sábado, 31 de outubro de 2009

I'm waiting for you...

... as always.
You know where to find me, you know the inside of my Home... so well.
But I'm afraid to love you...
... so afraid.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vazio

Cheguei ao ponto do vazio de palavras...
do vazio de não conseguir ligar as letras...
para contar uma história.
Passeiam-se palavras soltas na minha mente e eu tento agarra-las mas não consigo fazer frases.
A Inspiração está imóvel e não me ajuda...
retira-me as letras de volta...
Vazio...
Não consigo criar...
as histórias que anseiam por sair cá para fora.
Sento-me e olho a Inspiração de frente.
Intimidando-a.
Ela responde com um fechar de olhos, adormecendo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Finally

Por vezes há aquelas músicas que nos apaixonamos perdidamente.
Esta foi uma delas.
Apaixonei-me esta semana recordando-me quando a ouvi na cerimónia dos Grammy's de 2008.
Parece que se ouve um conto de fadas... que termina muito bem. Quero um conto assim para mim.

(...)
Always knew that deep inside that there would come a day
When I would have to way
Make so many mistakes
I couldn't comprehend
As I watched it unfold
This classic story told I left it in the cold
Walking through an open door that led me back to you
Each one unlocking more of the truth

I finally stopped tripping on my youth
I finally got lost inside of you
I finally know that I needed to grow
And finally my maze has been solved

Finally
Now my destiny can begin
Though it will have a different set
Something strange and new is happening
Finally
Now my life doesn't seem so bad
It's the best that I've ever had
Give my love to him finally
(...)

Fergie & John Legend - Finally

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Acredito em mim

...senão não poderia dar o que dou,
senão não poderia amar como amei e como quero amar ainda,
senão não poderia achar nas caixas perdidas da minha alma os tesouros que encontro,
senão não poderia sentir a vida em todos os sentidos:
   tocando
      cheirando
         ouvindo
            vendo
               saboreando
senão não poderia sentir a necessidade da droga que és para mim,
senão não poderia gritar e saber que me ouvem,
senão não poderia vestir-me de ti e nunca ter frio,
senão não poderia ter forças para dar os passos que dou...

... senão não poderia ser o que sou, uma parte do Cosmos, minúscula sim, mas potente...
... e importante para alguém.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Objecto

Hoje sinto-me como um mero objecto nas tuas mãos...
...que saltita de mão em mão sem te preocupares com o que sou.
Não sei o que queres de mim.
Não sei o procuras... mas não consegues ver.
Pegas-me quando te apetece ou quando te lembras.
O silêncio é pedra que atinge fundo.
Serás tu mesmo o meu ir ou o meu parar?
Procuro uma razão para aguentar...
...na profundidade do meu ser...
...e ainda não tive resposta.
Se calhar não a quero ouvir.
Embriagas-me e eu não consigo deixar de beber do teu copo.
Mas hoje..
...tenho fúria por o partir para parar de te beber.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

World Builder

Quando alguém cria um mundo para a mulher que ama...

Palavras para quê?...
1 amor dura uns meses ou uns anos. Um grande amor muda-te a vida.

Um video de Bruce Branit

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gotas

As gotas agarram-se ao vidro da janela e eu toco-as e sinto as suas vozes.
Quero que me contem uma história. Cada uma daquelas gotas.
Caminhos que já conhecem, sorrisos que já coleccionaram, rostos que já acariciaram, sussurros que já ouviram, lamentos que já reconfortaram.
Quero saber das histórias de pessoas que já foram vossas.
Caiem devagar pelo vidro e eu sigo-as com a ponta do dedo.
Não as deixo perderem-se na transparência da janela.
Vá!
Contem-me as histórias de quem já saboreou a vida e amou perdidamente.
Contem-me as histórias que ficaram flutuando na imortalidade.
Contem-me as vidas que eu vivi.
Digam-me... o que trazem dos céus.
Quero que me enfeiticem com o molhado que seca depressa em mim.
Continuam a cair e eu toco-as uma vez mais e deixo-me ir no seu encanto e descubro-te do outro lado da rua, numa janela igual, olhando para mim.
Não tocas nas gotas, mas elas fogem da tua janela e tocam a minha.
Contam-me a tua história.
Olá...
Estou a ouvir-te e não quero parar.
Mas de repente a chuva pára... e tu desapareces.
Quem eras tu?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Egoísmo

Há ocasiões que encontramos caminhos egoístas que só nos querem para si.
E acabamos por sentir, também, os desejos de ter alguém só para nós.
Impossível.
Não é possível. Nunca o foi.
Os filhos, os pais, os amantes, os amigos não são só nossos: são filhos de alguém, pais de alguém, amigos de alguém, e por vezes, amantes de alguém.
Dividir o amor não é dispersar, é aglomerar: juntamos quem amamos num só laço: o nosso.
Independentemente do tipo de amor.
E isso não é egoísmo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Identifico-me

