quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pernoitas em mim

Se te toco, acordas e o tempo acelera.
Se te beijo, aqueces-me a língua com o teu doce.
Se te sussurro, agarras-me e calas-me com os teus lábios.
Se te olho, semicerras os olhos e deixas-me louca com o teu olhar.
Se te saboreio, gemes para eu não parar.
Se te oiço, o meu coração não pára de bater.
Se te sinto, visto-me com o nosso prazer.
Se te falo, tocas-me no rosto e eu perco-me nas palavras.
Se te silenciar, falas-me com a tua pele na minha.
Se te mordiscar, enches-me de calor e suor.
Se te deixar, prendes-me debaixo de ti deixando-me indefesa e rendida.
Se pernoitas em mim, cobrindo-me com o teu corpo, não quero acordar jamais.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Bola de neve

Deram-me uma daquelas bolas em que agita e se levanta a neve...
Sempre achei piada e finalmente lá consegui ter uma.
Veio de muito longe, perto do Pólo Norte.
Mas não da casa do Pai Natal.
Se tivesse vindo da casa dele, era especial.
Podia fazer um pedido que seria atendida.
Eu ainda acredito no Pai Natal, não aquele senhor simpático e bonacheirão, mas na ternura e generosidade.
Cada vez que agito aquela bola, imagino-me lá dentro.
Imagino que uma força agita aquela água e levanta os flocos de neve.
E eu no meio, equilibro-me para não cair e sinto-as tocarem-me.
Agarro os que posso e guardo-os junto ao coração.
Afinal, cada um deles, dá-me algo que me faz bem.
Um pedaço disto e outro pedaço daquilo.
Tudo coisas que fazem bem ao coração e alegram o espírito.
Agita, agita a bola para eu agarrar mais e mais amor, carinho e afecto.
Agita!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aquário e a calma

Muito são os que dizem que olhar para o mar acalma...

Eu faço isso sempre que posso. Gosto de olhar para o mar. É como se ele levasse todos os meus problemas.

Mas olhar para o movimento dos peixes também é um espectáculo viciante...

Este vídeo foi filmado num dos maiores aquários do mundo: Aquarium de Okinawa Churaumi no Japao. A música de fundo do vídeo é dos Barcelona e chama-se "Please don't go".

domingo, 27 de setembro de 2009

O anti-sorriso

Pelas ruas do reino das fadas a azáfama era grande. Todos conversavam uns com os outros, trocando ideias, desabafos, desafios e apoios. A fada, sentada no degrau mais alto da escadaria do edifício principal, e encostada a uma coluna, observava-os atentamente. Gostava de observar.
Reparou então, num duende que teimava em não sorrir. Por mais q lhe falassem, por mais que brincassem com ele, nada lhe tirava aquela cara de :-(
Sentiu a varinha a dar sinal e percebeu que tinha de actuar. Levantou-se e batendo as asas, a fada aproximou-se do duende.
- Então o sorriso? Foi embora? - perguntou olhando olhos nos olhos. - Tens tentado sorrir e não consegues, não é?
O duende baixou a cabeça e concordou.
A fada levantou-lhe o rosto e fez umas caretas divertidas mas não tiveram o efeito desejado. A cara continuava séria.
Com a ponta dos dedos levantou os cantos dos lábios desenhando-lhe um sorriso. Retirou os dedos e o sorriso desapareceu porque os lábios voltaram ao sítio de partida, não se seguravam por si mesmos.
- Humm... - murmurou a fada a pensar. Olhou para a varinha mágica mas esta nada fez. Pegou nela e tocou nos lábios mas nem mesmo assim eles formaram um sorriso. Agitou a varinha e nada. Percebeu que não poderia contar com ela. "Sou mesmo uma fada de varinha maluca...", pensou para consigo.
- Sou um caso perdido. - disse o duende cada vez mais triste sentando-se num dos degraus da escadaria.
A fada zangada com a situação, colocou as mãos à cintura e bateu com o pé no chão. Não gostava de desistir.
Cruzou os braços e olhou bem para aquele duende e foi quando sentiu a varinha a agitar-se.
Largou uma gargalhada. Já sabia o que fazer.
Sentou-se ao lado do duende e depositou-lhe um beijo carinhoso na bochecha gorducha.
Surpreendido o duende perguntou:
- Porque fizeste isso?
- Já vais ver.
Segundos depois, o duende esboçou um sorriso de canto a canto feliz com a sensação que a fada lhe tinha deixado no rosto.
Satisfeita com o resultado, a fada beijou a outra bochecha e partindo a voar disse:
- Por vezes as coisas mais simples são as mais eficazes.

