me tocas como se eu tivesse todas aquelas teclas marcadas na minha carne.
O saxofone vem logo a seguir porque, tal como tu, também ele quer o calor da minha pele.
Pego na minha mão e comando-a a percorrer o corpo que aquela música toca.
Centímetro a centímetro.
Recanto a recanto.
Começo a dançar movendo-me como se me baloiçasses nos teus braços.
Rodopio, levanto alto a perna, agito com graça os braços num bailado que o piano e o saxofone obrigam-me a dançar.
Dispo-me e danço ainda mais livre naquela semi-escuridão.
O ritmo do piano aumenta, o saxofone acompanha-o, eu movo-me ainda mais até que a música pára e deixo-me cair deitada no chão... exausta.
O peito levanta e baixa, rápido numa respiração que diz tudo.
Abro os olhos quando sinto o teu beijo.
Estiveste ali sentado a ver-me desde que pediste para eu colocar aquela música.


Foi nesta música que agarrei a inspiração para este texto. Nota: não há saxofone mas piano só ;-) Foi o suficiente.

Herbie Hancock And Annie Lennox - Hush Hush Hush

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Elfo

A fada, de mãos nos bolsos dos calções, caminhava pensativa por um carreiro de terra batida no bosque. Suspirou e olhou para o céu. Mas quando voltou a olhar para o chão, reparou no que parecia ser uma letra.
Agachou-se e viu que de facto se tratava de uma letra. A estranhar tal achado, pegou nela e esta agitou-se de tal forma que caiu no chão.
As asas esticaram-se mostrando a surpresa da fada. Quando tentou pegar de novo na letra, esta mexeu-se e afastou-se uma vez mais da sua mão. Irritada, franziu a testa e foi quando encontrou uma segunda letra.
Esticou as mãos para as agarrar mas elas fugiram avançando mais no caminho até pararem junto de uma terceira letra.
A fada coçou a cabeça intrigada e saltou para cima das letras mas estas esquivaram-se e fugiram.
E logo a quarta letra apareceu.
A sacudir a terra da camisola e calções, a fada reparou em mais letras. Agitou as asas e decidiu seguir o seu rasto. Há medida que se aproximava das letras, estas fugiam para junto da seguinte. A bater as asas a fada foi seguindo o aglomerado de letras fugidias. De repete, a sua varinha mágica da Paciência, que repousava na cintura, puxou-a com rapidez no ar o que a fez ultrapassar as letras.
O carreiro parou junto de uma figura que, a caminhar, escrevinhava algo num livro.
Mas à medida que escrevia, as letras pulavam da folha para o chão e aninhavam-se como se soubessem bem o seu lugar ali na terra daquele caminho.
A fada flutuou um pouco mais e pousou suavemente à frente do elfo.
Este, ao dar pela sua presença, levantou os olhos do livro e depois ergueu a cabeça. Os olhos castanhos brilharam e então sorriu.
A fada, timidamente, retribuiu o sorriso e disse:
- Hum... Certamente já reparaste que andas a perder letras, não?
O elfo mostrou-lhe o livro e as folhas estavam escritas.
- Mas... mas... mas então o que são aquelas letras ali? - disse apontando para o monte de letras atrás do Elfo.
- São as minhas palavras. - E piscou o olho.
- Mas assim ficam perdidas! - retorquiu a fada esticando o braço a apontar para o chão. - Ninguém as lê ali no chão.
O elfo tornou a sorrir e beijando a mão da fada disse:
- As palavras nunca se perdem porque há sempre alguém que as lê. E assim... encontram-nas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

São assim os teus beijos?