Identifico-me porque... existo.
Vejo-me numa multidão mas sinto-me sozinha.
Identifico-me com a música porque me faz sentir viva a cada nota.
Vejo-me perdida em palavras para contar o meu amor.
Identifico-me com alguém que já se magoou e ainda não se recuperou.
Vejo-me a admirar-te como se admira o mundo.
Identifico-me com a seiva do teu beijo.
Vejo-me imóvel a arrumar a minha mente.
Identifico-me com a espera porque mostrará quem me merece.
Vejo-me a sorrir quando oiço de ti coisas que não esperava.
Identifico-me com a paixão porque me solta a energia com que te sinto.
Vejo-me desarrumando os meus lençóis sempre que me tocas.
Identifico-me com o barro porque moldo o teu corpo ao meu jeito.
Vejo-me a descobrir a porta dos meus sentidos.
Identifico-me com a chuva porque rega tal como eu te rego.
Vejo-me a estudar a geografia de cada latitude e longitude do teu corpo.
Identifico-me com quem passa na rua apaixonado pela vida.
Vejo-me a olhar para quem admira o mar e sente a sua harmonia.
Identifico-me com os passos de dança que dou quando uma música entra por mim.
Vejo-me a olhar para a minha alma com paciência.
Identifico-me com o grito que sai do coração e chega à boca... mudo.
Vejo-me a dizer-te o que sinto na tua cara porque tem mais valor do que dizer por palavras.
Identifico-me com quem espera e quase desespera.
Vejo-me a sorrir por receber um sincero sorriso mesmo que venha da cara menos bela que alguma vez vi.
Identifico-me com as cores que os meus olhos capturam marcando a minha memória.
Vejo-me a gastar os dedos escrevendo as palavras que nascem cada vez mais depressa na minha cabeça.
Identifico-me com a poeira que cai no chão quando dispo a tristeza.
Vejo-me a cair nas águas do mar mas a sentir a liberdade em vez do tormento.
Identifico-me com as gotas das lágrimas porque limpam a alma e não a pele.
Vejo-me a brincar com uma folha abandonada pela árvore porque ainda me tapa com o quente.
Identifico-me com o amor...
Vejo-me com paixão...
Identifico-me com a sensualidade...
Vejo-me com prazer...
Identifico-me com a luz...
Vejo-me com a escuridão...
Identifico-me com o doce...
Vejo-me com sabor amargo...
Identifico-me com a nudez..
Vejo-me vestida de mim!

(resposta a um desafio pedido usando frases com Identifico-me e Vejo-me)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Banho de chuva

Apetecia-me deitar a cabeça de fora da janela e sentir as gotas da chuva no rosto.
Virar-me para elas e abrir os braços.
Saltar e rodopiar pelo ar abraçando-as.
Fecho os olhos e sinto o teu beijo por entre aquelas gotas.
E decido parar o tempo.
Tudo fica imóvel e só te vejo a ti.
Tocas-me com a ponta dos teus dedos e puxas-me para ti.
Sacias-me de afectos.
Despedimo-nos e lá partes.
Deixo cair de novo as gotas.
De repente, abro os olhos e vejo que estou enxuta de água mas encharcada de ti!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Baby I'm A Fool

Por vezes há aquelas músicas que nos apaixonam mal as ouvimos. Foi o que me aconteceu com esta. Não me tem saído da cabeça e só me apetece ouvi-la, ouvi-la, ouvi-la vezes sem conta.
A sua sonoridade e letra fazem-me acreditar no amor.
Fazem-me sentir sensual, mulher, poderosa e simples criatura do mundo que sabe que é amada por alguém...

Esta cantora descobriu a música depois de um grave acidente. É caso para dizer que há males que vêm por bem...


Melody Gardot - Baby I'm A Fool

domingo, 18 de outubro de 2009

Walk on the Wild Side

Ando a passear muito pelo meu lado mais sombrio e não quero.
Encontro lá vontades que vão contra a minha maneira de ser...
... mas ele está lá, tentando-me.
Sossegado, observador, à espera do momento para actuar.
Vestida de negro vejo-me... olhando-me... com os olhos sinistros e penetrantes. Aproximo-me de mim, devagar, e sedutoramente oiço-me ao ouvido.

Sinto este lado cada vez que me magoam e nasce a raiva.
Sinto este lado cada vez que me tentam e nasce a loucura.
Sinto este lado cada vez que me prejudicam e nasce a revolta.
Sinto este lado cada vez que me remetem ao silêncio e nasce o grito.
Sinto este lado cada vez que me abandonam perdida e nasce a repugnância.
Sinto este lado cada vez que me ridicularizam e nasce o desprezo.
Sinto este lado cada vez que me marcam com muitas saudades de silêncio e nasce o erro.
Sinto este lado cada vez que sei que vou errar e erro na mesma.
Sinto este lado cada vez que me oferecem a dor na alma e nasce a vontade de partir.

Sinto a minha mão, do lado negro, a passar-me pelo rosto puxando-me para a sua magia. É muito suave o seu toque, muito sedutor. Rodeia-me e a minha mão não pára de me acariciar. Sabe que estou fraca. Sorri-o com mais uma vitória e então deixa-me, satisfeita.
Vejo-me a afastar-me, vestida de negro, com mais uma vitória nas mãos. Vejo-me a olhar-me de soslaio por cima do ombro e volto para aquele canto escuro...