sábado, 26 de setembro de 2009

Partícula pequena

Parto de uma coisa minúscula que sou eu...
... em busca de algo grande que é o Cosmos.
Sei que faço parte dele mas que contribuo muito pouco para a sua evolução.
Desde um simples sopro até à mais complexa constelação,
há Espaço para todos.
O meu...
adquiri-o a partir do momento em que nasci.
É meu até morrer.
O tempo de existência, é o que faço dele.
Partículas pequenas e grandes como um grão de pó ou uma estrela brilhante.
Grão de pó, quando me sinto fraca e usada,
uma estrela brilhante, quando sinto a felicidade.
A felicidade é feita de galáxias, de super-novas, de cometas livres...
É o cosmos.
Tão depressa estamos no escuro sós, como na luz acompanhados.
Pertenço a um planeta algures no meio de um universo.
Também tu.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Presa a um momento e não consigo sair

Esta canção dos U2 fez-me lembrar o que vivo presentemente.

I'm not afraid of anything in this world
There's nothing you can throw at me that I haven't already heard
I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company


Sinto-me presa a um momento que não consigo sair.
Tal como no videoclip, sinto-me abandonada e presa num chão e não consigo levantar-me.
Vejo-me de pernas para o ar, com pessoas a passarem por mim, empurrando-me, olhando-me e algumas vezes pisando-me mas deixando-me para trás... presa aquele solo.


I never thought you were a fool
But darling, look at you
You gotta stand up straight, carry your own weight
These tears are going nowhere, baby


E quando vem uma mão, algo a faz largar: por não ser a certa para me levantar ou por desistir de mim.

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and now you can't get out of it
Don't say that later will be better now you're stuck in a moment
And you can't get out of it


Sou observada, estudada à espera que eu me levante sozinha... como se não precisasse de ninguém.

I will not forsake, the colors that you bring
But the nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted by the light you brought to me
I listen through your ears, and through your eyes I can see


Mas preciso. Como todos precisam.

And you are such a fool
To worry like you do
I know it's tough, and you can never get enough
Of what you don't really need now ... my oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Oh love look at you now
You've got yourself stuck in a moment and you can't get out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm till you discover how deep
I wasn't jumping for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Don't say that later will be better now
You're stuck in a moment and you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if our way should falter
Along the stony pass

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along the stony pass

E um dia terei essa mão estendida que não me vai fugir.

It's just a moment
This time will pass



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Tenho fome

Tenho fome da tua voz,
que me quebra o silêncio do meu corpo.
Tenho fome das tuas cores,
que me dão cor aos meus beijos.
Tenho fome da tua gargalhada,
que me veste de alegria.
Tenho fome do teu olhar,
que me despe como eu gosto.
Tenho fome do teu silêncio,
que conta tanta coisa.
Tenho fome do cheiro da tua pele,
que me faz estremecer quando me tocas.
Tenho fome de te sentir em cada passo que dou descalça pela casa.
Estou faminta do ar que me rodeia por me trazer cheiros de prazer.
Estou faminta para viver os dias um de cada vez.
Estou faminta de beber a água das tuas lágrimas porque assim consigo pará-las.
Estou faminta por me deitar no chão sem nada sobre mim e em nada pensar a não ser no dia que vai nascer.
Tenho fome de vida.
Tenho fome de ti.
Tenho fome de mim.

Simples palavras inspiradas num poema de Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Arranja-me

Arranja-me porque estou em pedaços.
Arranja-me porque não sei como juntar as peças novamente.
Arranja-me porque não sei como caminhar para ti.
Arranja-me porque não consigo ver-te.
Arranja-me porque não consigo tocar no que está longe.
Arranja-me porque não consigo sentir o que quero sentir.
Arranja-me porque não sei ouvir o canto da tua voz a chamar-me.
Arranja-me porque me desfiz quando te vi.
Arranja-me para ser o que sempre fui e nunca o consegui ser.
Arranja-me para ser o que sempre sonhaste.
Arranja-me para voltar a ser quem sou.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Caixa de bombons