Se as gotas da chuva são beijos teus então quero encharcar-me.
Se a areia da praia são beijos teus então quero ser as ondas do mar para te abraçar cada vez que chego à costa.
Se as folhas das árvores são beijos teus então quero ser o Outono para te sentir a cair em mim.
Se as estrelas são beijos teus então quero ser o céu para te acariciar dia e noite.
Se as notas são beijos teus então quero ser uma sinfonia inacabada para nunca te parar de ouvir.
Se os ventos no cimo da montanha são beijos teus então quero ter asas para conduzires o meu voar. Se o calor que sinto quando penso em ti são beijos teus então não tenho medo do Inverno porque sentirei sempre o Verão em mim.
Se o vinho que bebo são beijos teus então quero ser a terra de onde se alimentam as tuas raízes.
Se as letras são beijos teus então quero ser um livro em branco para tu o encheres de palavras.
Se a distância são beijos teus então quero ser do tamanho do mundo para nunca parares, rodopiando em mim.
Se o perfume das rosas são os beijos teus então não quero sair do teu jardim.
Se os passos que dou são os beijos teus então não quero ter destino para nunca parar de caminhar.
Se os beijos que te quero dar são os mesmos que tu me queres dar, então não conseguimos parar de pensar no momento.

São assim os teus beijos?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Fui até...


Rodopiei e subi até às nuvens e...

... encontrei-te lá.

Rodopiavas também.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Last look at Eden

Enviaram-me esta sugestão musical.
De vez em quando gosto de ouvir este tipo de músicas...
O 'lado negro' vem ao de cima...

Europe - Last look at Eden

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Uma carta de amor

Estico a folha sobre a mesa junto à janela.
Olho para o céu e pego na caneta.
Desvio a cabeça e olho de soslaio para o rádio onde comecei a ouvi aquela música.
Respiro fundo e deixo o coração comandar a minha mão.
Escrevo-te.

Escrevo-te sem ter tinta.
Mas as palavras surgem no papel, desenhadas e bem reais.
Estás no meu pensamento cada segundo que ainda não vivi.
Habitas no meu corpo sem nunca me teres tocado.
Respiras junto ao meu ouvido sem estares aqui.
Povoas as minhas imagens sem nunca te ter fotografado.
Controlas a minha inspiração sem parar.
Puxas pelas palavras que a minha mão escreve sem eu as conseguir travar.
Abro a boca e grito mas só sai o silêncio porque me beijas com a saudade.
Largo a canela, mas as mãos continuam a escrever estas mesmas palavras.
És as marcas da sina na palma da minha mão, aquela mesma mão que me acaricia todos os dias por ti.
Estás escrito em mim.
Não quero estar aqui, não porque não estejas a meu lado, mas porque não consigo respirar sem ti...
aqui...
neste lugar...
neste instante
nesta vida.
Mordo-me para acreditar que não estou a viver uma ilusão.
Mas
vejo-te,
leio-te,
imagino-te.
Suspiro sabendo que vai até ao caminho que te conduz a mim. Ai! Porque me atormentas assim?
As linhas surgem umas atrás das outras despertando sentimentos e ansiedades escondidas e que apertam o peito como que se quisessem sair e não pudessem!
O amor não se escreve... Sente-se.
Porque quando se escreve já ele existe.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Chocalhar o Mundo

Viajo pelo espaço e encontro um cantinho belo e calmo chamado Sistema Solar.
Aproximo-me da sua estrela e no caminho encontro um planeta lindo!
Aproximo-me daquele ponto no espaço e observo melhor aquele cosmos que imana beleza e luz. Os azuis, verdes e castanhos sarapintados de branco fascinam-me.
Mal o observo melhor, sinto uma sensação estranha e repulsiva.
Sinto podridão, maldade, desrespeito, crueldade, injustiça, dor...
Franzo a cara ao me sentir tão mal.
Decido fazer algo.
Pego no planeta, retiro-o do local que estava e começo a chocalhar com força.
Paro e olho.
Não satisfeita, chocalho de novo.
Vejo tanta porcaria cair para o espaço e desaparecer.
Olho para o planeta de novo e, ainda não satisfeita, chocalho com mais força e lá vejo mais lixo a cair.
Nunca imaginei que flutuando assim tão belo no espaço, este planeta escondesse grandes desastres.
Coloco-o no lugar e lá o deixo novamente a rodar à volta da estrela.
Agora já está mais limpo. Já posso ir embora.
Sabem...
somos observados à distância, protegidos à distância mas... flutuamos tão frágeis num espaço imenso.
Tão s o l i t a r i a m e n t e frágeis e julgamo-nos fortes e invencíveis.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Foto 0004