Mais tarde ou mais cedo ou por variados factores alguma vez acabamos por nos ver dominados por ele.

Por mais que neguemos, todos, mesmo todos, temos um lado negro, um dark side, que nos atormenta...

sábado, 17 de outubro de 2009

Mistério

Abro os olhos e encontro-me no meio de uma sala de uma casa que desconheço.
Fecho momentaneamente os olhos e peço para sair daquele lugar. Mas de nada vale.
Vazia, a sala deixa entrar alguma luz pela janela entreaberta. A brisa repentina agita o meu leve vestido.
Dou alguns passos e oiço um som vindo da porta.
Vejo pelo desenho da luz que chega à ombreira da porta uma mão que a acaricia.
Não estou sozinha.
Aproximo-me da porta e, na escuridão do corredor, ainda sinto a sombra do corpo daquela mão.
Chama por mim.
Caminho com cautela e sou levada contra a parede e deixo que me tapes os olhos. Sussurras ao meu ouvido e colocas-me um lenço nos olhos.
Largas-me e afastas-te.
Dou alguns passos e sinto-te novamente junto de mim. E estico os braços para te tocar mas foges e dás-me o frio pelo pescoço abaixo até chegar ao peito.
Rodo a cabeça sentindo que mudaste de lugar e chamo-te mas tu... colas-te às minhas costas e pedes para não me mexer.
Na expectativa, obrigas o meu coração a acelerar. Respiro mais rapidamente e o suor começa a ser libertado.
Passas com a mão por entre os meus tornozelos e afastas as minhas pernas.
E assim me deixas, ali no meio daquele espaço silencioso.
Estico os braços para te procurar.
Tento descobrir onde estás e repentinamente rasgas-me o vestido beijando-me as costas arrepiadas. Os sentidos estão todos alertas, as sensações são levadas ao limite.
Brincas com a água e expões-me totalmente à tua mercê.
Oiço as pingas a caírem no chão. Parado, observas-me. Eu, sem te ver, sei que me observas.
Posso estar completamente nua à tua frente, despida de tudo mas mesmo assim sinto-me vestida porque nunca conseguirás ver-me se eu não deixar.
Despir-me... não chega para me descobrires.
Começo a andar para trás e deixo pegadas quentes na ténue luz que ilumina os meus pés.
Encontro a parede e toco-a chamando por ti sem falar.
E a distância é consumida pelo desejo na ânsia que de dois se faça um só.
Não me deixas ver-te mas manipulas o teu mistério.
Exausto, beijas-me a mão e esticas o meu braço.
Levas-me de volta aquela sala.
Puxas o lenço que me tapa os olhos e desapareces deixando-me ver apenas aquela mão, novamente na ombreira, na luz que a janela foca em ti.



(resposta a um desafio pedido com a palavra Mistério)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

D

dar... o que já dei
decepção... o que não quero ter de ti
defesa... o que tenho de manter, por enquanto
degustação... sempre em cada pormenor
delícia... o sabor que deixas no meu corpo
demora... que causa saudades
desabrochar... porque foi o que me fizeste fazer
desaparecer... sempre que sais de mim
descoberta... o que faço todos os dias porque gostamos
desejo... não passamos sem ele
desfecho... incógnita
desnudos... sempre que podemos e queremos
desordem... naqueles momentos nossos
despojar... das minhas vontades quando me tocas
destino... que faça o que desejar pois não luto mais contra ele
devoção... tens de mim
dia-a-dia... é ao que tentamos viver da melhor maneira
diferenças... algumas, precisam de haver para que seja melhor te conhecer
difícil... o que vivemos
direcção... juntos
dirigir... deixo-te de vez em quando
discretos... como somos
disparate... como por vezes penso que tudo na vida é
disponível... nem sempre
dissimular... ao que se é obrigado
distância... muita que mata todos os dias
diurno... porque há o sol e vejo-te melhor
divertido... como te quero sempre mesmo que por vezes não o consigas ser
dividir... por um lado por que tem de ser, por outro porque é bom
divino... o que se sente
doação... um pouco sempre que estamos juntos
doce... o sabor do teu olhar quando olhas para mim daquela maneira
doçura... a tua pele
doidos... os dois, somos sim!
domar... gostas e queres
dominadores... os dois
dor... de não te ter junto a mim
dorso... que gosto de amar
dragão... de fogo
duo... a simplicidade do que somos
durabilidade... o quando eu quero!
duradouro... para sempre
dúvida... todos os dias a tenho

porque não sei o fim

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Navegar entre tempestades e bancos de areia