Sentada e encostada num tronco da sua árvore preferida, a fada balançava descontraidamente uma das pernas.
Inclinou o pescoço e olhou para o que tinha sobre o colo.
Uma caixa, nem grande nem pequena, que os Magos Supremos lhe tinham depositado com o recado de que continha a essência da vida.
Intrigada com tal presente, a fada nem sabia se deveria abrir ou não. Mas afinal tinha de saber. Era fada, mexia na vida das pessoas.
- Trata-se da vida... tenho de ver.
Rodou a caixa e não reparou sinais ou marcas.
Era uma caixa totalmente branca, rectangular.
Baixou ligeiramente a cabeça e levantou uma ponta de tampa.
Os olhos abriram-se e as asas subiram também elas surpreendidas.
Destapou a caixa e viu uma série de bombons de chocolate.
- Mas como isto pode ser a essência da vida?
Fascinada pela variedade de formas dos bombons, retirou um esbranquiçado e trincou. A cara estremeceu e voltou a colocar o bombom. Era amargo e arrepiante.
Escolheu outro, cheio de decorações lindas e com este sentiu um calor estranho, como que um aconchego.
O seguinte era bem colorido mas ao trincá-lo sentiu uma dor imensa e largou-o em agonia.
Pensativa, pegou no seguinte, algo enigmático, e após o trincar ofereceu-lhe uma raiva que mal conseguiu conter.
Escolheu mais um do meio da caixa e depois de o degustar, começou a sentir uma profunda tristeza que a levou a largar uma lágrima. Suspirou e limpando-a provou outro bombom. Arqueou os olhos e boca e sentiu a saudade a invadir o seu coração.
O outro, mal trincou, sentiu logo uma agradável sensação por todo o corpo que a levou a corar e a sentir calor.
Mas o mais enigmático de todos estava ali naquele canto, quase despercebido: um simples bombom redondo como um berlinde. Perfeito. Levou-o à boca e nunca tinha sentido uma coisa assim: As asas esticaram-se e só lhe apetecia rodopiar no ar e rir, rir sem parar...
- Que estranhos bombons! Em vez de me darem sabores só me dão emoções e sensações.
Aquela caixa era mesmo enigmática. Cada bombom era uma descoberta.
Abriu os olhos e num sorriso disse:
- Ahhh! Percebi! É isso! É isso mesmo!
A vida é mesmo como uma caixa de chocolates: nunca sabemos o que lá está dentro.
Precisamos de estar preparados para saborear de tudo para assim darmos valor à sua verdadeira essência.

(Este texto é uma singela inspiração da famosa frase do filme Forest Gump e que se revela uma verdade: Life was like a box of chocolates. You never know what you're gonna get.)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Atiro a roupa

A noite já cai lá fora e sentindo a tua falta, olho para a luz do luar que entra pela janela.
As estrelas fazem companhia a uma Lua solitária mas cheia de inspiração para entregar a quem chama por ela.
Fecho os olhos e imagino-te aqui mesmo ao meu lado.
Aquela melodia que gosto começa a surgir na minha cabeça como que quebrando o silêncio da noite.
Toco-me no rosto e sorrio.
Deitada, abro os braços e levanto o ventre.
Encolho devagar as pernas e dobro-as sobre mim.
Estás a tomar conta de mim.
Estás a dominar a minha atenção.
Estás mesmo aqui comigo.
Atiro com a roupa e deixo-me ir... nas tuas mãos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Vazio

Alguém, um dia, disse-me que devo ser daquele tipo de pessoas, que mesmo rodeada por muita gente, deve sentir sempre um vazio...
E é verdade.
Durante toda a minha vida assim foi.
Ainda não consegui remover esse vazio porque não encontrei o modo de o preencher e abafar.
Mas um dia conseguirei.

Hoje, sinto esse vazio a puxar-me com força e só me apetece cravar os dedos das mãos no solo e não me deixar ir.
Mas mesmo cravados com toda a minha força, sou arrastada...

sábado, 19 de setembro de 2009

Há que abandonar a solidão

Largar todas as letras, separá-las e guardá-las num local distante... para que não voltem a juntar-se.
A palavra Solidão é das mais detestadas mas das mais sentidas.
Todos a querem abandonar, mas nem todos o conseguem.
Há que abandonar a solidão... bem longe.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Testas tocam-se

As testas tocam-se e olhamo-nos em silêncio.
Assim permanecemos sem nada dizermos.
Fechamos os olhos e deixamo-nos ir nos primeiros toques.
Unimo-nos, sentindo o bater forte do coração.
Um único coração q bate ao mesmo ritmo.
Abrimos os olhos, deitamos uma lágrima de prazer e, então, beijamo-nos, selando o momento.
Nada nos tirará da memória aquele presente já feito passado.
Unimos de novo as testas e pedimos um futuro.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vestir-me com um sorriso

Há tecidos caros e baratos.
Há tecidos lindos e discretos.
Há tecidos rugosos e suaves.
Há tecidos que perduram e que se estragam.
Há tecidos coloridos e sem cor.
Eu gostava de me vestir com o tecido do sorriso.
Ele é...
barato...
lindo...
suave...
perdura...
colorido...

e, acima de tudo, faz sempre alguém sentir-se muito melhor.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desarruma-me!