Deixas-me voar?
Deixa-me pegar neste avião e sentir o ar na minha cara pegando na tua mão...
Deixa-me pegar na tua mão e voar...
Deixa-me voar até ti!
Deixa-me voar contigo sem abandonar o solo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Abraçar a imensidão

Hoje acordei a imaginar-te ao meu lado.
E...
apeteceu-me abraçar a imensidão.
A imensidão da tua expressão quando olhas para mim...
a imensidão de contentamento que as tuas palavras me fazem sentir quando as leio...
a imensidão da nossa cumplicidade.
Nunca é tarde para se abraçar a imensidão...
porque a imensidão torna-se pequena quando estás comigo.
Porquê abraçar um corpo se te posso abraçar a essência?
Palavras...
... Para que preciso delas?
Para abraçar a imensidão?
Sim...
Que de outro modo te posso abraçar assim?
És a imensidão do Universo feito corpo e beijo, feito Ser que existe em mim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chocolate

(Eu e o Jumpsun criámos este texto de improviso no twitter)


(j) Era um dia igual, como tantos outros, com a diferença que o céu perdia a sua cor celestial dando vez ao tom cinzento.

Ela olhou para cima e reparou numa porta aberta. Seria ideal para se refugiar da chuva. Mas quando entrou e esperava pelo amainar dos pingos sentiu um cheio a chocolate vindo do fundo da escada

(j) O cheiro despertava a sua imaginação, para locais distantes e quentes. Mas a sua curiosidade levou-a a descobrir a fonte do perfume.

Desceu uns degraus e apercebeu-se que o cheiro era cada vez mais forte. Encontrou uma porta entreaberta e espreitou e viu uma figura...

(j) Mas o perfume não vinha dali, virou os olhos novamente para as escadas, aí sim o prazer do aroma convidava às pálpebras a tocarem-se.

Voltou-se e subiu quase a correr as escadas até ao 1º andar. E encontrou uma porta pintada de castanho, o castanho chocolate. No meio tinha um botão vermelho. E sem saber porque carregou nele.

(j) tocou a porta com as mãos e sentiu que como a cor também ela estava quente e suave, foi empurrando com delicadeza sem saber o que iria descobrir.

A porta abriu-se e o cheiro tornou-se mais intenso. A medo, deu alguns passos e tentou ver se encontrava alguém. Mas uma pinga de chocolate caiu no seu pescoço. Quando ia limpar, sentiu-se tocada...

(j) e uma voz sussurrou-lhe ao ouvido:"Desculpa mas este não é o produto final, mas sim a matéria ainda em bruto!" Essa voz estremeceu-lhe a espinha e provocou-lhe uma leve sensação de arrepios.

Não conseguiu virar a cara para ver quem lhe falara mas deixou que ele limpasse com os dedos os vestígios da pinga de chocolate. Só depois conseguiu virar-se para conhecer o rosto daquela presença súbita e perturbadora.

(j) Quando os seus grandes olhos alcançam o rosto este esboçou um sorriso, e convidou-a a partir para uma aventura de descobertas.

Olhou-a nos olhos e pegando na mão, levou-a para a cozinha onde reinavam pedaços de chocolate por todo o lado. Todo menos na mesa, imaculadamente limpa.

(j) Naquela panóplia de panelas estavam chocolates de varias cores e sabores, mas ela continuava intrigada do porque da mesa vazia?... Então pergunta: "Porque é que a mesa está vazia e limpa?" Ao que ele responde:"Espera e verás e sentirás!"

Ele sorriu e derramando um pouco de chocolate liquido na mesa tocou-o com o dedo.

(j) Pegou então nas mãos dela e levou-as ao chocolate derramado ainda morno. Ela sente um novo arrepio nas costas, entretanto ele veda-lhe os olhos com uma venda .