Lá bem ao longe vi o céu ficar perigosamente negro. A viajar numa barca de casco forte mas vulnerável, senti o coração apertado com o que se aproximava. Enfrentar uma tempestade não estava nos meus planos. Pelo menos a tão breve prazo... Ainda mal refeita da última, concertava pedaços arrancados da minha fiel barca.
Mas não podia escapar.
O terrível silêncio que o mar fazia, levava-me a temer o que se aproximava, deixava-me cruelmente frágil.
Os ventos começam a rolar os meus cabelos implorando pela minha atenção.
Agarro-me à vela e recolho-a. Ela não pode sofrer dados.
As ondas fustigam-me e desejam que salte para o mar mas eu não quero, eu não posso, eu não devo. Tenho de seguir o meu rumo.
Sinto a arrancarem-me pedaços da roupa, puxarem-me os cabelos e a pele,
mas eu não cedo.
As nuvens negras derramam gotas que me queimam e limpam,
mas eu não cedo.
A água do mar marca-me com o sal e a dureza,
mas eu não cedo.
A minha barca rodopia no ar fazendo parte daquela tempestade que me leva para destino incerto...
E de repente, tudo começa a amainar.
As nuvens partem para outros lugares deixando-me molhada, desarrumada, exausta, desanimada, confusa, sem vontade para me erguer de novo.
Sinto um raio de sol no meu rosto e levanto-me devagar.
Apercebo-me que estou imóvel, presa sobre um banco de areia.
Olhei em volta e vi um porto no horizonte, ténue, mas é um porto e estou aqui, presa, nesta areia e não sei como sair dali.
Esgotada, deixo-me cair e choro.
As gotas deslizam pela madeira e tocam na areia.
Esta vai desaparecendo à medida que as lágrimas a tocam...
Acabo por adormecer.
Sonho mas não me lembro dos sonhos.
Acordo com um estranho conforto.
Olho em volta e reparo que estou nos teus braços.
Agora sei que não temerei mal algum.
Há desastres que nos levam para lugares de sonho.


(resposta a um desafio pedido com a frase Navegar entre tempestades e bancos de areia)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Plataforma

Por vezes sinto-me como que em cima de uma plataforma flutuante e instável.
Ela gira em torno de si mesma e desequilibra-me repentinamente como se fosse sua função atirar-me para o chão.
Agacho-me, mas não caio.
Ela gira e gira comigo lá em cima e mexe-se testando os meus reflexos constantemente.
Mas não quer que abandone do seu centro, nem sequer que me aproxime dos limites da sua forma.
Quer-me ali, bem no centro, para brincar comigo como se fosse uma bola que rodopia de um lado para o outro.
Não me deixa cair para o abismo.
Segura-me, mas desequilibra-me.
Todavia, tem momentos em que pára e deixa-me descansar.
Como se tomasse conta de mim...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As bolhas rebentam