Quero que desarrumes o meu corpo de modo que não o queira nunca mais arrumar.

Que cada canto fique vazio porque já lá não estou perdida.
Que cada pedaço da minha pele seja alimentada pelo teu calor.
Que cada olhar seja para me dizeres tudo que as palavras não conseguem dizer.
Que cada gemido seja um grito de prazer e não de dor.
Que cada arrepio seja uma mensagem da alma satisfeita e não de frio. Que cada sentido fique baralhado porque sinto tudo.
Que cada pedaço desarrumado seja uma peça de arte nas tuas mãos.
Quero que desarrumes o meu corpo para me sentir viva.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Steve

Steve, que é autista, é conhecido por memorizar paisagens e depois as desenhar. Levaram-no num passeio de helicóptero sobre Roma de 45 minutos e deram-lhe 3 dias para desenhar o que vira.

É absolutamente fascinante reparar nos pormenores que ele captou e desenhou tão bem nos sítios certos. Vejam o video até ao fim.

Há coisas inexplicáveis na mente humana.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Hoje escrevi uma carta

Escrevi uma carta especial. Daquelas que não se mandam por correio mas que chegam ao destino.
Fiquei sossegada a ouvir o que o coração me contava.
E eu escrevi.
Usei palavras com letras desenhadas uma a uma como se fossem as primeiras a nascer.
Parei um pouco com o silêncio.
E tornei a ouvir a voz do coração.
Tranquilo, sofredor mas forte e cheio de esperança, lá continuava a ditar-me o que lhe fazia bater todos os dias.
Hoje, mal consigo seguir o seu ritmo de tão nostálgico que está.
'Calma!', pedi, 'Dita-me mais devagar senão perco palavras e não quero!'.
A folha transparente já estava quase no fim e as letras continuavam a cair como gotas de chuva num dia terrível de inverno.
De repente, o coração acalmou, finalizou o recado e voltou à sua vida de sempre.

Fechei o envelope e dei à Saudade para te entregar pessoalmente esta carta que não se vê mas que se sente.

domingo, 13 de setembro de 2009

Terreno do Amanhã

" (...) E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. (...)" - William Shakespeare.

Esta frase tocou-me particularmente porque neste momento da minha vida vivo o presente.
Abandonei os pensamentos e planos que tinha para o futuro. Tal como diz na frase: o terreno do amanhã é incerto demais para planos. E muitos dos meus planos já se desmoronaram.
Todavia, não abandonei os meus sonhos. Não são impossíveis. São difíceis mas não impossíveis, porque eu não sonho com futuros irrealistas.
Esses sonhos estão cá e não vou desistir deles. Apenas não conheço o terreno que terei de pisar para os tornar realidade. São os sonhos profissionais e emocionais.
Os passos que dou no presente levam-me a um futuro, é certo.
Cada minuto que passa é um entrar no futuro transformando-os logo em passado.
Construo com calma e muita, muita paciência a minha estrada.
De vez em quando, alguém passa e danifica o caminho que construi. Mas eu volto a compor e continuo a avançar.
Se vejo que a estrada está frágil é porque o terreno é instável e, então, mudo de direcção, corrijo o caminho para o terreno do futuro.
Há sempre alternativas, há sempre outros trajectos que aparecem no nosso mapa de estradas.
São momentos felizes quando alguém se cruza na nossa estrada deixando para sempre um cruzamento de vida, um cruzamento dos que vale a pena marcar no mapa.
Nestes últimos meses muito construi mas também muito vi ser destruído.
Agora, construo a minha estrada em terreno sólido porque sólida é a minha vontade de ser feliz.