"Porque fazes isto?" perguntou ela. "Sentir os cheiros e o quente sem ver é bem mais memorável que o simples saborear de uma iguaria", respondeu ele. Pegou na mão dela, com o chocolate a acariciar o dedo e levou-o aos lábios.

(j) O calor do chocolate era contagiante, pois o seu corpo transformava-se numa chama que desejava ser alimentada.

A respiração começou a dominar o silêncio daquela cozinha impregnada dos cheiros doces. E o dedo já limpo do chocolate, esticou-se no vazio procurando aquele homem misterioso. Virou a cara e então sentiu o quente junto ao seu ouvido.

(j) Então uma brisa em tons poéticos saiu da boca dele ao encontro do ouvido dela, despoletando a aceleração das batidas do coração. E depois disse-lhe: deita-te na mesa...

Perdida e ansiosa, ela deitou-se e esperou. Num arrepio sentiu o chocolate a cair levemente num fio sobre os seus lábios. Abriu a boca e deixou que ele entrasse, saboreando-o sem se aperceber que aquele homem a despia com o olhar.

(j) Entretanto ele começa por desenhar os contornos do corpo com o fio de chocolate começando pelos pés subindo pelas pernas... Faz uma pausa de momentos e escolhe outro tipo de chocolate, opta então pelo chocolate negro, contorna então a silhueta da anca...

Pega na mão dela e estende o braço e deixa cair sobre ele o fio do chocolate. Pára e olhando para aquela mulher desconhecida, começa a limpar o que desenhou com a ponta do dedo e língua.

(j) O calor do corpo mantém o chocolate derretido, que atrevidamente vai deslizando pelas montanhas e pelos jardins proibidos, soprados pelo ar quente libertada pela respiração ofegante.

O escuro do chocolate mistura-se com o claro dos corpos e, ali em cima daquela mesa, criam doces e misturas de receitas ancestrais que nunca perderam a sua magia.

(j) E no meio nascem duas esculturas negras de chocolate cheias de vida de paixão, desenhando paisagens cheias de sensualidade e erotismo.

Tocam-se, beijam-se com o toque, misturam sabores, esquecem-se do tempo, repetem os delírios e cheiram-se sem parar...

(j) A temperatura dos seus corpos continua a subir, ele lentamente com as mãos camufladas pelo chocolate vai tirando o embrulho impregnado de chocolate, expondo o recheio maravilhoso do corpo dela.

Ela, esperando por mais delícias, deixa-o reinar naquela mesa. Suspira e geme por nunca ter sentido tais emoções que a puxam para todos os sentidos.

(j) Perante aquele busto alba ele volta a criar contrastes de cor deitando sobre aquele corpo hirto de paixão e desejo linhas de chocolate. Criando matrizes de sentidos e cor e poesia de sons e gemidos.

Desenha com o fio de chocolate, com a sua boca e dedos. Perdida, ela pede para tirar a venda e ele nega. Tapa-lhe a boca com a sua mão quente e suave e ela pára rendida aquele momento.

(j) Mas a curiosidade e o desejo incontrolado fazem com que as mãos delas procuram o corpo em chamas do homem que a incendeia.

E de repente, ele passa de cozinheiro a prato nas mãos dela. A venda tapa agora os seus olhos e a pintura com o chocolate começa a cair no peito nu vinda das mãos ansiosas dela.

(j) Ela puxa então o corpo dele para junto dela e no contacto fervilhante de prazer ela marca o corpo dele com toques de beijos.

O chocolate já não interessa naquela fusão. Importam os rios de batidas e arrepios que passam por aqueles dois corpos naquela mesa, naquela cozinha. O fim leva-os a olharem bem nos olhos e a descobrirem que afinal já se conheciam.

(j) Sim, já se conheciam na vontade de se darem os seus corpos para serem tocados pelo desejo do outro e regados pelo prazer da paixão

"Olá querido" disse ela a sorrir. "Demoraste.", murmurou ele "Não conseguia encontrar a rua." respondeu ela a sorrir beijando-o. "Gostaste da surpresa?" perguntou ele. "Adorei e agora é a minha vez de te surpreender. Um dia destes." E beijando-se riram alto satisfeitos com aquela loucura.