(Conto criado para o tema 'Redes sociais e o preconceito' num desafio lançado pela Ana Martins.)
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O dia estava particularmente bonito e a fada sentada num ramo da árvore observava o que se passava naquela rua perto da sua casa.
Nas várias janelas, havia algo diferente do habitual: uma cortina colorida, de cores em movimento, não permitia descobrir quem lá habitava. Espreitou por entre as folhas e viu que estas janelas criavam bolhas com palavras que passavam de um lado para o outro.
Abriu os olhos e perguntou o que seria aquilo. Nunca tinha visto tal coisa.
Numa das janelas, uma linda elfa de longos cabelos castanhos, recebia imensas dessas bolhas e aceitava-as com agrado. Porém, apenas algumas que lhe provocavam um belo sorriso. Atarefada, respondia a todas criando também as suas bolhas de palavras.
A fada saiu daquele ramo e puxada pela sua varinha mágica, que usava guardada na cintura, aproximou-se da rua.
As bolhas não paravam de passar de janela em janela, levando mensagens de uns para os outros. E brilhavam ao passarem pelos raios do Sol.
- Não consigo entender porque não se consegue ver quem está nas janelas... O que escondem? - questionou-se a fada levantando o sobrolho. - Porque não se mostram?
Esticou as asas e voou devagar até onde as bolhas mudavam de um lado para o outro. Desviava-se cada vez que uma passava por si, carregada de letras. Baixou-se mesmo a tempo de evitar o choque com uma bem cheia.
A sorrir, por nunca ter visto tal coisa, não conseguiu evitar que uma delas chocasse contra a sua perna e estoirou deixando cair as palavras. Atrapalhada, a fada tentou pegar nelas mas acabou por reparar que numa das janelas a cortina colorida estava a desaparecer. Revelou um elfo de belo porte sorridente mas tímido e chamou a atenção da elfa que vivia do outro lado da rua. Parada no ar, a fada olhou para as palavras que tinha nas mãos e viu que falavam de beleza, vaidade, beleza e mais beleza. Mas a conversa que aquelas palavras originavam era vazia e fria.
Outra bolha apanhou-a bem na cara e a fada aflita lá apanhou as palavras. Estas falavam de brincadeiras e passeios. Pelo canto do olho, viu outra janela a mostrar o seu inquilino: outro elfo esbelto mas muito cabeça no ar, despreocupado.
Quando tentou desviar-se de mais uma bolha, foi atingida na barriga e revelou mais uma janela com outro elfo: convencido e galanteador. As suas mensagens eram cheias de sedução e egoísmo.
Sem saber o que fazer perante aquela mudança de cenário, a fada constatou que as bolhas no ar tinham diminuído drasticamente. Agora apenas havia aquelas que provinham da última janela ainda misteriosa.
Nenhum dos ocupantes das 3 janelas descobertas se importou com a revelação do seu aspecto nem ousou sequer culpar a fada por estragar o aquele jogo.
Repentinamente, a varinha mágica começou a tremer e puxou a fada para cima fazendo-a rebentar com a cabeça a última bolha que por ali pairava.
O mais rápido que podia, tratou de apanhar as palavras, uma a uma, e ficou feliz com o que leu: sentiu sinceridade e amor.
Olhou para a elfa e sabia que era daquela janela que saiam as mensagens que mais gostava de receber.
Mas quando esta revelou quem por trás dele vivia, a elfa soltou um grito de profunda decepção. Era um duende narigudo e sem um dos olhos.
Sem saber o que fazer, e a olhar de um lado para o outro, a fada mantinha-se a flutuar no ar agarrada às belas palavras do duende.
Já habituado a reacções deste tipo, o duende baixou a cabeça apercebendo-se de que tinha perdido a atenção da sua amada. Durante tanto tempo conseguira manter o segredo da sua identidade e trocara mensagens com aquela linda criatura do outro lado da rua. Agora, estava tudo perdido.
A fada aproximou-se da janela da elfa e perguntou:
- Não o conhecias?
- Sim e não... Pensava que era um elfo como os outros.
- Mas porque trocavam mensagens sem se verem?
- Porque não conseguíamos ver para além das cortinas coloridas. Elas não mostravam quem estava lá. Apenas deixavam circular as bolhas com as mensagens.
- E porque entraram nesse jogo? - inquiriu a fada.
- Ora, porque era divertido!
- Mas tu nunca te escondeste.
- Não, porque sempre me quis mostrar.
- Não entendo... uns querem mostrar-se, outros querem esconder-se... Mas porque não se mostram todos?
- Não sei... - respondeu pensativa a elfa - O que sei é que não quero falar mais com aquele dali. Enganou-me!
- Enganou-te? Mas o que é que ele te fez se era dele que gostavas de receber as mensagens?
- Ora!! É um duende feioso!
A fada olhou novamente para a janela e viu o duende muito triste.
- Mas ele não te disse que era um duende?
- Bem... eu... também nunca lhe perguntei...
- Hummm... então não te enganou. -- A fada sorriu e sentando-se no parapeito da janela, recolheu as asas e continuou. - Tu é que querias que ele fosse um elfo como os outros porque gostavas das palavras que te enviava. E agora, porque o seu aspecto não é o que esperavas, estás a dizer que te enganou.
A elfa baixou o olhar e depois olhou de soslaio para o duende.
A fada continuou:
- Sabes bem que era quem te enviava as palavras mais sinceras e verdadeiras e tu estás a recusá-lo pelo seu aspecto? As palavras perderam o seu valor, é?
- Não... mas... mas...
- Deixaste, de repente, de gostar dele porque não é o que imaginavas? Então porque entraste tu num jogo em que desconhecias com quem falavas?
A fada abriu as asas e pairando no ar acrescentou:
- A beleza exterior esvanecesse com o tempo e pode trazer-te tristezas. Enquanto que a beleza interior dura, conforta-te, reforça-se dia a dia e faz-te mesmo feliz independentemente do aspecto que possa ter por fora.
Deixando uma elfa pensativa, que lançou um ténue sorriso ao duende, a fada abandonou aquela rua levada pela varinha mágica que já a encaminhava para outros lugares.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Desafio

Serás tu capaz de ouvir-te?
Serás tu capaz de perceber e aceitar um desafio quando este te surge à frente?
Ficas a olhá-lo ou a observá-lo?
Olhar nem sempre é ver.
Observar é descobrir.
O que preferes?
Ficar na mesma ou evoluir?
Encontrar e aguentar um desafio exige, de nós mesmos, a mais profunda das tarefas.
É aprender a perceber as dúvidas e a questionar as certezas.
Um desafio leva-nos em busca de lições do passado, com regras do presente para chegar a um vitorioso futuro.
Porém, nunca estamos satisfeitos com os resultados.
Queremos sempre mais e mais.
Somos um Ser que necessita de constantes desafios.
Não sabemos viver de outra forma.
Mesmo que esse desafio seja um simples acordar no dia seguinte.
É complicado enfrentar um desafio.
Não conheço desafios fáceis.
O que para mim pode ser fácil, como o beber um copo de água, para alguém pode ser um esforço a conquistar.
Há quem use o engano e mentira, a chantagem e a luxúria para vencer desafios.
Esses desafios nunca serão verdadeiramente alcançados.
Perder nem sempre significa desistir.
Podemos perder para perceber as certezas e retirar dúvidas.
Um desafio é sempre uma lição de vida.
Serás tu mesmo capaz de ouvir-te?
Serás tu mesmo capaz de perceber e aceitar um desafio?



