domingo, 31 de outubro de 2010

Uma pergunta para pensar - 00011

sábado, 30 de outubro de 2010

Foto 0018

Corro, corro sem parar
porque não consigo evitar
não sei como as pernas aguentam
Não as sei travar
Estou parada a tocar
Corro, corro sem conhecer
porque não consigo saber
não sei como o coração aguenta
só o sinto tremer
Estou parada a viver
Corro, corro sem ver
porque não consigo decidir
não sei como os olhos vêem
não os sinto fluir
Estou parada a sentir
Corro, corro sem sentir
porque não consigo clarear
não sei como a mente aguenta
só a sinto a chorar
Estou parada a amar

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O dia em que roubaram a Lua

Amanyes acordou de repente da cama com o bater forte na porta de sua casa se tal modo que bateu no tecto com o salto. A resmungar e a massajar a cabeça, abriu a porta:
- Mas isto são maneiras de acordar alguém??
Uma pequenita fada, com uma expressão aflita, bateu muito as asas ao ver a cara com que foi recebida.
- Ai Amanyes andas muito mal disposta!
- Pudera!! A varinha não funciona e sou acordada a meio da noite aos gritos!! Que queres tu afinal?
- Anda cá!! - e puxando-a pelo cinto dos calções, a pequena fada levou-a até meio da rua. Apontando para o céu disse:
- Vê!
Amanyes olhou para o céu e viu as estrelas. Com visível irritação disse:
- São estrelas... e eu conheço muito bem as estrelas. Vejo-as todas as noites e não é motivo para me acordarem aos gritos!
- Não é isso! Olha melhor! Roubaram a Lua!
- Hum? - murmurou levantando o sobrolho.
Espreitou para o céu. Ainda sem acreditar, avançou para o meio da rua e rodou à procura de sinais da Lua.
- Não há Lua, já te disse, Amanyes! A Lua foi roubada. Tu tens de ajudar a encontrá-la. Tu e a tua varinha da Paciência.
- Oh raios que isto é grave...
Amanyes suspirou e a agitar as asas voou a caminho do céu.
Rodopiou, olhou em volta, observou de pernas para o ar, levantou a saia das estrelas, sacudiu os anéis de Saturno, resmungou com um meteorito distraído, espiou no rodopio de Júpiter e nada de Lua.
Foi mais longe e espreitou para dentro de um buraco negro. E este num valente espirro deixou-a zonza com os gases. Agitou a cabeça e asas e apanhou boleia de um cometa mas nenhum sinal da Lua desaparecida.
Triste por não saber onde procurar mais e por perceber que falhara na sua missão, a fada encaminhou-se novamente para terra. E foi quando reparou num rasto de pedras luminosas. Intrigada, aproximou-se devagar e a flutuar no ar, seguiu o rasto. Pegou num dos pedaços e ao levantá-lo no ar apercebeu-se de que se tratava de um bocado da Lua.
Espantada levantou os sobrolhos e continuou a seguir as pedras que luziam na noite. Foi juntando tudo num saco até que ouviu uns estranhos gemidos de dor.
Afastou a vegetação e viu um grande duende deitado de barriga para cima. A sua barriga estava enorme que até tocava na ponta torcida do nariz.
- Ai... ui... ui... ai... - gemia o duende agarrado à barriga.
Amanyes percebeu que o rasto das pedras da Lua terminava junto dele. As fartas sobrancelhas subiam e desciam à medida que o duende gemia cada vez mais.
- O que fizeste tu para estares assim? - perguntou a fada quando pousou à frente daquela criatura aflita.
O duende abriu um olho e resmungou:
- Não tens nada que saber. Vai-te embora ó fada metediça. Não te quero aqui! ai... ui...
Amanyes, colocou as mãos na cintura e respondeu com um ar nada satisfeito:
- Onde colocaste a Lua que roubaste?
- Eu??? Eu não roubei nada! Ai... ui... uiiiiiii...
A varinha mágica da fada começou a agitar-se no seu poiso, no cinto dos calções. De repente, puxou-a até um grande saco preto que o duende insistia em esconder atrás de uma árvore. Devagar e a ouvir os resmungos possíveis do duende entre gemidos de dor, abriu o saco.
A forma e a luz não deixaram dúvidas: tinha encontrado a Lua. Mas esta estava muito fraca e cheia de dentadas.
- Mas o que foste tu fazer à Lua?????
- Disseram-me que ela... ai... ui... sabia a queijo e a algodão doce... e nunca tinha comido isso... e...
- E por isso roubaste a Lua??
- Quero-a só para mim! ui... aiiiii... É muito saborosa!! É minha! É minha e só minha!
- Mas que egoísta que tu me saíste! A Lua não é para comer é para estar no céu a fazer-nos companhia!! A Lua é de todos. Até as estrelas perderam o brilho.
- Não!! Agora é minha! aiii ai... E ainda por cima... não pára de crescer... Eu é que... ui... ai... não tenho barriga para conseguir... comer tudo... Eu trinco e ela cresce passado uns dias... ai... ui... Estou tão cheio!... Mas quero mais!
- Vou devolver a Lua ao céu já! Olha para ela... tão angustiada. Dá-me um aperto no coração.
- Não vais, NÃO!! ELA É MINHA! - gritou o duende atirando-se para cima do saco.
Depois de horas de negociação, Amanyes empurrou com toda a força a Lua de volta ao seu lugar no céu. Ajeitou a posição ao inclinar ligeiramente, limpou os restos soltos mas não conseguiu disfarçar as dentadas bem marcadas do duende.
Mas ao ver o sorriso de felicidade da Lua regressou a casa porque sabia que ela iria tratar bem do assunto.
E afinal que acordo fez a fada com o guloso do duende para que a Lua voltasse ao seu lugar?, perguntam vocês.
Pois bem...
Ele podia fazer uma coisa com a promessa de que jamais a voltaria a roubar.
Desde então, sempre que todos olham para o céu e vêem a Lua num C ou num D já sabem que o duende andou a satisfazer o seu apetite deixando-a com a marca das suas dentadas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um dia vou ser