(j) E nesse beijo selado pelo suor e o chocolate unem os seus corpos que por magia se tornam num só no jardim de risos e arrepios.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Se não és o tal...

... porque me consegues ler tão bem?
... porque sabes o que vou fazer antes de eu mesma saber?
... porque conheces tão bem as músicas que me levam daqui?
... porque me tiras o ar e eu não morro mas sim nasço?
... porque passa o tempo e o que sentimos nunca envelheceu?
... porque caminho e tu sabes onde coloco o passo seguinte?
... porque paras o sol para ele nunca me faltar?
... porque colocas as batidas do meu coração em músicas que não te saem do ouvido?
... porque me fazes sentir que me lavas quando me banho em águas longe de ti?
... porque limpas todas as mágoas que já senti na vida?
... porque dizes que não me consegues esquecer nem no segundo 61?
... porque ouves aquela canção que tem o meu nome e só te dá gana para me apertares nos teus braços?
... porque só me queres a mim no teu jardim de mulheres?
... porque só pensas em me levar para aquela varanda e ali selares o que nunca foi selado?
... porque nunca usaste a palavra amar com ninguém e deixaste escapá-la naquele dia, comigo?
... porque mostras que não tens nada se não tiveres o tudo que te posso dar?
... porque me fazes sentir que os anos não passaram por nós?
... porque só tu sabes dizer o meu nome?

Se não és o tal então porque é que o destino nos juntou de novo mas deixou-nos longe um do outro?


Il Divo - Isabel

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Barba

Olhava para ti junto à janela a veres a chuva a bater nos vidros.
Descaí o olhar para o teu rosto e reparei que não tinhas feito a barba.
Sentiste que te observava e desviaste o olhar encontrando-me.
Levantei o sobrolho e aproximei-me.
Quando ia para te beijar, travaste-me.
Segurando-me nas faces, sorris, e encostas o teu rosto ao meu fazendo-me sorrir também.
Mas apercebo-me que no meio daquelas carícias, desejas remexer ainda mais com os meus sentidos.
A chuva bate com mais força na janela e tu começas a tua descoberta, escavando-me com a tua barba.
Deixo que desças, picando-me sem piedade.
Roças na pele acariciando-me como gosto e sentes bem o que a minha mente transfere para o meu corpo.
Não resisto em abrir a boca e deixar sair um som que me faz fechar os olhos.
Levanto a mão e coloco-a na janela. A marca dela fica nos vidros embaciados.
Vestes-me com a tua barba deixando-me colorida de vontades.
Sobes de novo e despes-me de vergonha.
Pegas-me na mão que marca a janela e num beijo longo depositas a barba na sua palma oferecendo-me a tua luxúria.
Aproximas-te do meu rosto mas não queres tocar nos meus lábios.
Neles... não tocas.
Sabes que são eles que agora te vão percorrer o corpo arrepiando-te tal como me arrepiaste.
Vão ser eles o teu prémio pela tua barba em mim.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pedras

Caminho levando algumas pedras comigo.
Vão no bolso do casaco.
Fazem volume mas não pesam muito.
Há dias em que sinto mais pedras, e outros, em que sinto menos.
Mas há dias em que olho para o bolso e vejo uma pedra pequena e que pesa como uma montanha.
E essa pedra não me deixa avançar.
Deixa-me presa.
Faço força com as pernas e braços e nada. Não saio do lugar.
Debato-me com a garra de avançar mas sou controlada pela incapacidade de não sair do lugar.
Olho para mim e descubro o que fazer.
Desabotoo o casaco e prossigo sem ele.
Mas depois surgem mais pedras e eu largo as calças.
Sigo em frente.
E sinto que tenho pedras no sapato e atiro-o para longe.
Nua já não tenho onde guardar pedras.
Mas sinto-as na mesma.

Há dias que por muito que puxe uma montanha, ela não se move.
Há dias que basta dar um passo decisivo e a montanha transforma-se num bater de asas de um pássaro que voa livre.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Apeteceu-me ouvir...