(resposta a um desafio pedido com a palavra Desafio)

domingo, 11 de outubro de 2009

A ilha deserta

As ondas não desistiam de bater na costa já habituada aquelas investidas.
Sentada na areia e quase tocando a ponta da água, olho para a dança daquelas ondas.
Dançam para mim dizendo-me como é bom sentir a liberdade.
O vento passa por mim e deixa-me um ar quente.
Respiro fundo e olho em volta.
Naquela ilha deserta vivo não a solidão mas o encanto das coisas simples.
Despojada das malévolas que vivem em terras longínquas, respiro ares limpos e saudáveis.
Apareces sorrateiro e sentas-te ao meu lado.
Não te olho mas sinto o teu olhar cravado em mim, questionando-me.
Olho para o mar e penso no quero que me faças.
A onda toca-te no pé e revela-te os meus pensamentos.
Pegas-me na mão e levas-me para junto de ti.
Acaricias o meu rosto sereno e expectante.
Tocas-me nos lábios e começo a sentir-te.
Juntos, deixamos que aquela areia seja a nossa ilha.
As ondas chegam até nós mas não ousam tocar-nos.
Limitam-se a desviarem-se... abraçando-nos.
Nunca nos sentimos sós naquela ilha.
Pode ser deserta mas é cheia de vida.
É deserta porque ninguém a encontrará.
Só nós... os dois.
Cada vez que nos unimos criamos a esta nossa ilha e tudo à sua volta.
É a nossa realidade.
É o sonho que dizes que consigo tornar realidade.

(resposta a um desafio pedido com o tema Ilha deserta)

sábado, 10 de outubro de 2009

Tentação

Quente
...Canela espalhada sobre a pele
Chocolate
...O que te levo na ponta do meu dedo até à tua boca
Cores de sangue
...O que visto para me despires sem cerimónia
Calor
...O que fazes em mim
Língua
...Trabalhar o teu corpo com a minha língua
Cheiro
...Que sai da tua pele sempre que gemes
Suor
...Doce, quando o recolhes beijando-me
Gritos
... O que me fazes conter junto do teu ouvido quando me excitas sem piedade
Gelo
... Provocas-me desenhando uma palavra nas minhas costas
Palavras
... As pedes que escreva para regar o teu desejo
Parede
... Onde me encurralas deixando-me à tua mercê
Arrepio
...Sempre que te mordisco a orelha
Mordidela
... Marcas os meus lábios com os teus dentes e língua
Beijos
... Belos, Eternos, Iguarias, Jogos, Ofuscantes, Sensuais
Água
... Deixamo-la escorrer por nós, agarrados
Sentidos
... Toque, som, escutar, ver, saborear... todos alertas
Unir
... O que fazemos porque queremos, porque a tentação ordena
Tentação
... Porque só somos tentados por aquilo que desejamos

(resposta a um desafio pedido com a palavra Tentação)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Struck

Ontem enviaram-me esta sugestão no Twitter. E quem enviou (obrigada ;-)) sabia que eu ia gostar.
E assim foi. ADOREI!
É uma daquelas histórias que me batem fundo no coração. Sou estupidamente romântica, o que querem?

Até a música foi bem escolhida...
Vejam mesmo até ao fim, depois da ficha técnica... ;-)

Acho que, no fundo, gostava que um dia tivesse uma flecha daquelas. Era bom sinal... Nem que levasse assim tanto tempo a encontrar quem ma tirasse... Teria valido toda a espera :-) porque era genuíno e completo.


Struck de Taron Lexton - http://www.struckthefilm.com/

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Gosto da noite

porque mostra a Lua que me visita e que gosto de olhar antes de me deitar.
Peço-lhe que converse com o destino e que me ajude nos meus sonhos.
Resmungo para que leve os meus tormentos para o espaço... para bem longe.

Gosto da noite
porque tem o silêncio e calma que preciso para reflectir sobre o que fiz e o que vou fazer. Ajuda-me a pensar no que devo decidir.

Gosto da noite
porque sinto que viajo sem sair do lugar, que saio daqui sem nunca largar o cordão que me puxa quando acordo.

Gosto da noite
porque posso fechar os olhos e imaginar-te aqui contigo, aqui bem ao meu lado, junto a mim, amando-me. Não há partidas. Há chegadas.

Gosto da noite
porque oferece a melancolia que necessito para alimentar a escrita que sai directamente do coração sem passar pela conflituosa cabeça que por vezes domina os meus dias.

Gosto da noite
porque é quando me apetece sair, caminhar até à beira mar e sentir o teu abraço, desnudando-me e deixando-me levar na luxúria do teu corpo.