sábado, 12 de setembro de 2009

Pintar-te

Pego numa cor e pinto os teus ombros e peito, devagar, para não omitir nenhum dos seus pormenores.
Escolho outra cor e pinto os braços sem esquecer as mãos que tão bem me sabem tocar.
Misturo mais cores e pinto as pernas bem desenhadas e que me abraçam deixando-me tua prisioneira. Vou à cor mais quente e pinto a tua anca e o teu centro que chama por mim.
Volto à cor inicial e pinto o teu rosto sem esquecer os olhos que sempre souberam ver-me tão bem e dos lábios que sempre souberam beijar-me tão bem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Descobri

que esperava tão pouco de ti
e agora tenho muito.
Descobri
que depois da nuvem
está sempre o calor do sol.
Descobri
que quem me mente
vai acabar enganado mas não por mim, mas pela vida.
Descobri
que sabe bem um simples conjunto de palavras
em vez de ouvir uma voz, quando as palavras saem do fundo do coração.
Descobri
que te quero amar
e que só o tempo dirá se me queres amar também.
Descobri
que não vale a pena sentir a injustiça
porque não sou eu quem vai fazer justiça.
Descobri
que não posso travar as emoções que nascem na minha cabeça
porque o coração ordena que elas nasçam.
Descobri
que mais vale ter poucos momentos de felicidade
do que uma vida cheia de ilusão.
Descobri
que quando se está no fundo do poço
há sempre uns degraus que nos levam à superfície.
Descobri
que posso fechar os olhos
e imaginar-te junto a mim respirando no meu ouvido.
Descobri
que posso desejar tanto
que sei que vai acontecer.
Descobri
que não se é dono de nada
e no entanto podemos ter tudo
.
Descobri
que viver
é regar a alma todos os dias.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os 3 caminhos

A fada torcia a boca e levantava o sobrolho enquanto batia com o pezinho no solo de terra seca. Inclinou a cabeça para o lado, colocou as mãos na anca e olhou melhor para aquele cenário.
As asas estavam abertas mas sossegadas, atentas e na expectativa da decisão da sua dona.
Coçou a cabeça, desviou um caracol que cismava tapar o seu olho e suspirou.
- Gostava de ser mais sábia...
Olhou para o cinto onde a sua varinha mágica da Paciência dormitava mas estava atenta aos pensamentos da querida fada. Até parecia que com aquela agora não poderia contar.
- Hum... - resmungou furiosa pela indecisão. - Não sei o que fazer.
A fada olhou novamente para os 3 caminhos. Aparentemente iguais, iram levá-la a um destino diferente. Todos, a convidavam mas só poderia escolher apenas um.
O primeiro, levava-a à repetição de um belo mas algo doloroso e solitário passado apesar de inevitável.
O outro, levava-a a uma rua muito agradável, reconfortante, amiga, cheia de prazer mas sem saída aparente.
E o último, o mais discreto, levava-a a outros caminhos que no entanto desconhecia.
Pensativa, tocou na sua varinha e esperou o um conselho.
E ele não chegou.
Ainda não é hora para a varinha mágica actuar.
Há que esperar.
Há que saber esperar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Como se?

Como se retira um lamento?
Como se apaga a dor?
Como se remove a revolta?
Como se extingue a tristeza?
Como se esmaga a mágoa?
Como se esquece uma perda?
Como se evapora uma mentira?
Como se repudia um toque?
Como se mata um beijo?
Como se limpa a solidão?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Natural Woman


Joss Stone - Natural Woman - Aretha Franklin Tribute


Adoro esta canção, melodia e letra. Gosto de a cantar para sentir melhor.


Lookin' out on the morning rain
I used to feel so uninspired
And when I knew I had to face another day
Lord it made me feel so tired
Before the day I met you
Life was so unkind
But you're the key to my peace of mind

'cause you make me feel
You make me feel
You make me feel like a natural woman

When my soul was in the lost and found
You came along to claim it
I didn't know just what was wrong with me
Till your kiss helped me name it
Now I'm no longer doubtful
Of what I'm livin' for
And if I make you happy
I don't need to do more

'cause you make me feel
You make me feel
You make me feel like a natural woman

Oh baby what you've done to me!
You make me feel so good inside
And I just wanna be
Close to you
You make me feel so alive

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Desenhar nos lábios

"Hoje apetece-me desenhar nos teus lábios", digo-te.
Sento-me ao teu colo e seguro o teu rosto entre as minhas mãos.
Começo por te beijar junto à orelha e sigo para a bochecha.
A testa vem logo a seguir e salto para a outra bochecha.
Deposito um beijo no queixo e subo para a ponta do nariz.
Sorrio e olho para os teus olhos observando o teu olhar de curiosidade.
Desenho com a ponta da língua os teus lábios...
... explorando de seguida a tua boca num beijo há muito desejado.

domingo, 6 de setembro de 2009

Como posso ver as estrelas?