Batidas do meu coração perdidas...
... navegam por aí
Não as queres apanhar?


Sara Tavares - Nha Cretcheu

domingo, 10 de janeiro de 2010

Neva?

Neva em cima de mim.
Neva os beijos perdidos que me enviaste um dia.
Neva o frio do quente que sentimos.
Neva o branco que ilumina o caminho que queremos percorrer.
Nevas em mim.
E eu não sinto frio.
Neva?
Neva sim.
Neva a neve que ninguém consegue derreter.
Neva a neve que me mandas dos céus.
Levanto o rosto e deixo que me beijes.
Neva?
Neva pedaços do Tempo que é nosso e que derretemos quando nos tocamos com a pele de saudades.

sábado, 9 de janeiro de 2010

David Cook - Come Back To Me

Descobri esta canção e este video ontem e entrou no meu coração.


David Cook - Come Back To Me

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Foto 0003

Sobre as palavras caminhamos.
E com as palavras dizemos o que sentimos.
E com as palavras falamos do silêncio.
Hoje, terminei com o silêncio que não era meu.
Terminei com um silêncio que já não tem palavras para me encantar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O livro que não li

é aquele que ainda não escreveste.
Não o escreveste porque ainda não me sentiste.
Olha para mim e encontra-me.
Não observes o vento que nunca se vê nem o frio que sempre sentes.
Olha para a pele que eu te ofereço e para o quente com que te premeio.
Choras?
Pois sim... deves chorar porque assim sabes o que escrever.
A dor, a saudade cria histórias.
Escreve.
Escreve... sabendo que só escreves se eu estiver em ti.
Agitas a cabeça, gritas porque não sentes as palavras.
Sim...
porque não me conheces.
Abre os olhos e vê-me aqui e não ali onde eu não existo.
Escreve o livro que eu nunca li porque não o sabes escrever enquanto só avistares a folha que se veste de restos desvanecidos de ti.
Procura as folhas cheias do teu livro em mim.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dia de Reis

A fada ajeitou a posição da caixa no papel de embrulho aberto sobre a mesa. Bateu as asas e voou até ao outro lado e começou a dobrar o papel tapando a caixa. Já pronto, o embrulho esperava por uma fita colorida que a fada tinha pedido ao arco-íris.
Todas as cores brilhavam no topo daquele embrulho.
Rodopiou no ar feliz e devagar pousou a ponta do pé no chão enquanto a outra perna ficava ligeiramente dobrada.
A prenda estava pronta.
E com ela debaixo do braço, a fada saiu de casa e voou, voou e voou até que encontrou 3 figuras já suas conhecidas.
Baltasar, Belchior e Gaspar gostaram de rever a sua amiga e num sorriso perguntaram:
- Cara Amanyes, que fazes por aqui?
A fada sorriu e respondeu pousando no chão fechando as asas:
- Ora... não podia deixar passar este dia sem vos entregar esta oferta para a usarem como quiserem. Mas, mas... é só por hoje. Depois quero de volta.
- Mas nós é que oferecemos... - lembrou Baltasar.
- É verdade. - A fada abanou a cabeça - Usem com quem acharem que necessita.
- E o que nos ofereces hoje? - perguntou Gaspar.
A fada riu e batendo as asas disse:
- Ora... coisas simples. Nada de especial.
Piscando um olho afastou-se.
Belchior começou a abrir o embrulho e reparou na fita reluzente.
Mal abriu a caixa, apareceu um arco-íris. Os três reis magos sorriram ainda mais. Belchior soltou uma gargalhada e disse:
- Vindo dela... só podia ser isto.
Dentro da caixa estava a varinha mágica da Paciência a agitar-se toda feliz pronta para entrar em acção.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E quanto pesa a nossa vida?

Já pensaram nisso? Será leve ou pesada?