Gosto da noite
porque me sinto mais Eu...
mais frágil
mais forte
mais calma
mais ansiosa
mais carente
mais satisfeita
mais erótica
mais mulher
mais criativa
mais decidida
mais ouvinte
mais acolhedora
mais carinhosa
mais viva.

mais humana!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Vale

Descalço-me e esfrego os dedos para sentir o toque daquela terra só minha.
O fresco percorre-me as entranhas como se recebesse uma magia.
Chega ao rosto em forma de sorriso, daqueles que enchem uma montanha.
E é nela que me transformo.
Até as nuvens, ainda cinzentas, param para sentir a minha alegria. Acabam por dispersar para deixar o sol espreitar a forma que vou criando como inicio do vale.
Observa-me curioso para ver se eu mereço a sua atenção.
Ajeito os braços criando socalcos, fecho os olhos e espero.
Entreabro o olho vejo-te chegar.
És tu quem faz a magia, és tu quem de dá o prazer que me leva a sentir que sou uma montanha com tanto para dar, decorando uma paisagem idealizada por ti.
Deitas-te e assim nasce a outra montanha do vale. Mais rude, forte, sensível, orgulhosa, misteriosa, carente e ardente.
Deixas passar o rio que ambos criámos quando unimos os lábios num beijo entre o fogo e a terra.
As plantas observam caladas o egoísmo do nosso momento.
Somos os donos daquele lugar e tudo que nos pertence até o êxtase final de uma união quase perfeita.
Quase perfeita porque o Tempo não nos deixa permanecer juntos.
Porque ainda não decidiu o que fazer connosco.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os sapos

A fada caminhava descontraidamente pela floresta a ler um papel quando subitamente a sua varinha mágica a fez parar desequilibrando-a.
- Mas que raio!! - resmungou a fada.
- Ei! Tu, ó calmeirona!
A fada ouviu a voz mas não encontrou ninguém à sua frente.
-Aqui em baixo. - disse a voz.
A fada baixou a cabeça e encontrou uma série de sapos mesmo à frente aos seus pés. Olhou em volta e não viu mais ninguém. As asas nas suas costas abriram-se e perguntou:
- O que é que vocês querem? Não deviam estar num lago algures?
O murmúrio aumentou e a fada abriu os olhos à espera de uma resposta perceptível.
- Vocês é que nos mandaram para aqui!
- Vocês? Vocês quem? - inquiriu a fada.
- Fadas e magos. Gostava de saber que mal vos fizemos. - disse um dos sapos todo esticado.
- Hummm - deixou escapar a fada pensativa. - Eu sei. É verdade.
Bateu as asas e sentou-se de pernas cruzadas, no solo cheio de folhas secas, mesmo em frente aos sapos. Suspirou, levantou o sobrolho e então revelou:
- Já foram em tempos príncipes e fidalgos e agora são sapos.
O murmúrio aumentou. Havia contestação no ar. Aqueles sapos estavam mesmo zangados.
- E deviam saber porque isso aconteceu.
- Não! Não sabemos!! Vivíamos tão bem nas nossas vidas e de um momento para outro aparecemos assim este modo: sapos horrorosos e sem graça. - resmungou um dos sapos.
- Que mal fizemos nós? - perguntou outro.
A fada sorriu e disse:
- Talvez por não terem feito o que deviam.
E novo murmúrio se levantou no ar.
- Como príncipes e fidalgos achavam-se no direito de fazer o que quisessem e brincarem com quem quisessem não honrando o vosso posto privilegiado. Abusaram do facto de se sentirem os melhores do mundo e o vosso carácter não era de louvar. O que poderia ser bonito, revelou-se algo feio. Daí passarem a sapos.
Um ruidoso murmúrio fez-se ouvir e a fada sorriu ainda mais.
- Meus caros, como sapos irão aprender a respeitar e dar valor às coisas verdadeiramente importantes. Como sapos, irão conhecer as pessoas certas.
Sorriu ainda mais e piscando o olho levantou voo sentido a sua varinha mágica eufórica com as suas palavras.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ensina-me

Ensina-me a ler o céu.
Ensina-me a falar com as nuvens para saber notícias tuas.
Ensina-me a caminhar por caminhos certos.
Ensina-me a dar-te o beijo perfeito.
Ensina-me o sabor da comida para nunca sair da minha memória.
Ensina-me a comandar o tempo parando-te para mim.
Ensina-me a tocar as notas da escala até ti.
Ensina-me a ver o que me escondes por medo.
Ensina-me a ouvir a canção que apenas só nós ouvimos.
Ensina-me a lutar.
Ensina-me a perceber a tua alma.
Ensina-me a escutar o teu silêncio.
Ensina-me a dar-te tempo.
Ensina-me a voar para sentir a liberdade de quem voa.
Ensina-me a cantar para nunca deixar de te encantar.
Ensina-me a pintar as tuas cores.
Ensina-me a não tremer cada vez que penso em ti.
Ensina-me a dizer à memória para nunca te apagar.
Ensina-me a ter o melhor da vida.
Ensina-me a ser filósofa e mudar o mundo.
Ensina-me a ser o Alguém com quem sempre sonhaste.
Ensina-me a dar-te tudo em troca do tudo que me dás.
Ensina-me a sempre te querer em mim.
Ensina-me o som da imortalidade de te encontrar depois desta vida.
Ensina-me a rabiscar a paixão com rascunhos de prazer.
Ensina-me a ensinar-te como se vive um grande amor...
... daqueles que te alteram a vida.

domingo, 4 de outubro de 2009

Será o amor um jogo perdido?