Um dia vou ser o vento que te eleva a coragem
em brisas repetidas e estáveis de um vale escondido
sem levares o pensamento medroso e escuro
a algo mais do que não seja o ser arrependido.

Um dia vou ser a raiz que nunca te fará tombar
nem mesmo os ramos gritantes num misto de tempestade
e castigo infame que me fustiga a carne ávida do teu agitar
num frio cortante que me leva a vontade.

Um dia vou ser marcada na pele pela tua essência
e vou morrer por te cheirar e nas nuvens vou parar
perdida por te querer de novo e novamente bem querer
e nada vou conseguir declarar neste meu de ti sarar.

Um dia vou ser um tornado e levar-te para o centro de mim
puxar-te pacientemente para quebrar as barreiras
que o tempo insiste em oferecer, cego e surdo
como que tapando-me de máscaras aventureiras.

Um dia vou regar a seca que sinto por não te ter
segredo que escondo de todos como um luzir do tesouro
e tapo-te na minha pele e peço que não partas
para te tecer num subtil e voluptuoso desejo duradouro.

Um dia vou ser capaz de chorar as tuas lágrimas
nas pingas e gotas que me revelam escondidas o teu pesar
numa suplica aos deuses por saberes certeiros e perfeitos
no dia que simplesmente conseguir amar sem parar.

Um dia vou ser simplesmente o que estou destinada a ser
sem mágoas, sem caminhos, sem a cruz plena
de quem um dia se perdeu e teimosamente encontrou
o descanso exausto e vigoroso de uma alma já serena.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Resgate

Acho-me comandante de mim mesma e aventuro-me no rio deixando-me ir para onde ele me leva.
Embato nas margens e não me agarro.
Enfrento as pedras e não me assusto.
Mergulho na corrente mais forte e não me afogo.
Olho para o céu e tento tocar nas nuvens e, de repente, sinto uma mão que me resgata sofregamente das águas e me puxa para um corpo sedento de mim, para uma alma que sempre soube que me encontraria.
Sem demora, finalmente, olho-te olhos nos olhos.
Sem demora, finalmente, abraças-me com força.
Sem demora, finalmente, toco-te no rosto.
Sem demora, finalmente, encostamos as testas molhadas.
Sem demora, finalmente, sentimos o cheiro um do outro.
Sem demora, finalmente, acontece.
E o beijo que ambos sonhámos vezes sem fim nas memórias da nossa alma,
no desejo da nossa vontade,
nas palavras do que escrevemos...
acontece.
E uma correria de emoções, palavras, sensações, calores, arrepios e suspiros passam por nós fazendo-nos sorrir.
Mas os lábios colam-se de novo e nem o rodopiar do vento os larga.
Estão selados,
amados,
saciados,
unidos,
acariciados,
serenos
como nunca o souberam ser.

Finalmente.

sábado, 23 de outubro de 2010

Foto 0017

As borboletas são livres de voar e tu voaste para longe de mim.
Nunca fui a tua flor.
Mas também... eu nunca fui uma flor.
Sou uma tonta borboleta que voa e não voo na tua direcção.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E na chuva veio o cheiro

Não vale a pena negar.
Quando chove sigo o cheiro com que hipnotizas os meus sentidos.
Flutuo no ar levada pela tua essência.
Puxas-me lentamente e atiras-me com gotas de uma chuva que me sara de ti.
O teu cheiro de chuva deixa-me insana, arrepiada e numa rendição enfeitiçada pelo teu toque provocador.
Agito a cabeça, agarro-me a ela para te tirar dos meus sentidos.
Mas estás espalhado por mim...
... dentro das veias...
... por cima da pele...
... e no centro de mim.
Arranho-me para te parar!
Sai!
Sai de mim ou entra por mim adentro e não saias jamais!
Tenho fome do teu cheiro no meu respirar.
Estás de volta, essência louca, que me faz perder o juízo numa luxúria de ânsia e desespero por não te conseguir tocar
Ordeno a paragem da chuva com que me molhas e comando as nuvens para me guiarem para longe de ti.
Não me construas se não fazes parte da chuva que me abraça.
É o meu herói ou a minha flecha quebrada?
Sinto a flecha cravada e deixo-me cair na poça que criei das tuas lágrimas,
que criei da chuva que fiz chover em mim e deixo inebriar-me pelo cheio das suas gotas,
na terra que é o meu corpo.
Guardo as lágrimas para a minha chuva de alma.
Crio agora, devagar, o meu cheiro de chuva.
Quero-te, mas só quando me quiseres.