Tudo parece acontecer à minha volta e eu nada vejo.
Sinto-me no meio de uma rua onde todos passam, esbarram e usam, deixando-me ali exposta como se eu fosse uma boneca de trapos.
Esvaziam-me como se eu não existisse.

Como posso ver as estrelas se os meus olhos nada deixam ver?
Como posso ver as estrelas se não querem brilhar para mim?
Como posso ver as estrelas se tenho os olhos cheios de lágrimas que não secam?
Como posso ver as estrelas se a Lua não me traz as palavras que desejo?

Por vezes penso que tenho de gritar com todas as minhas forças para verem que sou tão humana que nem tudo posso aguentar.
Há pedras que não consigo levantar,
há pedras que são traiçoeiras e fazem com que caia de novo.

Todavia, há as pedras que ajudam a escalar,
a construir,
a chegar às etapas.

São essas que uso para sair do meio da rua que me mirra.

sábado, 5 de setembro de 2009

Confesso...

Confesso que... gostava de um dia fazer amor ao som desta música
Entra por mim dentro e chega ao sítio que me faz arrepiar...



Johann Sebastian Bach - Orchestral Suite No. 3 in D Major

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A concha

A fada caminhava com as mãos atrás das costas marcando a areia com os seus passos constantes.
Ia distraída nos seus pensamentos.
As asas agitavam-se com a leve brisa que vinha do mar. Lá no horizonte, o Sol começava a deitar-se e a fada nem reparava.
Continuava a caminhar olhando para o chão como se procurasse algo.
Perdida nos seus pensamentos, parou de repente.
Encontrara uma pedra linda de cores brilhantes. Agachou-se para a pegar mas descobriu que não passava de uma ilusão.
- Hummm... - murmurou - Quem está a brincar comigo?
Levantou as asas, rodou no ar e flutuando tentou sentir algo.
Nada. Estava completamente sozinha ali.
A varinha mágica agitava-se no cinto.
- O que me queres dizer, doida? - falou a fada para a sua varinha.
A varinha puxou-a para a frente como quem puxa alguém com pressa.
Agitando os braços e pernas, a fada tentava parar aquela força mas de nada servia. A varinha é que controlava.
Parando de repente, atirou com a fada para o chão.
- Mas que raio!! - resmungou a fada irritada sacudindo a areia da cara. - O que te deu????
Limpou os olhos e viu, bem à frente do nariz, uma concha pequena, banal e solitária.
Olhou em volta e tocou-a. Era real. Desta vez não era uma ilusão.
Pegou nela e instintivamente levou-a ao ouvido.
Sorrindo, percebeu o que aquela concha tinha: a resposta.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Gavetas na nossa memória

A mente humana tem a capacidade de armazenar infindáveis dados que ficam guardados numa sala chamada Memória.

Trata-se de uma sala algo desarrumada porque nunca se sabe quando se encontra ou onde se encontra algo.
No meio deste caos sublime, surgem as gavetas especiais.
Saudades são gavetas na nossa memória que abrimos quando nos apetece para saborear o seu conteúdo.

Muitas estão cheias e muitas ainda estão vazias à espera de serem ocupadas até que a nossa alma decida fechar-se.

Hoje, gostava de guardar boas sensações, palavras e rostos.

Mas sinto saudades de alguém que nunca encherá uma gaveta porque não há gaveta que sirva para estas saudades.
Essas saudades... estarão sempre a pairar nos corredores da minha mente como agradáveis brisas numa tarde de verão.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Romantismo. Rega-me!

As minhas raízes do romantismo estão a alimentar-me e a deixar-me florir para ti.
A terra agarra-me e mostra-me onde devo ficar...
como que presa das minhas vontades.
Mas... e se o vento te levar e deixar lágrimas de chuva?
Não aguento a tua ausência e o regresso do frio.
Não gosto de frio do inverno.
Gosto do toque da primavera.
Gosto do prazer do verão.
Gosto do arrepio do outono.
Rega-me!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tenho eu de te desenhar a alma?

Tenho eu que te dar cor em vez do preto e branco?
Tenho eu de pegar no lápis e fazer os traços dos caminhos que deves percorrer?
Tenho eu que desenhar o meu rosto para me veres?
Tenho eu que pintar a felicidade que queres sentir?
Tenho eu que rabiscar as palavras que quero que me digas?
Tenho eu que pegar no lápis e desenhar o banco solitário onde me sento à tua espera?

Não.

Não tenho de te desenhar nada.
Cada um desenha a sua própria alma.

Eu só te posso oferecer os lápis.