Quando se deixa entrar o amor na nossa vida, entramos num jogo.
Mais propriamente, numa sala em que há uma mesa onde se joga.
E o que se joga?
Muita coisa.
Quem joga?
Quem tem cartas para jogar.
Muitos são aqueles que querem jogar mas não têm cartas para ganhar, mas estão na mesa para distrair, destabilizar, empatar, enganar, brincar, gozar.
Muitos são aqueles que querem jogar mas não os deixam.
Possuem trunfos... porém não os permitem jogar.
Acabam afastados para um canto da sala há espera de uma oportunidade que pode nunca surgir.
Já estive numa sala dessas e fui empurrada para a porta e tinha uma jogada brilhante de cartas na mão. Acabei por abandonar a sala trazendo comigo essas cartas que me dariam a vitória.
Mas nunca me deixaram jogar.
Foi um jogo perdido.
Só depois de abandonar a sala repararam nas minhas cartas. Já era tarde demais.
Guardo esse jogo para a verdadeira vitória quando entrar numa sala mas para ganhar.

sábado, 3 de outubro de 2009

Jardim de Outono

Oiço os ventos de Outono lá fora, na minha janela.
Saio para o jardim e despojo-me da roupa que me arranha.
Sigo os traços que desenhaste no chão levando-me aquele canto acolhedor.
Olho em volta e vejo os laranjas, castanhos e amarelões das plantas que decoram o nosso jardim.
Deito-me na terra que cheira a Desejo depois das primeiras chuvas.
Deixo o vento cobrir-me de folhas quentes e suaves.
E assim fico á tua espera.
Chegas, sussurrando-me ao ouvido.
Em cada beijo teu sinto a seiva dentro de mim alimentando-me do que preciso.
Descobres cada canto meu, retirando, uma a uma, as folhas que me aconchegam.
Cada uma, destapa um pedaço de mim que precisas descobrir de novo.
Em cada um fica uma palavra que gostas que te diga.
Palavras que caiem, uma a uma, sobre nós... já ligados.
Perdi-me dentro de ti.
Esqueci-me do jardim onde me encontraste.
Mas não esqueci do Outono que me deste que cheira a calor sem fim.




(resposta a um desafio pedido com a palavra Jardim)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Descoberta

Como descobrir a descoberta?
Abrindo-a?
Ouvindo-a?
Lendo-a?
Não... SENTINDO-A com todos os sentidos.
A descoberta do amor não exige a racionalidade. É feita de coisas simples e pequenas.

Descubro como irromper com tudo e todos para seguir o meu caminho.
Descubro o que o é abrir o caminho contra os rochedos que caiem à minha frente dificultando-me a caminhada.
Descubro as palavras que não te posso dizer e as palavras que te posso dizer porque nunca as ouviste desta maneira.
Descubro que sei fazer algumas coisas bem e devagar, como tu gostas.
Descubro que gosto que me pegues na mão como quem pega em quem não quer largar.
Descubro como me deixas sem fôlego.
Descobri que a felicidade é um estado de espírito e nunca uma meta.
Descobri que não há um caminho único para fazer as coisas, há sempre outra forma diferente.
Descobri que és a luz que vejo lá no fundo e que mais ninguém vê porque não te querem encontrar.
Descubro que sacias a minha fome de calor e desejo sempre que me tocas com algo da tua pele.
Descobri a tua voz nos sons que o vento traz.
Descobri-te nas noites escuras e frias em que só te vi a ti, mais ninguém.
Descubro que é apenas um sentimento forte que te toma o corpo e alma, arrebatando-te para a loucura e onde a razão não tem qualquer lugar porque não se enquadra.
Descubro e destapo o segredo que nos mantém.
Descobri que tenho de ser sábia e forte para salvar o pouco que tenho transformando-o em muito.
Descubro que já apanhei a dor porta em porta enquanto passeio pela rua chamada Vida.
Descobri que há sempre um rio de sonhos que nunca seca e que nunca perde a beleza.
Descobri o que é voar sem sair do lugar deixando-me ir nos teus braços cheios de amor.
Descubro que não sei o que fazer quando se quer parar o tempo.
Descubro que somos escandalosos cada vez que nos beijamos.
Descobri que não sou mais do que uma criatura que gosta de descobertas.

A descoberta é sempre o nascer da madrugada.

Será que descobres o mesmo que eu?

(resposta a um desafio pedido com a palavra Descoberta)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cozinhar-te

Estendo-te na cama e começo a cozinhar-te.
Começo por te tocar retirando a tristeza e a melancolia em bocados bem pequenos.
Depois, misturo beijos secos e molhados.
Misturo tudo muito bem espalhando por toda a área estendida não esquecendo de mexer bem mas sem agitar em demasiado.
Deixo repousar por uns minutos.
Pego novamente nas mãos para mexer a comida de modo a fazer crescer a massa.
Envolvo a massa com cuidado e coloco no meu forno.
Manter o fogo a uma temperatura alta mas sem deixar tostar que perde o gosto.
Retirar do forno quando estiver terminado.
Deixar repousar enchendo com carinho e muitas carícias.