Texto escrito com o tema "O Cheiro da chuva" para o desafio mensal do blog...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

You Lost Me


Christina Aguilera - You Lost Me

I am done
Smoking gun
We've lost it all
The love is gone

She has won
Now its no fun
We've lost it all
The love is gone

And we had magic
And this is tragic
You couldn't keep your hands to yourself

I feel like our world's been infected,
And somehow you left me neglected
We've found our lives been changed
Babe, you lost me

And we tried
Oh, how we cried
Oh, we lost ourselves
The love has died

And we had magic
And this is tragic
You couldn't keep your hands to yourself
...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Fada já tem rosto e nome :-)

Alguns dos meus leitores e/ou seguidores mais antigos conhecem os contos que tenho escrito em que a personagem principal é uma fada.
Não se trata de uma fada normal. É algo doida, diferente e tem como varinha mágica a varinha da Paciência...
Finalmente já tem um rosto e um nome: Amanyes.
Para quem quiser conhecer as histórias por onde esta minha 'maluca' já andou clique aqui :-)
Em breve haverá novo conto em que imaginem... alguém roubou a Lua!!!!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Marioneta

Fio comandante que me prende a cabeça
ordena-me o desejo de te possuir.
Fio comandante que me despega de ti
numa força que me faz a dor fingir.

Fio leve que passa pelos meus dedos,
aperta-me em pesar a imensa vontade de te tocar.
Fio leve esse que me leva devagar
a não te conseguir nunca alcançar.

Fio cortante que me segura o peito
exige impiedoso que pare de te sonhar.
Fio cortante que me esquece de ti
e me amputa o pedaço perdido que não conseguirei ganhar.

Fio frio que me pegas nas pernas
manda-me gelar o olhar com que te vejo.
Fio frio que me fazes tremer de morte
numa distância de nós no qual não me revejo.

Fio apertado que me cercas os pés
encerra pungente o sangue que te provoca.
Fio apertado que me fazes arder de sede
num desejo de caminhar que o meu amar evoca.

Fio do Destino com que me calas, paras e cegas
enterras bem fundo na minha carne o teu ordenar.
Fio do Destino que me fazes padecer assim
o meu coração jamais conseguirás serenar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Semy (Capitulo 018)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016, 017)