Leve porque a vivemos bem...
ou pesada porque a vivemos mal?
Leve porque amamos alguém...
ou pesada porque não temos quem nos ame?
Leve porque damos valor ao que é importante...
ou pesada porque só pensamos no que não interessa?
Leve porque nos dá as sensações...
ou pesada porque não as sabemos controlar?
Leve porque nos faz desfrutar das emoções...
ou pesada porque nos leva à loucura e ao radicalismo?
Leve porque temos um amigo verdadeiro...
ou pesada porque estamos rodeados de gente e sentimo-nos sozinhos?
Leve porque cantamos...
ou pesada porque gritamos?
Leve porque ouvimos a felicidade no ouvido...
ou pesada porque choramos lágrimas por só sentir dor?
Leve porque acreditamos em nós...
ou pesada porque achamos que somos fracos?
Leve porque conseguimos nos surpreender...
ou pesada porque conseguimos nos decepcionar?
Leve porque temos saudades de quem volta...
ou pesada porque choramos de saudades de quem não volta?
Leve porque viajamos quando escrevemos ou lemos...
ou pesada porque morremos porque alguém não nos escreve?
Leve porque nos apetece gritar à janela de alegria...
ou pesada porque nos abraçamos nos nossos braços contorcendo-nos de mágoa?
Leve porque sabemos viver...
ou pesada porque não queremos viver?
Leve porque vemos crescer uma criança...
ou pesada porque deixamos de ser criança?

Afinal... é leve ou pesada a minha vida?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Não te apaixones por mim...

Não te apaixones por mim se só me despes quando já estou nua.
Não te apaixones por mim se só queres as estrelas e não a lua.
Não te apaixones por mim se só precisas do chão e não do céu.
Não te apaixones por mim se só queres o corpo e não o coração.
Não te apaixones por mim se só queres o Eu e não o Nós.
Não te apaixones por mim se só pensas no presente e não suportas o futuro.
Não te apaixones por mim se só respiras e não suspiras.
Não te apaixones por mim se só desenhas e não pintas.
Não te apaixones por mim se só me sufocas com tanto vazio.
Não te apaixones por mim se só sou alvorada e nunca o dia.
Não te apaixones por mim se só sou ouvida quando estás na multidão.
Não te apaixones por mim se só sou gente quando me abandonas.
Não te apaixones por mim se só sou teclas quando te acaba a tinta da caneta.
Não te apaixones por mim se só sou lençol se te fizer a cama.
Não te apaixones por mim se só sou poema se te der as palavras.
Não te apaixones por mim se só te sinto quando não estás.
Não te apaixones por mim se só sou tua quando não quero.
Não te apaixones por mim se só sou o teu segredo.
Não te apaixones por mim...
Não te apaixones por mim porque preciso de todos os minutos que me tiraste.
Não te apaixones por mim porque quero o ano e tu só me dás o dia.
Não te apaixones por mim porque eu procuro-te de dia e tu procuras-me de noite.
Não te apaixones por mim porque sou um conto de fadas.
Não te apaixones por mim porque não me mereces.
Não te apaixones por mim porque não quero ser testada de novo.
Não te apaixones por mim porque não queres saber quem eu sou.
Não te apaixones por mim porque tens de me dar o Tudo porque não quero só o Pouco.
Não te apaixones por mim porque sou decente demais.
Não te apaixones por mim porque provocadoramente negra e sedutora.
Não te apaixones por mim porque sem mim tu não és quem deves ser.
Não te apaixones por mim porque a paixão morre e eu quero o amor que não padece.
Não te apaixones por mim...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Castelo

Hoje estou com o lado negro particularmente activo.
Apetece-me caminhar por corredores de penumbras de um castelo...
vestida de negro, mas bela, luminosamente bela e negra!
Para te encontrar no fim das escadas, na sala grandiosa e arrepiante.
Viver contigo pedaços de dor e prazer na dança de dois corpos despidos.
Partilhamos esse segredo, os saltos ao lado oculto e sombrio da mente que nos faz ter momentos radicais só nossos.
Mundos fechados e cheios de memórias que nos dão vida.
Como banda sonora, aquela que mostro.



Within Temptation - Memories