CAPITULO 18

- Wise, não me peça para ficar calmo porque o som daquelas gargalhadas ainda me cravam na cabeça. - E Dave tentou beber mas o feiticeiro segurou a mão. - Fecho os olhos e torno a rever tudo com tamanha veracidade que prefiro nunca mais os fechar.
- Estou a perceber que isto está a ficar mais complicado do que eu esperava... - sussurrou Wise Sage ajeitando o manto sobre as pernas. - Isto realmente vai ser interessante.
- Está a falar sozinho, Wise Sage?
- Coisas de velho, Clive. Gosto de rabujar.
- Diga lá então o que pretende de nós. - pediu Leo servindo-se de um copo de vinho.
Wise Sage respirou fundo ajeitou-se na cadeira e começou a explicar:
- Vocês conhecem na perfeição as leis, os costumes de Semy em relação a... a casamentos... quero dizer, aos casamentos dos herdeiros ou governantes da cidade.
- Casamentos?! Mas a que propósito vem isso agora??? - O feiticeiro lançou-lhe um olhar reprovador e Leo prosseguiu com mais cuidado. - Sim, sabemos. Só se casa alguém quando os dois implicados compartilham o mesmo amor...
- ... quando são adequados um para o outro. É fundamental. Por outras palavras: a juntura perfeita. - corrigiu o feiticeiro.
- Claro, foi o que ele disse. - replicou Clive entre um sorriso. - Mas ninguém se vai casar. Para quê lembrar esse assunto agora? Totalmente despropositado!
Wise Sage semicerrou os olhos e respondeu por entre um leve sorriso:
- Pensa um pouco mais do que o habitual, Clive. Faz um esforço. Encontrarás resposta rapidamente, tenho a certeza.
- Não estou com vontade de pensar.
- Vocês hoje estão impossíveis!!!!! Respeito por mim, por favor!! Clive, então digo-te que não posso concordar contigo quando declaraste que o assunto é totalmente despropositado. Vou passar a explicar. Já vi que não tenho muito tempo da vossa atenção. As vossas mentes não estão nesta sala... Vou começar...
"É de tradição, os futuros noivos irem ao sábio procurar saber se ambos são indicados um para o outro e, somente ele, com os seus poderes herdados e fortalecidos ao longos de muitos séculos, é que poderá fornecer a resposta, a única resposta... Sei que vocês ainda não fizeram isso porque não quiseram e... porque o destino assim não quis. Pois muito bem... o vosso pai deixou-me uma grande tarefa: encontrar-vos a mulher que vos irá acompanhar ao longo da vida e acreditem que isso tem-me dado longas dores de cabeça. O vosso pai conhecia-vos bem e sabia que nunca iriam ter coragem para se rebaixarem a esse ponto porque acham que eu sirvo para muitas outras coisas mas não para essa parte da vossa vida. Mas estão muito enganados.
.. Dave agitou a cabeça numa careta e Wise prosseguiu:
- Estudos e mais estudos, pesquisas e visões que mais parecem tormentos que respostas legíveis. Vocês têm tido uma boa mão cheia de mulheres e, por esse motivo, o trabalho nunca tem pausas... Não sei se conhecerão até que ponto é desgastante para mim cada vez que recorro aos meus poderes para conseguir a resposta e posso assegurar-vos de que nunca é satisfatória. Já estava crente que seria assim até morrer. Pensei mesmo que os Elmer nunca teriam o seu tesouro. Mas voltemos ao assunto principal: o vosso pai disse-me que queria alguém muito, muito especial...que queria o ideal, ideal ao ponto de vos ajudar nas desgraças e alegrar a felicidade, ser a continuação do vosso interior... ideais para que possam crescer de respeito e de carácter, ideais para fazer crescer este reino e ajudá-lo a governar a vosso lado. Um passo seguro para a imortalidade, o olhar sobre o paraíso que tão poucos vêem. Compreenderam o desejo mais secreto de Lev Elmer? Uma mulher que os ajude em tudo. Tudo, ouviram bem? Sabem perfeitamente como era Lev Elmer, não sou eu quem vos irá dizer. Conheceram bem o vosso pai. Ele queria para os filhos aquilo que ele conseguiu ter. Tite Elmer foi uma mulher excepcional em todos os sentidos.
- Acaba de nos dizer isso e antes disse que o nosso pai enganou a minha mãe!
- Isso foi antes de ele casar com Tite, Leo!. E foi graças ao amor que tinha por ela e ela por ele que conseguiu libertar-se do feitiço da mãe de Dan. E posso assegurar-vos de que era bem poderoso.
- Mas afinal qual é o objectivo desta conversa, Wise?
- Tu sabes, Dave.
- Eu?!! Eu não tenho os seus poderes...
- Conta-me tudo que sentes.
- Sinto ódio por Dan Tolos.
- Não!! Não é disso que estamos a falar. Conta-me. Liberta-te, Dave.
- Eu não tenho nada para contar. Esta conversa já me está a irritar!
- Assim obrigas-me a falar tudo. - Dave levantou o olhar e nada disse. - Muito bem. Aqui vai. Sei muito bem o que se passa dentro do coração de cada um de vocês. Sim, tu também, Clive.
- Mas eu não sou da família. Estou fora desse acordo!!
- Como queiras... - Espreitou Dave e prosseguiu. - Por mais que disfarcem, eu sinto, observo e sei. E também tenho quem me conte certas atitudes, gestos, expressões e...
- Lann... - murmurou Dave olhando para o tecto.
- Ohhhh exactamente! O meu fiel amigo... Ele só veio reforçar a resposta.
- Qual resposta?
O sábio ficou a olhar calado para Dave, mas foi Leo quem quebrou o silêncio.
- Wise...
- Sim, Leo, fala.
- ... eu... eu sinto algo dentro de mim que nunca senti antes. Algo que dá para rir e estar sempre feliz... Estranho, muito estranho... - explicou Leo ao mesmo tempo que caminhava pela sala. - Por vezes, chego a sonhar que me encontro entre as nuvens, num lugar de uma beleza extrema... sempre acompanhado por uma mesma pessoa... muito enamorado... São sonhos dos quais eu não quero despertar. Eu sinto a felicidade nesses momentos. - Olhou para Dave e Clive e terminou. - Vá, podem gozar-me.
- Ninguém te gozará. Se os restantes presentes nesta sala o fizerem só estão a gozar-se a si mesmos porque estão precisamente na mesma situação.
Dave lançou uma gargalhada e levantou-se da mesa.
Wise Sage olhou-o de soslaio e sorriu.
- Estes dois estão a passar pelo mesmo tipo de sensações. Tu estás apaixonado, Leo. É tão simples...
- Meu caro Wise, isso já todos nós estivemos. - declarou Dave Egon com um sorriso forçado. - Que grande novidade que nos está a dar! Com o devido respeito, esta conversa não está a ir para lado algum!
- É certo que pelos nossos braços já passaram muitas mulheres mas, no entanto, eu também nunca senti o que sinto agora. - afirmou Leo virando-se para o irmão mais velho. - O que te estou a dizer é verdade. E fiquei aliviado por o ter revelado. A Muriel deixa-me doido...
- Tu, Dave Egon Elmer, estás diferente. Andas muito irritado com tudo, descuidado nas tarefas que ao longo de anos recebiam a tua total concentração e cuidado. E isso é só um exemplo pois tenho uma lista de pequenos acontecimentos que só iriam reforçar a minha certeza. Como mais velho, deverias saber o que sentes. Não tenhas medo de divulgar, de libertar essa sensação maravilhosa. Deita cá para fora isso que tens aí dentro do peito. Talvez seja um alívio para ti e para eles que estão ali à espera como que de uma aprovação. Eles querem ouvir da tua boca. E tu não estás fora, Clive, não me venhas contrariar!
Durante algum tempo ninguém falou. Foi um silêncio na sala. os olhos de Wise Sage indagavam todos mas principalmente Dave. Encontravam-se na expectativa do que ele poderia dizer. Manteve-se pensativo a balouçar a cadeira com os pés fixados sobre a mesa. Olhou para Wise Sage e desviou o olhar para o lado. Só quando se levantou e ficou a observar as chamas da lareira, é que decidiu falar.
- Eu amo a Jamie... cada vez mais. Acho que não consigo viver sem ela a meu lado. É um tormento cada vez que a vejo e não posso tê-la junto de mim. E ao vê-la nos braços daquele cabrão do Dan só me apeteceu matá-lo!!!
- AHhhhh! Como gostei de te ouvir! Sei muito bem o que te custou dizer essas palavras. Nunca foste de falar coisas pessoais porque achas que te fragiliza perante os olhares do teu povo. Mas estás enganado. Eles irão respeitar-te na mesma. O que acabaste de revelar não é novidade para mim. Há muito que sabia desse teu sentimento para com Jamie. Tentaste esconder isso de todos, dela inclusive... Dela, principalmente. Até a tratas pior para disfarçar o que sentes. Se eu fosse a Jamie detestava-te! - Dave olhou-o repentinamente como que pedindo que não fosse verdade. - Tu sempre foste uma pessoa fechada. Para arrancar algo de ti era preciso conversar horas e horas seguidas. Daqui para a frente, vais ser diferente. E é ela quem te fará mudar, é ela quem já começou a mudar-te. Eu também sei que a Kate é a escolha de Clive, e a lindíssima Muriel a de Leo. Agora, é ir em frente. Força! Não as deixem escorregar pelas mãos como acontece à água quando estamos com sede.
- A resposta foi então positiva? - inquiriu Leo. - São elas as escolhidas?
- Melhor não poderia ser.
- Será que elas também gostam de nós?
- Descubram, Clive... A Muriel todos sabem que namorisca o Leo. Os dois nunca conseguiram disfarçar... Agora quando aos restantes dois senhores nesta sala... cabe a vocês descobrirem. Mas da maneira como as tratam, acho que não vão ter muita sorte. Têm de tentar ser mais carinhosos e delicados. Lembrem-se de que elas não são como as outras que vocês tiveram. São muito especiais na vossa vida. Vieram de um mundo onde os homens eram diferentes. - Aproximou-se de Dave e acrescentou: - Dave, deixa de estar assim tão pensativo e com essa cara de zangado. Até parece que te estou a dar um castigo!
- Eu acho isto tudo absolutamente idiota. - respondeu saindo de junto da lareira e sentando-se novamente na cadeira. - Não tenho tempo para me envolver com um estranha de um outro mundo. Tenho um reino para governar. Não posso perder tempo com romances.
- Explica isso ao teu coração e à tua cabeça. Achas idiota porque sempre as tiveste atrás de ti e nunca tu atrás de uma mulher. Senhor de um reino, com essa cara e corpo, não te davas ao trabalho de procurar: elas simplesmente vinham ter contigo. Com eles sempre foi diferente. Elas aproximavam-se, mas também eles as cortejavam, a maioria das vezes assim se passou. É verdade que como principal herdeiro as tuas responsabilidades são diferentes e muito mais importantes. Esse pormenor pesa sobre a tua vida amorosa, ohhhhhhh como pesa! Mas deixa de ser tão orgulhoso e teimoso, Dave. Agora é diferente. Tudo vai ser diferente. Demonstra abertamente os teus sentimentos a Jamie. Se não o fizeres, nunca serás feliz. Eu estou a oferecer-vos a felicidade. Um por um, têm de contar o que sentem. Caso contrário, perderão o melhor presente que alguma vez vos aparecerá na vida.
"Aqueles dias em que não saí da minha cabana, - prosseguiu Wise Sage levantando-se e, lentamente, começou a caminhar em volta da mesa. - estive a indagar entre os meus poderes quem seriam as futuras senhoras de Semy, as mulheres que iriam conquistar os corações solitários dos Elmer. Levou tempo, muito tempo... até que todo o futuro se revelou em segundos. Que preciosidade foi aquele momento para mim! Nunca me canso de viver novas emoções, apesar da idade. Ser mágico é isso, ver e sentir o infinito, o único. Já estou a divagar. Desculpem. Após inúmeras visões, uma resposta surgiu. Vi o rosto de cada uma delas: Jamie, Kate e Muriel. Seriam elas as futuras senhoras de Semy, senhoras até ao fim dos vossos dias como mortais. As únicas que os compreenderiam e ajudariam. Sempre. Sempre.
Pensativo Wise suspirou e terminou:
- Claro que se ficarem quietos sem darem um passo em frente, o futuro pode mudar. Aí, já nada eu poderei fazer. Elas são a junção perfeita, o mais intenso pedido que o vosso pai alguma vez me fez. Agarrem-nas bem, não as deixem escapar.
- Eu vou lá hoje! - afirmou Clive decidido com um sorriso feliz. - Não passará deste dia!
- Não! Não! Não é a altura certa!! Elas estão afectadas com o que se passou há pouco. Terás outras oportunidades nos próximos dias para falares. Já que esperaste tanto tempo, umas horas a mais não farão diferença. Vou voltar para a minha casa. A minha tarefa já está, em parte, cumprida. Tomarei um chá do Lann. Por esta altura, está à minha espera.
- Lann sabia disto tudo?
- Claro, Dave. E nunca o vi com uma expressão tão alegre desde o vosso nascimento. Boa noite a todos. Durmam descansados à procura do modo como as irão abordar. - declarou Wise Sage retirando-se lentamente da sala onde deixava dois jovens a controlarem o ímpeto de incomodarem umas certas damas naquele instante.
Dave seguiu-o com um olhar pensativo. Era o único que teimava em não aceitar as palavras de Wise Sage. Era o único que continuaria na mesma.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diz

Diz o que não consegues dizer
mesmo que fales e não queiras viver.
Diz o que não consegues amar
mesmo que escondas e não queiras calar.
Diz o que não consegues fazer
mesmo que tremas e não queiras desfazer.
Diz o que não consegues tocar
mesmo que sintas e não queiras avançar.
Diz o que não consegues ver
mesmo que abras os olhos e não queiras ter.
Diz o que não consegues sofrer
mesmo que pares de pensar e não queiras saber.
Diz o que não consegues viver
mesmo que continues e não queiras temer.
Diz o que não consegues sorrir
mesmo que limitas os lábios e não queiras fingir.
Diz o que não consegues mexer
mesmo que corras e não queiras encher.
Diz o que não consegues saltar
mesmo que voes e não queiras poisar.
Diz o que não consegues sentir
mesmo que renuncies e não queiras mentir.
Diz o que não consegues respirar
mesmo que sintas o vento e não queiras cheirar.
Diz o que não consegues chamar
mesmo que grites e não queiras acalmar.
Diz o que não consegues perguntar
mesmo que sufoques e não queiras enfrentar.

Diz...
não deixes de dizer...
porque um segundo pode ser tarde demais.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Superfine Love

Há muito que procurava esta música do Al Jarreau mas não havia video.
Finalmente apareceu :-)


Superfine Love, Al Jarreau

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Amor não se...

O Amor não se compra
O Amor não se pede
O Amor não se força
O Amor não se compreende
O Amor não se toca
O Amor não se embrulha
O Amor não se queima
O Amor não se parte
O Amor não se acena
O Amor não se corta
O Amor não se atira
O Amor não se afoga
O Amor não se voa
O Amor não se bate
O Amor não se corre
O Amor não se molha
O Amor não se questiona
O Amor não se prende
O Amor não se cria

O Amor...

chora-se
ri-se
dá-se
perde-se
semeia-se
rega-se
canta-se
fala-se
escreve-se
mata-se
sente-se

O Amor não se explica
Não tem razão.
Não tem regras.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Coração de Areia

Baloiço em cima de um rochedo que construíste,
misto de esperança e mistério fugaz.
Açoitas-me com a tua fuga silenciosa
e sou acordada de um sonho que nunca julguei capaz.

Meu corpo frágil e inerme refila
perante arma tão cortante e traiçoeira.
É raiva que nasce em mim e que me defende
como que perdida nesta tua repentina ratoeira.

Equilibro-me e cedo e não sei onde caio,
abismo escuro e brilhante que me ofusca.
Agarro-me ao nada e sinto o todo,
o todo que necessito para não perder a busca.

O meu coração é de areia. Foi assim que o deixaste.
Sopraste e ele, desfeito, foi apanhado pelo ar agitado e imenso.
Agora sou de todos e não sou de ninguém.
Cravo as mãos na terra para moldar de novo o que jaz suspenso.

Renasço enraizada por um campo de raiva.
Abro os braços e pelo vento deixo-me levar.
Um dia sepultarei os restos imundos de me criaste
e deles parirei um amor que jamais conseguirei julgar.


(a banda sonora deste poema é esta linda melodia
que mostro no video e pela qual me apaixonei)

Cuore di Sabbia, de Pasquale Catalano

sábado, 9 de outubro de 2010

Meaning of Life

Depois de ter visto este video com estas frases espectaculares e ilustrações girissimas,
apetece-me dizer que tenho mesmo de encontrar o significado da minha vida porque neste momento não sei qual é. Não sei mesmo.


Meaning of Life por Santé et beauté pour tous!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eu sou

Eu sou linha que te arranca da perda
Eu sou frio da água na tua pele
Eu sou imaginação que te povoa os pensamentos
Eu sou peça que te falta para chegares à loucura
Eu sou grito falante do teu silêncio
Eu sou voz que sopra o teu voar
Eu sou punho invencível da tua força
Eu sou fúria serena do teu descansar
Eu sou beijo único do teu amar
Eu sou calma rebelde do teu zangar
Eu sou cosmos que explode no criar das tuas estrelas
Eu sou desenho que tens marcado na tua mão
Eu sou suspiro que dá razão ao teu respirar
Eu sou glória palpitante do teu entrar
Eu sou vento que te arrasta da tempestade
Eu sou rio que te rega as margens do teu corpo
Eu sou água que limpa a tua alma
Eu sou mar que te alimenta o sangue das veias do teu coração
Eu sou fome que escondes em segredo
Eu sou imperfeita que te faz perfeito
Eu sou riso da tua tristeza disfarçada
Eu sou carta que escreves e não lês
Eu sou unhas que cravam a terra para não caíres no abismo
Eu sou espelho do olhar que cobres
Eu sou presente que recusas ver
Eu sou tempo que passa por ti e não te marca
Eu sou cama onde consegues finalmente repousar
Eu sou saudades que não saem de ti
Eu sou sonhos que sempre sonhas e nunca te lembras
Eu sou vontade que te faz nascer as palavras enterradas
Eu sou letra que te falta do teu abecedário que julgas completo
Eu sou tua metade do nosso todo
Eu sou lágrima que te limpa quando estás impuro
Eu sou quente do teu ventre solitário

Eu sou quem tu estupidamente recusas conhecer


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

às vezes o destino é mesmo cruel demais, cria histórias que jamais consigo entender o porquê

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Desassossego

Estou desassossegada porque sinto nas veias interiores
um tormento que me faz correr num campo vasto e prisioneiro
o desassossego de quem quer rebentar e não consegue.
Quero abortar o desassossego e entregá-lo, a ti, inteiro.

Desassossego no abismo que chega aos meus pés quando caminho,
quando caminho para ti, figura de besta e homem que me prepara
mordaz e silencioso e me desnudas de noticias
como quem brinca com poções e nada sara.

Desassossegas e rebentas o coração por eu te faltar,
por te faltar o meu quente e o falar do meu olhar.
Jogas, arriscas, afastas-te, calas-te e gritas em silêncio
porque recusas o desassossego do teu ajoelhar.

Estás desassossegado porque não queres crer que te atingiu
a onda que te prendeu às minhas areias numa praia improvável.
Praia carregada de ventos contrários e de tempestades
que recusas a combater numa entrega adorável.

Estamos desassossegados numa rendição de lutas
por nos recusarmos a perdermo-nos no juízo que tão sabiamente
disfarça a vontade do voar selvagem dos corpos cobiçados
pelo desejo, amor e vicio como quem esconde quem mente.

Estamos desassossegados... até quando?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Semy (Capitulo 017)

(Capítulos anteriores: 001, 002, 003, 004, 005, 006, 007, 008, 009, 010, 011, 012, 013, 014, 015, 016)

CAPITULO 17

- Esta foi a última vez que vieste ao nosso castelo! - afirmou Dave quando já se encontravam na entrada da torre. - DESAPARECE! - A sua fúria surpreendeu todos. - Nunca mais quero ver a tua cara à minha frente, Dan Tolos. Chegaste ao limite da minha tolerância. DESAPARECE!
- Já te apercebeste bem do que acabaste de fazer?
- Não tenho medo de ti, pulha!!
- Tu... tu ainda vais sofrer por me teres feito isto... amigo! - respondeu Tolos com igual intensidade ao sair para o pátio do castelo. Colocou a capa e montou para o cavalo. - Também a minha tolerância terminou, Dave Elmer. Irás sentir na pele o meu terror... a minha vingança... o meu desprezo de anos! Fixa bem estas palavras: terror, vingança, desprezo. Será que saberás lidar com o poder dos Senhores do Além Real? Quebraste uma jura sagrada...
- Não tenho medo das tuas ameaças. Finalmente, não receio as ameaças saídas de uma mente louca e demoníaca que só espalha desgraça à sua volta. Nunca deverias ter nascido!!
- Sabes bem quem tem a culpa... E fazes tudo isto por uma mulher??
- DESAPARECE!!!!!!!!!!!
- Hoje, desapareço. Mas prepara-te que os teus dias de calma terminaram. - Dan Tolos virava o cavalo de um lado para o outro num desassossego igual ao que lhe passava na mente. O seu ódio era tal que o cavalo parecia ser o alvo de todo aquele sentimento intenso. Olhou bem nos olhos de Dave e num sorriso que demonstrava bem o que sentia, acrescentou: - Ela deve ser um paraíso, não?! Nunca te vi assim, Dave Elmer. Estás finalmente enfeitiçado por uma mulher! Mas... eu também!!
- Desaparece! Nenhuma mulher é capaz de me dominar!
- Ah Ah Ah como se eu acreditasse! Não negues. Nós somos feitos da mesma paixão, da mesma garra...
- Não me compares com o demónio.
- Conhecemo-nos bem demais para conseguir omitir o que nos vai pela cabeça, o que nos vem do coração...
- Desaparece!
- ... temos o mesmo sangue a correr nas veias...
- CALA-TE!!
Leo e Clive trocaram olhares curiosos mas não era altura de perguntar nada.
- ... e apaixonámo-nos perdidamente pela mesma mulher...
- SAI!!!!!!!
- ... estás enfeitiçado pela dama de cabelos pretos... iguais aos meus...
Dave pegou da espada e tentou aproximar-se de Dan. - Queres que eu te expulse à força? Larga-me, Leo! Deixa-me acabar com esta peste que nos tortura há anos!!!
- Nunca. Nunca te livrarás de mim. Eu também quero aquela escrava. E um dia, ela irá ser MINHA!
Com ódio e amor no seu coração, Dan Tolos desapareceu com dois dos seus guardas. As suas gargalhadas ouviram-se durante um longo tempo. Era um aviso para os Elmer.
Algumas pessoas tinham assistido aquela troca de palavras e, agora, comentavam entre si o significado de todas as ameaças lançadas entre os dois senhores dominadores. O murmúrio aumentava à medida que as gargalhadas de Tolos desapareciam. O pátio tornou-se vivo e cheio de receio numa noite que alguns gostariam de esquecer. Não existia na memória do povo de Semy uma lembrança de um confronto tão vigoroso e potente entre Dave Elmer e Dan Tolos. Era como se as forças de ambos finalmente demonstrassem o que sentiam no íntimo: um ódio de anos de um passado recente.
Furioso Dave gritou:
- O que fazem aqui?!!!! Vá desapareçam... - E atirou com a espada que se espetou na porta de entrada do castelo. Dave entrou tresloucado pela torre dentro.
..Ao escutar o que Dan e Dave haviam proferido, Wise Sage abandonou a sua cabana. Em passos lentos surgiu do meio dos escravos que dispersaram e aproximou-se de Leo e Clive que ainda se encontravam parados nos degraus da entrada da torre de menagem. Vendo o ar preocupado do velho senhor, Leo falou:
- Wise, ajude-me. Estou perdido no que ouvi aqui...
- Calma. E tens toda a razão para isso. Todos nós estamos apreensivos. Venham comigo. Precisamos acalmar Dave. Mas, meus amigos expliquem-me o que aconteceu dentro do castelo...
Pelo caminho, Wise Sage ficou a saber o sucedido.
Chegaram à na sala principal e viram Dave a beber sem parar. Wise Sage aproximou-se dele e devagar retirou-lhe o copo da mão.
- Foi de muito azar ter ido com os seus homens aos campos quando elas se encontravam lá a trabalhar. - Desviou o jarro de vinho. - Mas mais cedo ou mais tarde ele iria saber da existência delas. - E sentou-se sem parar de olhar para um Dave devastado - É uma brincadeira que o destino parece apreciar cada momento. O instinto puxou-o para o centro dos nossos receios. O mal já está feito. Já não poderemos ocultar a existência das três estranhas em Semy. Agora temos de estar constantemente alertas. Durante uns dias não saberemos nada dele, mas depois certamente aparecerá para provocar distúrbios. Arranjou um motivo para liquidar Semy e, vocês, os seus maiores inimigos. Não sei como conseguiram aguentar tantas provocações durante estes anos. Desde que saíram as primeiras palavras da boca de Dave e Dan que fomentam uma rivalidade com sérias consequências no futuro, um futuro que suspeito muito próximo.
- Já deveria ter feito isto muito mais cedo. Evitaria muitos dissabores...
- Parece uma questão fácil mas não o é. Infelizmente nunca se conseguiu cortar esse ódio desde o início, desde o nascimento de vocês os dois. Quem adivinharia que Dan Tolos se tornaria na criatura que todos conhecemos? Somente os Senhores do Além Real sabem onde o mal e o bem vive.
- Mas afinal que história é essa do mesmo sangue que ouvi lá fora?
Wise Sage olhou para Leo e depois para Dave e respondeu:
- Já não se consegue esconder, Dave. - Após uma pausa, confirmou: Dan Tolos é teu irmão, Leo.
- O quê???????
- Somente eu e Dave sabíamos. Daí a importância da jura que foi feita no leito de morte do vosso pai.
- Mas, mas como é possível?? O pai adorava a mãe!!! Ele não teve a coragem de... de...
- Acalma-te, Leo. O teu pai foi enfeitiçado pela mãe de Dan porque a rejeitou. Ela usou de feitiços proibidos mas acabou por pagar por isso. E todos nós também acabámos por pagar com o carácter com que Dan herdou.
- Não consigo acreditar...
- Não tenho palavras, mas agora percebo muitas coisas. - Comentou Clive de volta do amigo Leo.
- E com tudo isto, até se esqueceram de ir à minha cabana como eu tinha pedido.
- Pois, é verdade, esquecemos completamente. - respondeu Leo ainda surpreendido com toda a revelação. - Nem sei o que pensar... Tentámos que ele não as descobrisse e não conseguimos. Mas diga-nos Wise o que tem para nos falar? É assim tão importante? Não pode ficar para outro dia? - questionou Leo sentando-se numa ponta da mesa.
- Sei que não é a melhor altura mas tenho de falar. Mas já estão um pouco mais calmos. Mais calmo, Dave? - perguntou olhando-o com atenção.
Com a cabeça escondida nas mãos respondeu:
- Fale o que tem a falar...
- Então cá vai...

sábado, 2 de outubro de 2010

U2 + Lego

Vou estar hoje em Coimbra para ver um concerto pelo qual esperei mais de 20 anos.
Eu gosto muito dos U2 e gosto de Legos.
E descobri isto...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

The Silence

O que dizer quando encontro uma canção que fala por mim?


Alexandra Burke - The Silence

You lift me up
And knock me down
I'm never sure just what to feel when you're around

I speak my heart
But don't know why
Cause you don't never really say what's on you mind

It's like
I'm walking on broken glass
I wanna know but i don't wanna ask

So say you love me
Or say you need me
Don't let the silence
Do the talking

Just say you want me
Or you don't need me
Don't let the silence
Do the talking
It's killing me
(love in silence)
It's killing me
(love in silence)
It's killing me
(love in silence)
...